Pular para o conteúdo principal

7 Canções e 1 Ilha Deserta - Ensaio I - Black

Black é uma balada descomunal. Umas das últimas grandes do rock. Lançada no início dos anos 90, localizada no meio do “classic album” Ten do Pearl Jam, é uma música que fala sobre a dor de não poder ter quem você ama. Tema adolescente – ou pelo menos gosto de pensar assim – retratado de forma adulta e sensível. A música acompanha as letras nesta dicotomia. Forte e decidia, é ao mesmo tempo chorosa e cheia de esperança.

É a primeira – e uma das últimas – vez que o canto chorado de Eddie Veder soa autentico e emocionante. Como sempre com as letras dele, fica difícil saber exatamente sobre o que está cantando, bem como entender todas as palavras, mas isso não importa muito. Você sente que é real. Nas primeiras versões ao vivo da música, lá pelo final, quando a guitarra já está arrematando a cancão, um “We belong togheter” surge repetidamente, em tom de desespero. A letra original não tem esta parte. Adoro estas versões justamente porque este desespero final manda às favas toda a poesia e a fake-maturidade do resto da música. É como se ele estivesse dizendo “Ah, sabe do que? Foda-se isso tudo. Volta prá mim peamordedeus.” Muito bom.

Poética ou literal, forte ou melosa, sincera ou fabricada, black é uma balada daquelas. De fazer você querer tirar uma casquinha com sua ficada/namorada/noiva/esposa/... enquanto cantam juntos o tchururu do final. E é isso o que importa no final das contas. É para isso que o rock – e especialmente suas baladas – existem. Fica apenas a pergunta: por onde andam as grandes baladas do rock?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Despertadores

Eu não sou exatamente um cara místico, que acredita muito em que tudo acontece por um motivo e tal. Ou pelo menos não era até ter meu filho e começar a me aproximar da meia idade. Agora, de verdade, meu velho ter perdido a hora no meu primeiro dia de aula em um novo colégio sempre fez meu ceticismo cair de joelhos, por assim dizer. Explico. Meu velho nunca perde a hora. Pelo contrário, a hora é que perde ele. Sempre agitado, ligadão, a mil por hora, quais eram as chances dele dormir demais no primeiro dia de aula de dois dos seus três filhos no colégio novo? Bom, alguma chance deveria ter, pois foi o que aconteceu. E esse pequeno deslize foi o que salvou a minha vida, sem exageros. Como cheguei atrasado, as carteiras próximas aos meus colegas do antigo colégio já estavam todas tomadas. Sobrou um lugar do outro lado da sala de aula, bem no meio de três figuras lendárias da cidade. Para um piá de prédio, patologicamente tímido, vindo de um colégio de filhinhos de papai, sentar no meio ...

Dionatan

Oi, meu nome é Dionatan. Minha mãe diz que tirou ele de um programa antigo de televisão. Deve ser do mesmo programa que ela tirou o nome da minha irmã, Dieniffer. Vai saber, minha mãe não é muito normal. Eu tenho onze anos, e quando tinha nove ganhei este computador do meu pai, que ele comprou parcelado em 24 vezes nas Casas Bahia. Meu pai diz que eu sou a esperança da família. Eu já tenho 359 amigos no Orkut, 225 no Facebook e 130 seguidores no Twitter. Estou começando a montar um perfil no MySpace para minha banda The Subtitles . O tio de um amigo meu do Orkut que inventou esse nome, mas eu nem sei o que significa. Também não tem problema, a banda ainda nem existe mesmo. Na verdade eu nem conheço esse meu amigo ainda, mas ele é muito amigo mesmo, do peito como diria meu pai. O zuzu99 é muito legal. Ele vai ser o baterista da banda. Acho que a última vez que vi minha irmã foi no Domingo passado, o que não quer dizer nada, pois nos falamos todos os dias pelo Messenger. Ela também tem...

Seagazer

Como ser humano assumida e eternamente perplexo com a grandeza e as maravilhas do oceano, sempre percebo quando estou diante de um semelhante. Nós, os Seagazers , somos facilmente reconhecíveis. É só prestar atenção aos braços largados ao lado do corpo (ou as mãos dadas atrás das costas, uma variação que, à exceção do físico prejudicado e do fato de não usarmos sungas vermelhas, pode faze-lo nos confundir com salva-vidas prontos para a ação), ao olhar fixo no horizonte oceânico, às pernas um pouco espaçadas e a uma leve inclinação a sair nadando até desaparecer. No meu caso específico – pois não sou um porta-voz da nossa espécie, ou algo do tipo – se tiver um par de fones brancos no ouvido, com, por exemplo, Stargazer (um tipo mais conhecido mas não menos esquisito de Gazer ) do Mother Love Bone tocando, ainda melhor. Pode ser também a Oceans do Pearl Jam . Hoje, curtindo o último dia de férias na praia, descobri um novo membro do nosso seleto grupo de lunáticos. Meu filho. Ele te...