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Se não fosse aquela azeitona


Eram 35 no começo e saíram juntos. O caminho não era longo, mas difícil. Ainda mais difícil era sincronizar os 35, que pareciam mil. Cada um era de um jeito, de uma idade e com diferentes vontades. Cada um.

Não tinham guia, nem mapa. Nem bússola ou lanterna. Só a roupa do corpo e a certeza de que aquela era a direção correta, sem saber por que. E assim foram seguindo.

Lá pelas tantas, quando já eram menos de 20, um dos que sobrou perguntou:

- Alguém já comeu o enfeite da salada?

- Que tipo de pergunta idiota é essa? – perguntou outro.

- É que foi assim que eu morri. – respondeu – Engasguei com o caroço da azeitona e não tinha ninguém para fazer a manobra de Heimlich.

- Manobra de quem? Que manobra é es.... Peraí, morreu? Que papo é esse?

- Sim, não estamos aqui? Como foi com você?

Um silêncio mortal tomou conta da caravana. Só ele tinha se tocado do que houvera e agora, de um golpe só, todos sabiam. Ficaram horas parados, tentando entender, contando suas histórias e recuperando o fôlego. Estavam debatendo se voltavam ou não procurar os outros 15 que tinham ficado para trás. Quando decidiram voltar, um que ainda não tinha se manifestado falou:

- Voltar? Agora? Vamos perder muito tempo.

Todos olharam para ele, rindo. Ainda não tinha entendido bem o negócio.

Comentários

rafacras disse…
Muito bom!

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