Pular para o conteúdo principal

Rock de Porão

O tempo faz bem ao bom rock. Ele é um filtro natural entre o que é perene e o que expirou e, mais importante ainda, descola os rótulos que insistimos em colocar no que é novo. É como uma boa garrafa de vinho que sobrevive ao tempo e você encontra no porão do seu avô sem o rótulo. Naquele momento, você não sabe se o vinho é bom ou não, se sobreviveu ao tempo ou não. Sequer sabe que nome deram para ele. Tira a rolha, toma um gole e descobre.

Fico imaginando meu filho recém-nascido descobrindo minha coleção de CDs. Para ele não fará a menor diferença se o Green Day era classificado à época como punk rock, power pop, hardcore melódico ou qualquer outro nome que se dê hoje ao tipo de música que eles fazem. Ele vai escutar Dookie como hoje eu escuto Never Mind the Bollocks, um clássico absoluto. Vai escutar Radiohead como eu escuto Dark Side of the Moon e Damien Rice como eu escuto Springsteen. Não me interessa como classificavam o Floyd, os Pistols ou o Boss em suas respectivas épocas, o que interessa é que a música sobreviveu.

Com as bandas novas eu não consigo. Escuto todas elas com o selo que nelas colocam. Estava escutando o novo do Green Day e fiquei me perguntando se eles ainda fazem punk rock. Para mim fazem, mas como meu filho escutará este disco em 18 anos? Falta de personalidade minha? Sei lá. Todo mundo que conheço que toma vinho com denominação de origem controlada ou com nota maior do que 90 do famoso crítico Robert Parker, um dia já tomou vinho Campo Largo de garrafão escutando God Save the Queen.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Triathlon de Noel

Natal de 2010. Na verdade antevéspera de Natal, dia 23 de Dezembro. Faz 5 minutos que saí de uma reunião com um fornecedor crítico, que está quase parando a linha de produção de um de nossos clientes. Em mais 25 minutos entro em outra, com outro fornecedor crítico, que está quase parando a linha de produção de outro de nossos clientes. 2010 foi assim, basicamente uma corrida só, em três modalidades. Modalidade número 1, a já mencionada corrida atrás de peças para nossos clientes. Modalidade número 2, a emocionante corrida atrás do desenvolvimento pessoal. Já contei em outras ocasiões que todos os anos eu me isolo, por dois ou três dias, para fazer uma reflexão do ano que passou, das evoluções conquistadas e do que está por vir. Depois tenho o ano todo para dar os próximos passos. De fato dei muitos passos esse ano, mas sempre correndo contra o relógio. Clichê verdadeiro esse, como todos os clichês. E finalmente a melhor de todas. A modalidade número 3, corrida com revezamentos e ...

Maturidade

- Eu até esperava os cabelos brancos e a barriguinha, mas a maturidade e a serenidade que os acompanham não estavam nos planos. Droga! - Mas é legal isso! Não é porque é maduro que precisa ser chato né? - Sei lá, estão aparecendo algumas manias que eu não estou gostando. - Se você não está gostando ... - Tá bom palhaço, estou falando sério aqui. Crise da meia idade porra! - Desculpe, é que não me sinto assim. Dá para ser maduro e sereno, sem deixar de ser cool . Tipo um Elvis Costello tocando com os Beastie Boys no SNL. - Bom argumento. - Sem contar que a gente fica mais charmosão, as meninas olham mais. - Sim, olham com dó, e um pouco de medo. - (risos) Fale por você! Comigo é só dó. - (risos) - Faz o seguinte, pega a Marta e as crianças e cheguem lá em casa hoje à noite. Fazemos um churras e enchemos a cara. - Beleza, mas vê se compra carne naquele açougue que eu te mostrei da última vez. E nada de Heineken, vou levar só Stella. ...

Bad Religion in Curitiba - 1996

Those were the early days of internet, especially in Brazil. Luckily, I was an engineer student in a Federal University in Curitiba. Internet in Brazil was a privilege of some universities (mine included), so I had access to the web. And I had e-mail. It was the early days of 1996 and I was working as a student researcher in the AI lab of my college. It was boring, and I loved rock´n´roll, as all smart and bored kids did. Since 1993, after a disastrous attempt to play an RPG game at a friend´s house, I met the band that would change my life forever, Bad Religion (@badreligionband). How I met the band is a long and different story, but since then I became a huge fan and started a punk rock band thanks to them. Well, back to the lab and the e-mail access, after long hours of research, and thanks to the naivety reigning on the early days of the web, I managed to find out the e-mail of Bad Religion´s manager at the time, Michele Ceazan (@monsqueeze). So I wrote her. I can...