<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025</id><updated>2012-02-16T16:15:29.813-02:00</updated><title type='text'>Confusão</title><subtitle type='html'>"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la" Gabriel García Márquez</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>129</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1089284999774424387</id><published>2012-01-03T22:44:00.002-02:00</published><updated>2012-01-03T22:44:42.025-02:00</updated><title type='text'>Se não fosse aquela azeitona</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eram 35 no começo e saíram juntos. O caminho não era longo,mas difícil. Ainda mais difícil era sincronizar os 35, que pareciam mil. Cadaum era de um jeito, de uma idade e com diferentes vontades. Cada um.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não tinham guia, nem mapa. Nem bússola ou lanterna. Só aroupa do corpo e a certeza de que aquela era a direção correta, sem saber porque. E assim foram seguindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lá pelas tantas, quando já eram menos de 20, um dos quesobrou perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Alguém já comeu o enfeite da salada?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Que tipo de pergunta idiota é essa? – perguntou outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- É que foi assim que eu morri. – respondeu – Engasguei como caroço da azeitona e não tinha ninguém para fazer a manobra de Heimlich.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Manobra de quem? Que manobra é es.... Peraí, morreu? Quepapo é esse?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sim, não estamos aqui? Como foi com você?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um silêncio mortal tomou conta da caravana. Só ele tinha setocado do que houvera e agora, de um golpe só, todos sabiam. Ficaram horasparados, tentando entender, contando suas histórias e recuperando o fôlego. Estavamdebatendo se voltavam ou não procurar os outros 15 que tinham ficado para trás.Quando decidiram voltar, um que ainda não tinha se manifestado falou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Voltar? Agora? Vamos perder muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Todos olharam para ele, rindo. Ainda não tinha entendido bemo negócio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1089284999774424387?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1089284999774424387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1089284999774424387&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1089284999774424387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1089284999774424387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2012/01/se-nao-fosse-aquela-azeitona.html' title='Se não fosse aquela azeitona'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7291452607735242724</id><published>2011-12-28T23:15:00.001-02:00</published><updated>2011-12-28T23:15:15.226-02:00</updated><title type='text'>Plaquinha Vermelha</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O Josimar é um sujeito patologicamente bem educado. Só paracitar um exemplo dos problemas práticos que o excesso de educação traziam parao Josimar, ele não conseguia, em hipótese alguma, ir a um churrascaria derodízio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com aquela loucura de espetos e bandejas, Josimar tinha quedizer “não obrigado” sempre que quisesse dispensar algum pedaço de boi queestivessem servindo, ou “sim, por favor” quando aceitasse. O problema é que suadoença não permitia que ele falasse de boca cheia e o negócio travava. Chegou aum ponto em que ele inventava desculpas do tipo “já almocei” ou “hoje estoumeio sem fome” para não passar vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já estava sem esperanças quando um primo, mais do queletrado em rodízios, deu uma sugestão. Bastava que ele, assim que aceitasse aprimeira fatia de picanha, virasse a plaquinha para o lado vermelho. Quandoterminasse de comer, com toda a calma e etiqueta típicas do Josimar, viravanovamente no verde, e assim sua vida estava salva da iminente falta deproteínas animais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E lá foi o Josimar. Escolheu a roupa a dedo, tomou um banhodemorado e foi para a melhor churrascaria da cidade testar a nova técnica.Estava indo tudo bem. Já tinha passado pelo coração de galinha, pelo faisão(que ele sempre desconfiou ser um golpe), pela primeira rodada de picanha epelo carneiro. Estava quase no ápice, quando aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Assim que terminou o carneiro, com um delicioso molho dehortelã, virou a plaquinha para verde. “Podem vir”, pensou quase em voz alta.Recebeu um generoso pedaço de costela e virou a plaquinha novamente. Encarou apresa, cortou um pedaço quase sem a faca, de tão macio, e encheu a boca. Foinesse momento que um distraído garçom ofereceu linguiça para o Josimar. Com aboca ainda cheia de costela ele começou a gritar (e cuspir), “puta que pariu,não tá vendo a plaquinha no vermelho?” A esta altura ele estava mais vermelhoque a plaquinha e o restaurante inteiro olhava para ele. “Você é burro ou quê?Não dão treinamento nesse lugar?” E continuava gritando e cuspindo, vermelho.Quando se deu conta do descontrole inédito, tentando recuperar a educação, queera sua marca registrada, disse, “Mas com todo o respeito, é claro”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando anunciou para os amigos e parentes que decidiratornar-se vegetariano, todo mundo achou uma excelente ideia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7291452607735242724?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7291452607735242724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7291452607735242724&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7291452607735242724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7291452607735242724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/12/plaquinha-vermelha.html' title='Plaquinha Vermelha'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8569016379377419395</id><published>2011-10-15T21:19:00.002-03:00</published><updated>2011-10-15T21:19:23.697-03:00</updated><title type='text'>O Vírus</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela tem um rosto fronteiriço. Daqueles que você só sabe se ébonito ou feio quando ela abre a boca. A maioria das pessoas são bonitas oufeias, ponto. Você pode até mudar de idéia quando conhece melhor, mas jáclassifica de cara. Porém, algumas raras pessoas ficam ali, bem no meio, e vocêsó desempata quando ela começa a falar. E ela começou a falar. E ela é linda demorrer. E foi aí que eu dancei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi como um vírus incubado. Por semanas eu não me lembreidela, mas aos poucos comecei a sentir que algo me incomodava. Seu rostoaparecia na minha imaginação e eu achava graça. Depois comecei a me preocuparcom a frequência e, finalmente, veio a febre. Eu tinha que fazer alguma coisa,urgente. O nó é que pra vírus não tem remédio, tem que esperar o ciclo passar,mas eu precisava pelo menos de um antitérmico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Comprei uma passagem de ônibus. Naqueles tempos, quandoaeroporto ainda não parecia rodoviária, só gente rica viajava de avião. Arrumeiminha mala com todos os argumentos que eu tinha e embarquei para a viagem deseis horas de estrada ruim que nos separava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fui ao mesmo bar que nos conhecemos, e ela estava lá. Deu praver da rua pelo amplo vidro que separa os bebuns do bar dos da rua. Ela tambémme viu e abriu um largo sorriso. Fiquei imaginando se ela também estavasofrendo do meu mal. Ficamos alguns minutos nos olhando de longe, ela com suaturma dentro do bar, eu sozinho do outro lado da rua. O trânsito estavasurpreendentemente grande naquele fim de mundo, ainda mais considerando a horaavançada. Continuávamos nos olhando de longe. Depois que um ônibus passoulentamente entre nós, ela nunca mais me viu. Me arrependi muito de não tercomprado passagens de avião.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8569016379377419395?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8569016379377419395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8569016379377419395&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8569016379377419395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8569016379377419395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/10/o-virus.html' title='O Vírus'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-160471706609869140</id><published>2011-07-31T21:04:00.002-03:00</published><updated>2011-07-31T21:05:10.700-03:00</updated><title type='text'>Malditas fotografias</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma coleção de fotografias. Bom, todo mundo tem uma coleção de fotografias, mas não como a minha. Não é uma coleção enorme, não tem bizarrices, não é de Polaroid, é apenas uma coleção de fotografias, mas é única. Mesmo quando a coleção entrou na era digital, continuei mandando imprimir. Tenho exatamente vinte mil setecentas e cinqüenta e duas fotografias, uma para cada dia, desde o dia em que fiz dezoito anos. Eu achava que estava ficando velho quando fiz dezoito anos. Isso me assusta agora que estou realmente ficando velho. Nunca mostrei minha coleção para ninguém, e nunca vou mostrar. Isso é uma das coisas que faz da minha coleção única. Eu também não vejo as fotografias depois que as guardo. A foto de amanhã já planejei, a de hoje já fiz, a de ontem revelei e as da semana passada já esqueci. São todas iguais, o que muda é o tempo. São todas diferentes. Ao contrário de Dorian Gray, envelheço junto com os retratos, ou até mais do que eles, porque eles só registram o envelhecimento do meu corpo, quando o pior é o das minhas idéias. No fim, tal qual o personagem de Oscar Wilde, só saberão quem sou pelos anéis. E na parede não encontrarão um quadro, comigo no auge da juventude. Encontrarão uma caixa enorme de velhas fotografias, com um registro preciso, lento e acachapante da chegada da velhice. Ou pior, do caminho até ela. Por favor, não me entenda mal, não estou reclamando do caminho, na verdade ele tem sido muito bom. O que me inferniza é eu ter achado que era velho cedo demais. Agora, aos setenta e quatro (caso você não tenha feito as contas), não tenho mais coragem de parar com as fotografias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-160471706609869140?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/160471706609869140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=160471706609869140&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/160471706609869140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/160471706609869140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/07/malditas-fotografias.html' title='Malditas fotografias'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4642709571662465988</id><published>2011-06-29T22:42:00.002-03:00</published><updated>2011-06-29T22:42:53.756-03:00</updated><title type='text'>Sapo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Toda vez que eu chego em casa do trabalho, meu pequeno me olha e diz, “Sapo”. No começo fiquei grilado. Tudo bem que sou feio e ganhei um pouco de peso ultimamente, mas eu não sou verde porra. Além disso, tenta colocar esse nariz num sapo para ver se o desgraçado consegue se equilibrar. Mas está tudo certo, na verdade o que ele quer é o vídeo do sapo que não lava o pé (aquele mesmo do nosso tempo de infância) que começa a tocar no meu ipad toda vez que o pequeno o liga.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É isso, meu &lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;ipad não me pertence mais. Foi bom enquanto durou. Agora ele é apenas uma plataforma avançada de entretenimento infantil. Sempre alternando entre o sapo, o Doki, a Galinha Pintadinha e um povo esquisito contando até 10 em francês.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Deixe-me esclarecer bem a situação. Minha TV já é dele desde o dia 1. Minha cama também. Minha esposa nem se fala. O chão da sala, o sofá da sala, a sala. Tudo dele. Sem problema algum, filho é filho, mas o ipad era meu, katzo. Eu comprei com o meu dinheiro, eu vi primeiro e eu vou chamar a minha mãe. Mas peraí, minha mãe é avó dele. Se eu chamar ela, piora. Não tenho a quem recorrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Você acha que estou escrevendo este texto no ipad? Claro que não. Sabe por que? Porque o ipad está carregando. Sabe por que? Porque meu pequeno acabou com a bateria vendo o vídeo do sapo. Agora que ele foi dormir, tenho que carregar o brinquedo dele para amanhã. Percebeu? “O brinquedo dele”. Mas tudo bem, filho é filho. Eu nem queria o ipad mesmo. Droga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4642709571662465988?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4642709571662465988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4642709571662465988&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4642709571662465988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4642709571662465988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/06/sapo.html' title='Sapo'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6572151406710566973</id><published>2011-06-25T08:24:00.000-03:00</published><updated>2011-06-25T08:24:19.215-03:00</updated><title type='text'>Tutano</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sempre que uma grande mudança ocorre na minha vida, anuncio por aqui que vou dar um tempo nos meus escritos. Quando mudei de emprego a primeira vez foi assim. Quando o pequeno nasceu foi assim. Quando decidi que não gostava mais de quiabo foi assim também. Grandes mudanças implicam em vácuos criativos para mim. Dois dos meus quatro seguidores sempre reclamam quando faço estes anúncios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para não criar nenhum mal estar, apesar de ter mudado de emprego recentemente, decidi não fazer o anúncio. O problema é que as ideias continuam não vindo. Foi aí que eu percebi que todas as vezes que disse que ia parar de escrever por um tempo, logo em seguida surgiam vários textos novos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se for assim, queridos leitores, anuncio que nunca mais vou escrever, na esperança desesperada de que a partir de amanhã comecem a pipocar histórias nesta pobre cabeça sem ideias. Como diz o meu pequeno, colocando o dedo na minha testa, “Tutano papai”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6572151406710566973?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6572151406710566973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6572151406710566973&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6572151406710566973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6572151406710566973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/06/tutano.html' title='Tutano'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6682665625291249003</id><published>2011-06-04T07:49:00.000-03:00</published><updated>2011-06-04T07:49:21.115-03:00</updated><title type='text'>Trilha</title><content type='html'>&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Liguei o modo aleatório do aparelhinho, coloquei os fones no ouvido e saí andar pela Lagoa. De cara tocou Creep do Radiohead para me colocar no meu devido lugar. Fui pensando que se eu voltasse para casa teria que encarar a dura realidade dos livros não lidos, da louça não lavada e da noite mal dormida em má companhia. Não voltei.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Maldito sol. O que será que houve com a fama de cidade cinza deste lugar?&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não levei meus óculos. Nem sei onde eles estão. Continuei andando enquanto minha trilha sonora ia sendo decidida pelo programa que algum nerd mais desafortunado que eu embutiu no aparelho.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Fui longe demais para voltar caminhando, mas não tinha dinheiro sequer para o ônibus. Sentei em uma mesa de bar e pedi um copo de água da torneira. Começou a tocar Johnny Cash. Sorte. Me dei conta de onde estava.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Mais algumas quadras e eu estava passando pelo sobradinho muquifento onde ela morava. Bateu uma saudade incontrolável e torci para tocar a nossa música. Não tínhamos uma música nossa, então a que tocou serviu. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Não lembro qual foi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Ganhei força para encarar o longo caminho até em casa. Cheguei exausto, mas com uma vontade louca de lavar a louça, diminuir a pilha de livros e passar a noite em claro, de preferência em má companhia. Sou eternamente grato ao programa do nerd, que escolhe minhas músicas por mim quando estou precisando.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: X-NONE; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: #0400;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6682665625291249003?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6682665625291249003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6682665625291249003&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6682665625291249003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6682665625291249003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/06/trilha.html' title='Trilha'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2440084075981798105</id><published>2011-05-30T21:11:00.003-03:00</published><updated>2011-06-04T18:50:33.631-03:00</updated><title type='text'>A Caminhada</title><content type='html'>&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Antes do pequeno chegar, toda vez que íamos para a praia, minha querida e eu escolhíamos um dia para a caminhada. Na verdade caminhávamos todos os dias, mas um deles era reservado para "a" caminhada. Era uma caminhada definidora. Uma caminhada estratégica. Nela decidíamos o rumo da vida da nossa família, até então composta apenas por nós dois. Foi numa dessas caminhadas que decidimos que nossa família não seria mais composta apenas por nós dois. E o pequeno chegou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Essa foi a decisão mais importante de todas, mas não foi a única tomada em nossas caminhadas na areia. Decidimos por construir uma casa ao invés de mudar de apartamento, decidimos que era hora de eu mudar de trabalho, decidimos viajar para o exterior algumas vezes e assim por diante. Bom, decidimos também ganhar na loteria, mas essa decisão até hoje não deu certo. Nem todas deram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Agora, dois anos e três meses depois da chegada do pequeno, cá estamos novamente. Minha querida dorme ao meu lado enquanto escrevo e assim que ela acordar vamos voltar para casa, depois de 4 dias maravilhosos de lua de mel. Fomos caminhar algumas vezes, mas não fizemos plano algum. Não tivemos "a" caminhada. Fazem dois anos e três meses que descobrimos que a vida é no presente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Ontem, saindo para jantar, minha querida me fez uma pergunta perturbadora. Quantos dos vários planos que fizemos realmente se concretizaram? Se eu disser que perdi o sono com a pergunta é mentira. Na praia, depois de uma garrafa de vinho tinto, não se perde o sono. Entretanto acordei pensando nisso. Tentei lembrar das várias versões dos planos, fazer um balanço. Fiz simulações com e sem a loteria e cheguei a uma conclusão. Não importa. A medição destas coisas não é em percentual. É só pegar a saudades que estamos sentido do pequeno, somá-la ao quanto conseguimos nos divertir mesmo assim, como se tivesse sido nossa primeira lua de mel, somá-los à total falta de necessidade de fazer novos planos e pronto, a conta está fechada. Todos os planos anteriores funcionaram.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2440084075981798105?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2440084075981798105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2440084075981798105&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2440084075981798105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2440084075981798105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/05/caminhada.html' title='A Caminhada'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5671219919903618387</id><published>2011-05-29T19:31:00.000-03:00</published><updated>2011-05-29T19:31:04.718-03:00</updated><title type='text'>Aposta</title><content type='html'>&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Oi, eu sou o teu anjo da guarda.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Hum? Como?&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Teu an... Sabe do que? &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;KABUM&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Uow, o que foi isso?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Para provar de uma vez. Não estou com paciência para ficar te convencendo.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Como é que você fez isso?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Já falei, sou teu anjo da guarda. Aliás, já pedi transferência mas o chefe não aceitou. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Quer testar os meus limites.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Como assim transferência?&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;De você. Não aguento mais, você dá muito trabalho.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Que trabalho? Você está louco? Não pratico nenhum esporte radical, não transo sem camisinha, sou tranquilo no trânsito, não uso drogas, não assisto Big Brother.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Ah é? E essa porcaria que você pede toda noite para comer em casa? Tem ideia de quantos pneus de moto eu já furei, de quantas máquinas de cartão eu já quebrei e de quantas vezes tive que trocar o teu endereço?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Então foi você? E eu achando que era o cara mais azarado do mundo.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Azarado sou eu, de ter você como protegido.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;E qual é o problema com o meu sanduíche?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;O sanduíche não tem nenhum problema. Dois por noite, acompanhados de batas fritas e refrigerante, 15 minutos antes de dormir é que tem.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Você fala isso porque nunca experimentou. Te faço um desafio, vamos pedir um para você agora, se você resistir ao segundo eu paro hoje mesmo. Senão, você me deixa em paz para sempre. Que tal?&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Não é assim que funciona Carlos Eduardo.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Pense bem, é a tua chance de ter paz e sossego.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1" style="margin-left: 9.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 9.0pt; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family: Helvetica; mso-fareast-font-family: Helvetica; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Tá bem. Combinado. Pode pedir.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-text-raise: -1.0pt; position: relative; top: 1.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;O motoboy chegou intacto e a máquina de cartão funcionou. Gabriel comeu o sanduíche, não quis o segundo, e voltou para o céu. Vencera o desafio e salvara a vida de Carlos Eduardo. O chefe estava orgulhoso.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Body1"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;Gabriel finalmente tinha o sossego que merecia. Voltou a trabalhar em horário normal como os outros anjos da guarda. Estava até tendo tempo para jogar tênis duas vezes por semana e voltou a ler, seu passatempo favorito. Tudo o que sempre quis. Mas Gabriel andava triste. Por um tempo achou que era a falta da adrenalina de tentar salvar o Carlos Eduardo todas as noites. Depois, no silêncio do seu quarto celestial, admitiu para si mesmo que o que sentia falta de verdade era daquele maldito sanduíche. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-fareast-font-family: Helvetica;"&gt;O que será que os caras colocavam naquela maionese?&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: #0400; mso-bidi-language: X-NONE; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: #0400;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5671219919903618387?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5671219919903618387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5671219919903618387&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5671219919903618387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5671219919903618387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/05/aposta.html' title='Aposta'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1487446489364264059</id><published>2011-05-05T20:27:00.000-03:00</published><updated>2011-05-05T20:27:16.744-03:00</updated><title type='text'>Uma mãe digna de Cannes</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha primeira viagem à França foi em 1997. Meu pretexto era um congresso mundial em engenharia biomédica, tema do meu mestrado nunca concluído. Minha primeira saída do Brasil. Minha primeira viagem de avião. Como companheira de viagem, com o pretexto de não me deixar cair em nenhuma enrascada, minha mãe. Uma baita companheira de viagem, diga-se de passagem. Enquanto eu encarava as várias palestras dos 3 dias de congresso, dei à minha velha a nobre missão de filmar alguns topless da praia de Nice, a espetacular cidade litorânea da famosa Cote D´Azur. E ela filmou. Vários. Mãe é mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Meu filho também tem uma mãe, minha querida Tati. Quando a vejo se desdobrando para agradá-lo, sem um pingo de mau humor, lembro daquela viagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Quando lembrei essa história, já pai e tendo testemunhado de perto a ralação diária de uma mãe dedicada, liguei para a minha pedindo desculpas. Ela não entendeu nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Para todas as mães e futuras mães, meu mais profundo respeito e consideração, agora com a propriedade de quem acompanha uma diariamente. E se seu filho pedir para você filmar alguma coisa que não te desperte o mínimo interesse, na boa, não custa nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1487446489364264059?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1487446489364264059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1487446489364264059&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1487446489364264059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1487446489364264059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/05/uma-mae-digna-de-cannes.html' title='Uma mãe digna de Cannes'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7943768855810875677</id><published>2011-04-01T10:39:00.003-03:00</published><updated>2011-04-07T03:07:37.728-03:00</updated><title type='text'>História de fim de dia</title><content type='html'>O pai chegou em casa cedo naquele dia. O pequeno estava na sala, com alguns amigos que tinham vindo com ele do colégio para brincar de videogame. A mais velha estava no quarto, com alguns amigos que não tinham vindo com ela do colégio, batendo papos virtuais. A mãe estava no banho. O cachorro em todos os lugares. Chovia lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como as crianças já estavam cansando de matar monstros e fazer curvas impossíveis, o pai resolveu contar uma história. Atividade antiquada essa de contar histórias, com a TV desligada, onde já se viu. Mas não demorou muito para o pequeno e seus pequenos colegas vidrarem seus pequenos olhos no pai, mal respirando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sobre um ser que viveu aqui por essas paradas, há muito tempo. Um ser verdadeiramente iluminado. Apesar de não ser humano, era amigo de todos. Cada vez que ele aparecia para uma visita, nem que fosse breve, todos se alegravam. Ele inspirava planos, sonhos, música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o pai contava, a filha mais velha se juntou à gangue. Ouviu o silêncio lá do quarto, veio ver o que acontecia e não voltou mais. Demorou para perceberem que a mãe também já tinha saído do banho, secado o cabelo e jogado qualquer roupa de mãe no corpo. A jornada ainda era longa com aquela turma. Parou no corredor, olhando admirada o marido, primeiro pelo esforço e logo em seguida, e com mais força, pela história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pai continuava. Descreveu detalhes da personalidade daquele ser único que, por motivos que ninguém nunca soubera, escolheu aqui para viver, e que por motivos ainda mais obscuros sumiu há um bom tempo, e nunca mais voltou. Contou como o povo daquela cidade foi se acostumando com a sua ausência, ao custo de muita amargura e frieza. Contou do seu tempo de juventude e de como as coisas eram diferentes com a sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olhou para o lado, não pode deixar de notar a vizinha gostosa do décimo primeiro andar, que viera emprestar um pouco de açúcar e não saiu mais. Durou pouco mais de meio segundo o pensamento sobre o porque das vizinhas gostosas virem emprestar açúcar com aquelas roupas. Estava envolvido demais na própria história. Por sorte a mãe também estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a história foi crescendo. Contou dos momentos em que o estranho amigo desaparecia, mas acabava retornando, fazendo com que os momentos com ele fossem ainda mais divertidos. Até que sumiu de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou ficando tarde e o pai já estava terminando a história quando a filha, com aquele ar adolescente blasé, perguntou afinal o nome do ser. O pai fez um esforço para lembrar e disse, com olhar nostálgico, era o Sol. Toda a turma em coro, ohhhhhh.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7943768855810875677?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7943768855810875677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7943768855810875677&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7943768855810875677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7943768855810875677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/04/historia-de-fim-de-dia.html' title='História de fim de dia'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-9115026134132492137</id><published>2011-03-21T11:03:00.001-03:00</published><updated>2011-03-21T11:04:19.361-03:00</updated><title type='text'>Nuke</title><content type='html'>Eu devia ter uns 12 anos quando o programa Fantástico, da Rede Globo, mostrou um especial sobre as possíveis consequencias à população de uma guerra nuclear, à epoca iminente. Isso foi muito antes de eu abandonar de vez a Rede Globo, mas com certeza ajudou na decisão. Aquela cena me marcou muito, para não dizer aterrorizou profundamente. Talvez só a participação do Minotauro no sítio do pica-pau amarelo tenha chegado perto na categoria “vamos deixar essa criança sem dormir por uns dias”. E não estou usando da força de expressão aqui. De fato fiquei meses sem dormir direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com dois irmãos mais novos, todos dormindo no mesmo quarto, eu era o que tinha a cama perto da janela. A rua que passava ao lado do nosso quarto era de paralelepípedos. Todos os dias, perto das 11 da noite (madrugada para uma criança – sim, com 12 anos ainda éramos crianças então), o caminhão de lixo passava por ali, com aquele barulhão característico dos caminhões de lixo, amplificado pelo efeito trepidante dos paralelepípedos e pela minha capacidade de ver coisas onde não existem, já bem desenvolvida naqueles tempos. Eu ficava apavorado, com os olhos abertos pregados no teto do quarto, esperando o clarão inevitável do cogumelo atômico. Na minha fantasia, EUA e URSS escolheriam Ponta Grossa, no interior do Paraná, como um dos primeiros alvos da sua rixa infame. Maldito caminhão de lixo. Maldito Fantástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos passaram, nunca mais vi telejornais da Rede Globo, percebi que o Minotauro do sítio era só um ator qualquer muito mal fantasiado e deixei de ser criança há muito tempo. O medo da bomba continuou, só que de uma forma mais controlada e, digamos, madura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora minha inimiga número 1 resolveu colocar as manguinhas de fora novamente. Com a onda de terremotos e tsunamis que assolou o Japão recentemente, e com o consequente acidente nuclear que resultou destes eventos, tive um flashback nada bem vindo dos meus tempos de pavor nuclear. A bomba está de volta. Bem, não exatamente a bomba, e não exatamente em um contexto de guerra ameaçador. De qualquer forma, só por via das dúvidas, não custa dormir de olho no teto por alguns dias. Afinal o tempo passa, mas o lixo continua tendo que ser removido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-9115026134132492137?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/9115026134132492137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=9115026134132492137&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9115026134132492137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9115026134132492137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/03/nuke.html' title='Nuke'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7171060979132080981</id><published>2011-03-09T21:16:00.001-03:00</published><updated>2011-03-09T21:16:57.046-03:00</updated><title type='text'>Sergio's</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;O guardanapo roxo, os talheres grossos e pesados, a taça de vinho imitando cristal, o saleiro com furos em S, o pequeno pote de queijo fresco ralado e o vasilhame de um azeite de oliva duvidável. Meu Deus, estou no Sergio’s. Fui longe desta vez. Estou só. Ah sim, a Ana está na casa da mãe dela. Acho que é a primeira vez que venho aqui sem a Ana. Tomara que não dê azar. Lembro-me da primeira vez que estivemos por aqui, no começo do namoro. Eu queria impressioná-la. Funcionou. Depois, viemos comemorar todas as grandes alegrias aqui. As grandes brigas terminaram aqui também, algumas começaram. Poucas. Soube que ela estava grávida exatamente nesta mesa. Contei para ela de todas as minhas promoções comendo o mesmo ravióli de mascarpone com azeitonas pretas do Sergio’s. Pensando bem, se tivessem uma câmera filmando esta mesa, teríamos um resumo bastante representativo da nossa vida juntos, tirando as cenas &lt;i&gt;x-rated&lt;/i&gt;, obviamente. E que vida juntos tivemos. Nos conhecemos há muito mais tempo do que se supõe quando nos vêem juntos e já passamos por tudo, menos fome. Já fomos até presos juntos, por uma bobagem da Ana, que eu insisti em continuar. Tivemos nosso pequeno, a maior aventura de todas. A rolha do vinho com a data de hoje, o cantucci para adoçar a boca, o café expresso. Ah sim, Sergio’s.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7171060979132080981?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7171060979132080981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7171060979132080981&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7171060979132080981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7171060979132080981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/03/sergios.html' title='Sergio&apos;s'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8583228293952383721</id><published>2011-02-26T23:03:00.001-03:00</published><updated>2011-02-26T23:04:28.846-03:00</updated><title type='text'>Apagadão</title><content type='html'>Duarte passava boa parte do tempo apagado. Apagadão mesmo, quase em coma. Decidia beber, enchia a cara e apagava por dois ou três dias. O curioso é que durante o &lt;i&gt;blackout&lt;/i&gt;, Duarte sempre tinha uma epifania. Uma idéia genial, transformadora. Era tão famoso por este dom, que já estava na fase de receber encomendas. Dependendo da bebida, podia direcionar seu trabalho para um assunto específico. Uísque, idéias de negócios para empresas familiares. Vinho tinto, idéias de negócios internacionais. Espumante, idéias proibidas. Cerveja, idéias para samba enredo. Martini, idéias conspiratórias ou de espionagem. E assim a coisa acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duarte andava com a agenda cheia. Alem de não pagar mais pelo vício, ganhava um bom dinheiro para ajudar as pessoas no que quer que fosse, quase morrendo a cada vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve uma vez que um figurão pagou duas caixas de &lt;i&gt;keep cooler&lt;/i&gt; para que Duarte desse uma idéia de como comprovar que a esposa dele estava se encontrando com o suposto amante em um motel da cidade. Bebida fraca, idéia fraca. Duarte mandou o figurão seguir a mulher. Funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vez, bebeu uísque 18 anos para ajudar um irmão a dar o golpe nos outros e assumir sozinho a empresa da família. Os irmãos traídos só não mandaram apagar o Duarte porque seria um desperdício de dinheiro. Ele vivia apagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa de suas últimas atuações, uma moça pediu para Durte uma idéia do que fazer da vida. Quando ele acordou, saiu, comprou um lindo anel de diamantes, e pediu a moça em casamento. Como já tinha dinheiro o suficiente, parou com seu curioso ofício. Vivem muito bem, mas até hoje Duarte não tem nem idéia de que bebida era aquela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8583228293952383721?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8583228293952383721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8583228293952383721&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8583228293952383721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8583228293952383721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/02/apagadao.html' title='Apagadão'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8721748640568395915</id><published>2011-02-08T22:00:00.003-02:00</published><updated>2011-02-08T22:01:04.243-02:00</updated><title type='text'>A crise é dela e ninguém tasca</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho que admitir, minha esposa é o máximo. Além do pacote básico, amor, carinho, amizade, sexo e companheirismo, ela não me deixa incomodar com atividades desnecessárias. Planeja tudo para nós. Como estou chegando perto dos 40, ela já começou a planejar a minha crise de meia idade. Não é uma querida? Disse para eu nem esquentar com esse negócio. Já está até criando umas regras básicas, para evitar constrangimentos para nós dois. Pranchão pode, mas sem descolorir o cabelo. Carro conversível depende, só se ela couber também. Nada com nome próprio e metade da idade dela está permitido. De qualquer maneira minha crise não se atreveria. Viagens para lugares exóticos também pode, mas com hotel quatro estrelas no mínimo e Starbucks por perto. Em resumo, ela assumiu minha provável crise de meia idade. A crise não é mais minha. Poxa, antes de julgar minha querida pense bem, quem é que está disposto, nos dias de hoje, a assumir a crise dos outros? É o exemplo supremo da doação matrimonial. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na menopausa e na crise da meia idade. Mesmo não sendo religioso, eu levo a sério o que o padre falou naquele dia. Agora, se você não tem ninguém para cuidar da sua crise, azar teu. Sai daqui que a minha tem dona.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8721748640568395915?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8721748640568395915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8721748640568395915&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8721748640568395915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8721748640568395915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/02/crise-e-dela-e-ninguem-tasca.html' title='A crise é dela e ninguém tasca'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6162869813020759542</id><published>2011-01-08T01:06:00.001-02:00</published><updated>2011-01-08T01:06:54.558-02:00</updated><title type='text'>Curtinhas Horrorosas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Vitima tentando ganhar tempo com seu dentuço algoz:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Poxa, deve ser emocionante a vida de vampiro!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Nada. Não é nada do que parece. Sou apenas um pobre imortal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando entrou na taberna mal iluminada, todos começaram a gritar horrorizados. Foi quando o filho único do Dr. Frankenstein disse com sua voz rasgada:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Calma gente boa, quem vê cara não vê coração, seja ele de quem for.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acordou atordoado, no meio da floresta, com as roupas rasgadas. Uma música não saia da sua cabeça. “Tomo um banho de lua ...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Você é apenas um jacaré que fala.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não sou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;É sim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Sou um monstro assustador.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não é não.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Sou sim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um jacarézão de batom e peruca loira. Parece um traveco do reino animal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Pô, não precisa apelar né?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin-left: 0cm; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: 0cm;"&gt;-&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;Foi mal cuquinha querida, você sabe que o sacizão aqui te adora né?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6162869813020759542?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6162869813020759542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6162869813020759542&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6162869813020759542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6162869813020759542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2011/01/curtinhas-horrorosas.html' title='Curtinhas Horrorosas'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-263033611903911919</id><published>2010-12-23T16:09:00.002-02:00</published><updated>2010-12-24T08:00:41.563-02:00</updated><title type='text'>Triathlon de Noel</title><content type='html'>Natal de 2010. Na verdade antevéspera de Natal, dia 23 de Dezembro. Faz 5 minutos que saí de uma reunião com um fornecedor crítico, que está quase parando a linha de produção de um de nossos clientes. Em mais 25 minutos entro em outra, com outro fornecedor crítico, que está quase parando a linha de produção de outro de nossos clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2010 foi assim, basicamente uma corrida só, em três modalidades. Modalidade número 1, a já mencionada corrida atrás de peças para nossos clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modalidade número 2, a emocionante corrida atrás do desenvolvimento pessoal. Já contei em outras ocasiões que todos os anos eu me isolo, por dois ou três dias, para fazer uma reflexão do ano que passou, das evoluções conquistadas e do que está por vir. Depois tenho o ano todo para dar os próximos passos. De fato dei muitos passos esse ano, mas sempre correndo contra o relógio. Clichê verdadeiro esse, como todos os clichês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente a melhor de todas. A modalidade número 3, corrida com revezamentos e obstáculos atrás do filho. Nosso pequeno aprendeu a correr antes de aprender a andar, e lá vamos nós atrás dele, revezando, minha esposa e eu, e saltando os brinquedos espalhados pela casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se somar o tempo gasto em todas as três modalidades com o pouco tempo de sono disponível, o ano acaba rapidinho. E quando você acorda, já é Natal. Como não sou religioso, Natal para mim é época de trocar presentes e ficar deprimido com as pessoas avulsas nas ruas da cidade, andando sem destino e com a maior pinta de que vão passar a noite sós. Ninguém deveria passar o Natal só. Ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, quando estiver com minha querida e meu pequeno na casa dos meus pais, provavelmente terei em apenas uma noite o resumo do que foi este ano. As três modalidades estarão lá. A corrida atrás de peças é garantida, pois estarei acompanhando um caminhão crítico que tem que cruzar a fronteira com a Argentina no final de semana para não parar a produção na segunda-feira. A corrida atrás do pequeno é mais do que garantida, só que com mais gente para revezar e com novos obstáculos, que ele terá acabado de desembrulhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta saber como fica a corrida do desenvolvimento pessoal. Um dos pontos que coloquei para meu plano de 2010, e que não consegui tirar do papel, foi desenvolver um pouco o meu lado espiritual, que hoje tem a altura de um anão de jardim. Rezar não significa muita coisa para quem nunca o faz, e no meu caso a emenda fica pior do que o soneto. Não consigo me livrar da sensação de que estou trapaceando toda vez que tento rezar. Ajudar aquele avulso sem destino também não parece uma boa idéia. Além do risco enorme de dar uma bola fora, esse tipo de ajuda não necessariamente significa que você atingiu um nível espiritual qualquer. Na verdade, geralmente significa o contrário. Acho que o negócio vai ser apostar no básico. No simples. Quando der meia noite, vou puxar minha querida e meu pequeno num canto, dar um abraço gigante nos dois, um beijo maior ainda, e é isso. Não consigo pensar em nada que chegue mais perto do que entendo por paraíso. Essa é a minha religião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-263033611903911919?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/263033611903911919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=263033611903911919&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/263033611903911919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/263033611903911919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/12/thriatlon-de-noel.html' title='Triathlon de Noel'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5432842888755185085</id><published>2010-11-26T15:17:00.000-02:00</published><updated>2010-11-26T15:17:39.660-02:00</updated><title type='text'>Um CD por Dia</title><content type='html'>Droga, o estoque está acabando novamente. Tenho que comprar outro tubão. Porra, cem CDs é quase um terço de ano e já vou ter que comprar outro. O tempo voa, como dizem sempre. Eu gravo um CD por dia, geralmente entre duas e três da manhã, auge da minha insônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tempo atrás, como sabia que o dia dela seria ocupado e estressante, gravei um com &lt;em&gt;James Blunt&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Damien Rice&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Sarah McLahlan&lt;/em&gt;. Foi um sucesso, especialmente porque escondi no final do CD uma das 5.000 versões do &lt;em&gt;Pavarotti&lt;/em&gt; para &lt;em&gt;O Sole Mio&lt;/em&gt;. Eu não gosto de &lt;em&gt;Pavarotti&lt;/em&gt;, nem ela, mas ela tinha aula de italiano naquele dia e a música tocou enquanto dava mil voltas na quadra tentando achar vaga para estacionar. Ela riu muito. E rir no trânsito louco dessa cidade conta muitos pontos. Depois daquele primeiro CD, eu nunca mais parei. Já foi uns 20 tubões, o que significa mais de cinco anos cultivando essa mania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando brigávamos e a culpa era minha, eu dava um jeito de pedir desculpas na voz de outros. Geralmente o &lt;em&gt;Bono&lt;/em&gt; resolvia ou, em caso de desespero total, &lt;em&gt;Aerosmith&lt;/em&gt;. Quando a culpa era dela, eu dava um jeito de demonstrar minha mágoa através de alguma canção triste com acordes menores – &lt;em&gt;My Way&lt;/em&gt; sempre foi minha preferida nestes casos, meio que dando um sinal de que seria bem fácil eu seguir meu caminho, o que na verdade era uma mentira deslavada. Às vezes, quando a mágoa era muito grande e acompanhada de raiva aguda, gravava uma só música de alguma banda tipo &lt;em&gt;Metallica&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Megadeth&lt;/em&gt;, das mais aceleradas, para deixá-la sem alternativa que não fosse escutar minha revolta. Ficava dado o recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de uma vez que eu quis sair da rotina e passar a noite em um motel. Gravei &lt;em&gt;Marvin Gaye&lt;/em&gt; e ela não entendeu. Passamos a noite em casa. Daí ela entendeu. No dia que descobrimos que ela estava grávida, gravei uma das minhas obras primas. Fiz uma bolachinha com versões de ninar para todas as músicas preferidas dela, de &lt;em&gt;U2&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;Live&lt;/em&gt;. Meses depois ninguém mais agüentava aquele CD, pois foi reaproveitado nas noites de cólica e insônia do neném. Mas a primeira audição foi um sucesso quase tão grande quanto o da primeira vez, aquela do &lt;em&gt;Pavarotti&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei para vir para o trabalho. Ela sabe que a coisa anda meio complicada por aqui e que o nível de stress está maior do que o suportável. Para minha surpresa, lá estava ele, um dos meus CDs virgens, agora desvirginado, em cima do meu celular. Não tinha nada escrito, nem uma frase espirituosa como eu costumo fazer. Tudo bem, ela é caloura na arte. Saí de casa cuidando para não fazer barulho, entrei no carro, zerei o odômetro, como faço todos os dias, pus o cinto de segurança e saí da garagem. Escutei as notícias do dia, preparei o espírito e coloquei o CD para tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira música era &lt;em&gt;The Good Life&lt;/em&gt;, do &lt;em&gt;Weezer&lt;/em&gt;. Agora vou ter que esperar pelo menos duas horas até ela acordar para entender se foi barbeiragem de caloura ou se estou realmente encrencado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5432842888755185085?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5432842888755185085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5432842888755185085&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5432842888755185085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5432842888755185085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/11/um-cd-por-dia.html' title='Um CD por Dia'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7581957901809056318</id><published>2010-11-15T09:05:00.001-02:00</published><updated>2010-12-08T21:05:48.448-02:00</updated><title type='text'>Despertadores</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu não sou exatamente um cara místico, que acredita muito em que tudo acontece por um motivo e tal. Ou pelo menos não era até ter meu filho e começar a me aproximar da meia idade. Agora, de verdade, meu velho ter perdido a hora no meu primeiro dia de aula em um novo colégio sempre fez meu ceticismo cair de joelhos, por assim dizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Explico. Meu velho nunca perde a hora. Pelo contrário, a hora é que perde ele. Sempre agitado, ligadão, a mil por hora, quais eram as chances dele dormir demais no primeiro dia de aula de dois dos seus três filhos no colégio novo? Bom, alguma chance deveria ter, pois foi o que aconteceu. E esse pequeno deslize foi o que salvou a minha vida, sem exageros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como cheguei atrasado, as carteiras próximas aos meus colegas do antigo colégio já estavam todas tomadas. Sobrou um lugar do outro lado da sala de aula, bem no meio de três figuras lendárias da cidade. Para um piá de prédio, patologicamente tímido, vindo de um colégio de filhinhos de papai, sentar no meio daqueles caras era a pior coisa que poderia acontecer. Ou melhor dizendo, tinha uma coisa pior. Quando o professor fechou a porta e iniciou as apresentações, sua primeira atitude foi “congelar” os lugares. Isso significa que eu ficaria sentado ali, no meio dos três bandidos, o ano todo. Fodeu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A aula começou, um dos três puxou papo, os outros foram se apresentando e, no final das contas, os bandidos não eram assim tão sanguinários. Isso foi há quase 22 anos, e no resumo do resumo, foi com esse povo que matei a primeira aula, bebi o primeiro garrafão de vinho Campo Largo, aprendi a tocar violão, fui à minha primeira festa cool (na Rua Lopes Trovão, nunca vou esquecer o endereço), tive minha primeira discussão existencial profunda, descobri que rock era mais do que Pink Floyd e Engenheiros do Hawaii, levei a primeira batida da polícia, fiz minha primeira música, gravamos nosso primeiro CD e assim por diante. São meus melhores amigos até hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesses 22 anos, aconteceu de tudo. Ficamos velhos, pelo menos se comparados ao dia em que meu velho perdeu a hora. Alguns casaram, outros ainda não. Alguns tiveram filhos, outros ainda não. Todos se formaram em alguma coisa. Tivemos brigas sérias que acabaram nos afastando um pouco, mais uns do que outros, mas o sentimento de que ali tinha algo de especial continua forte em todos nós. O mais legal é que não existem tentativas patéticas de reviver o que já se foi (apesar da vontade ser grande em alguns momentos).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tinha decidido nunca escrever esta história, por mais resumida que fosse, por pelo menos dois motivos. Um, ela só interessa a mim e a todos os que a vivenciaram. Dois, ela é sentimental demais, e por melhor que eu a escrevesse nunca refletiria o que ela significou de verdade na vida de todos nós. O problema é que ontem mais um de nós casou, com uma das nossas, e a festa estava muito alto astral, e fizeram um vídeo da história deles, que é quase a nossa história, e mais do que isso, todos estavam lá. TODOS.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu passei a festa toda com meu pequeno no colo, super manhoso porque estava estranhando aquele povaréu, e não consegui evitar o pensamento de que talvez eu esteja criando um piá de prédio tímido como eu era antes de conhecer aquela gente. Acho que não, ele é apenas um neném de pouco mais de ano e meio, mas se um dia eu perceber que esse é o caso, abolirei em um decreto irrevogável todos os despertadores da casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7581957901809056318?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7581957901809056318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7581957901809056318&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7581957901809056318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7581957901809056318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/11/despertadores.html' title='Despertadores'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2169636807235605367</id><published>2010-10-31T08:09:00.000-02:00</published><updated>2010-10-31T08:09:03.000-02:00</updated><title type='text'>7 Canções e 1 Ilha Deserta - Ensaio II - Preaching the End of the World</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando os acordes de Smeels Like Teen Spirit voltaram as atenções do mundo para Seattle, o rock estava salvo de mais uma de suas mortes anunciadas. O termo grunge já estava sendo usado para definir o “som de Seattle” muito antes do hino do Nirvana explodir em repetidas aparições na MTV, mas foi à partir deste momento que este novo gênero musical – que na verdade de novo não tinha nada, a não ser pela habilidade de trazer para o indie rock elementos do punk e do metal – ganhou o mainstream. Além de grandes bandas e excelentes canções, o pessoal do coturno, calças jeans rasgadas no joelho e camisas de flanela xadrez tipo lenhador deixou um legado menos comentado ao longo dos anos. Surgiram daquelas terras frias e chuvosas alguns dos melhores vocalistas de rock dos nossos tempos. Eddie Vedder, do Pearl Jam, é o mais óbvio e menos unanime de todos, mas outros dois, Mark Lanegan e Chris Cornell, são o que de melhor surgiu em Seattle em termos de gogó.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lanegan nos emociona com seu vozeirão grave e triste, curtido em litros de uísque e maços de cigarro. Soltou canções inacreditáveis com seu Screaming Trees e em alguns de seus irregulares álbuns solo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Igualmente irregulares – e na fase pós-Audioslave até mesmo desastrosos – são os álbuns que Chris Cornell fez sem o Soundgarden, uma das melhores bandas da cena grunge. Porém, em seu primeiro álbum solo, Euphoria Morning – único da entressafra entre o final do Soundgarden e a criação do Audioslave – está uma de suas melhores canções. Preaching the End of the World ocupa a terceira posição da bolachinha e é uma das mais belas canções já escritas sobre o fim dos tempos. Uma balada na medida para o alcance vocal de Cornell, que parece ilimitado, sobre o fim do mundo. Nada mais nada menos. Depois da avalanche de cenas de fim de mundo embutidas em nossas cabeças pelos inúmeros filmes do gênero, que de tempos em tempos pipocam dos porões de Hollywood, não era de se esperar que a exploração deste tema trouxesse algo novo, com o frescor que somente as grandes canções oferecem. Pois bem, Cornell conseguiu. O que ele fez foi trazer para o tema uma simplicidade cotidiana e uma paz de espírito ao mesmo tempo reconfortante e assustadora. No final das contas, ele só quer alguém para passar os últimos minutos juntos. Sem frescura, sem jogos psicológicos, sem surpresas. Afinal, “It’s just the end of the world. &lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US;"&gt;You need a friend in the world, ‘cause you can’t hide.” &lt;/span&gt;Touché!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Toda vez que escuto esta música tenho vontade de bater no peito e dizer “OK, pode mandar essa bomba aí. Mira bem para cair exatamente aqui em cima de casa que eu estou pouco me lixando”. A vontade passa rápido, mas Preaching the End of the World durará ainda por muito tempo na minha lista de preferidas. Quem sabe, até o fim dos tempos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2169636807235605367?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2169636807235605367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2169636807235605367&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2169636807235605367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2169636807235605367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/10/7-cancoes-e-1-ilha-deserta-ensaio-ii.html' title='7 Canções e 1 Ilha Deserta - Ensaio II - Preaching the End of the World'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4595010313906217843</id><published>2010-10-31T08:02:00.002-02:00</published><updated>2010-10-31T08:04:40.078-02:00</updated><title type='text'>7 Canções e 1 Ilha Deserta - Ensaio I - Black</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Black é uma balada descomunal. Umas das últimas grandes do rock. Lançada no início dos anos 90, localizada no meio do “classic album” Ten do Pearl Jam, é uma música que fala sobre a dor de não poder ter quem você ama. Tema adolescente – ou pelo menos gosto de pensar assim – retratado de forma adulta e sensível. A música acompanha as letras nesta dicotomia. Forte e decidia, é ao mesmo tempo chorosa e cheia de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É a primeira – e uma das últimas – vez que o canto chorado de Eddie Veder soa autentico e emocionante. Como sempre com as letras dele, fica difícil saber exatamente sobre o que está cantando, bem como entender todas as palavras, mas isso não importa muito. Você sente que é real. Nas primeiras versões ao vivo da música, lá pelo final, quando a guitarra já está arrematando a cancão, um “We belong togheter” surge repetidamente, em tom de desespero. A letra original não tem esta parte. Adoro estas versões justamente porque este desespero final manda às favas toda a poesia e a fake-maturidade do resto da música. É como se ele estivesse dizendo “Ah, sabe do que? Foda-se isso tudo. Volta prá mim peamordedeus.” Muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;Poética ou literal, forte ou melosa, sincera ou fabricada, black é uma balada daquelas. De fazer você querer tirar uma casquinha com sua ficada/namorada/noiva/esposa/... enquanto cantam juntos o tchururu do final. E é isso o que importa no final das contas. É para isso que o rock – e especialmente suas baladas – existem. Fica apenas a pergunta: por onde andam as grandes baladas do rock?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4595010313906217843?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4595010313906217843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4595010313906217843&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4595010313906217843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4595010313906217843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/10/7-cancoes-e-1-ilha-deserta-ensaio-i.html' title='7 Canções e 1 Ilha Deserta - Ensaio I - Black'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-963186192401037976</id><published>2010-09-24T18:46:00.000-03:00</published><updated>2010-09-24T18:46:09.678-03:00</updated><title type='text'>Vale a primeira frase</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Tudo depende da primeira frase. Você tem que pensar primeiro no final da história, depois desenvolve o resto. Escreva a primeira versão com o coração, depois a revise com o cérebro. Crie uma rotina e escreva todos os dias, pelo menos uma frase por dia. Você deve criar um perfil detalhado de cada personagem, escrever um ensaio sobre cada um deles. Já tentou usar o mind map para criar a história? E o método Snow Flake?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se você, como é o meu caso, está na batalha para escrever seu primeiro livro, é inevitável topar com um ou mais dos conselhos acima. Para começar a história, se “tudo depende da primeira frase”, para que perder tempo com o resto? Faz a primeira frase e a publica. Pronto! O Millôr já sacou este lance há muito tempo. Outra, se “tudo depende da primeira frase” e você, teimoso que é, insiste em escrever o livro inteiro, por que preocupar-se com as outras dicas? A primeira frase já resolveu o negócio, o resto serve apenas para que o teu ego pare de te aporrinhar por uns dias e para contribuir com o desmatamento (caso te publiquem, é claro, o que a esta altura está ficando cada vez mais difícil).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ah, os conselhos! Dizem que se fossem bons, ninguém os daria. Eu digo que se tivessem à venda, ninguém os compraria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas tudo bem. No desespero, já tentei aplicar todos eles (menos esse negócio de Snow Flake, que para mim tem cheiro de culto religioso). Se não serviram para muita coisa, pelo menos me fizeram escrever mais ainda, o que para mim está ótimo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O livro continua devagar. O blog, a julgar pela sua audiência, também. Mas a primeira frase está lá. E é ela que vale.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-963186192401037976?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/963186192401037976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=963186192401037976&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/963186192401037976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/963186192401037976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/09/vale-primeira-frase.html' title='Vale a primeira frase'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8359903990435485243</id><published>2010-08-14T09:37:00.000-03:00</published><updated>2010-08-14T09:37:37.327-03:00</updated><title type='text'>4 Ds</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Didi, Dodô, Dadá, Dedé e Dudu, ninguém acredita, eram melhores amigos no colégio. Viviam discutindo sobre o que fariam no futuro. Menos o Dudu, ou Carlos Eduardo, como sua mãe tinha escolhido. Didi e Dedé queriam montar um time de futebol, Dodô e Dadá queriam lançar uma revista de piadas. Nem tudo é tão óbvio quanto parece. Dudu queria fumar maconha. A discussão foi acalorada e levou horas. Dudu não abriu a boca, mas ganhou a discussão quando acendeu o primeiro baseado, artesanalmente enrolado enquanto os outros quatro discutiam. Isso foi alguns anos antes de Didi, Dodô, Dadá e Dedé se tornarem (ou voltarem a ser) Alexandre, Oswaldo, Rivadávia e André. Dudu continuaria sendo Dudu por mais um tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando a maconha passou de hobbie para um negócio mais sério, Dudu do Bequi (um dos 36 apelidos do Carlos Eduardo, ou 35 de Dudu dependendo da perspectiva), as encrencas começaram a aparecer. E ele era sempre socorrido pelos outros quatro, agora sócios em uma firma de advocacia, depois que descobriram que não sabiam jogar bola e que a primeira edição da “Chorar de Rir” vendeu apenas oito exemplares, cumprindo apenas a primeira parte do que o nome prometia. Por mais reuniões que fizessem no Bar do Jango para convencer o amigo a largar o negócio, Pacau (outra variação do Dudu) não desistia. Até mesmo porque, a esta altura do campeonato, estava mais rico do que os quatro juntos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Falaram que se ele não parasse, iriam parar de defendê-lo. Falaram isso umas 7 vezes até cumprirem a promessa. Bob Marley (faltam só 32 apelidos agora, mas a história acaba antes disso, não preocupa) não se abalou, achou outros advogados com ainda menos escrúpulos, e tocou a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um dia Dodô, quer dizer, Oswaldo entrou gritando no escritório com o jornal na mão. Era algum tipo de vingança por uma discussão sobre quem era o dono de alguns pontos de venda. Carlos Eduardo foi pro vinagre. Seu enterro estava lotado. Bandido tem mais amigos do que se pode imaginar. Sua mãe estava lá, os quatro DDs também. Houve um princípio de confusão quando cada pequeno grupo de presentes começou a lamentar por um Carlos Eduardo diferente. Dedé, Dada, Didi e Dodô acalmaram os ânimos. Sabiam que, não interessa o nome, na origem todos são iguais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8359903990435485243?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8359903990435485243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8359903990435485243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8359903990435485243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8359903990435485243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/08/4-ds.html' title='4 Ds'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5604706411510219676</id><published>2010-07-24T06:57:00.000-03:00</published><updated>2010-07-24T06:57:18.753-03:00</updated><title type='text'>Dionatan</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Oi, meu nome é Dionatan. Minha mãe diz que tirou ele de um programa antigo de televisão. Deve ser do mesmo programa que ela tirou o nome da minha irmã, Dieniffer. Vai saber, minha mãe não é muito normal. Eu tenho onze anos, e quando tinha nove ganhei este computador do meu pai, que ele comprou parcelado em 24 vezes nas Casas Bahia. Meu pai diz que eu sou a esperança da família.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu já tenho 359 amigos no Orkut, 225 no Facebook e 130 seguidores no Twitter. Estou começando a montar um perfil no MySpace para minha banda &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;The Subtitles&lt;/i&gt;. O tio de um amigo meu do Orkut que inventou esse nome, mas eu nem sei o que significa. Também não tem problema, a banda ainda nem existe mesmo. Na verdade eu nem conheço esse meu amigo ainda, mas ele é muito amigo mesmo, do peito como diria meu pai. O zuzu99 é muito legal. Ele vai ser o baterista da banda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acho que a última vez que vi minha irmã foi no Domingo passado, o que não quer dizer nada, pois nos falamos todos os dias pelo Messenger. Ela também tem um computador no quarto dela. O computador dela é pior do que o meu, pois ela não é a esperança da família como eu. Pelo menos o pai nunca falou nada dela. Eu adoro minha irmã.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outro dia, alguém me mandou um e-mail com umas fotos esquisitas. Achei melhor não contar pro pai, pois ele poderia ficar brabo comigo. Apaguei o e-mail, mas guardei as fotos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha mãe falou que uma criança da minha idade não pode ter problemas. Primeiro que eu não sou criança. Já tenho onze anos, o que significa que sou pré-adolescente. Em segundo lugar, eu tenho um problema sim. Não quero mais ir para a escola. Prá que? Tudo o que eu preciso está aqui mesmo. Meus amigos, minhas músicas, meus vídeos. E posso aprender qualquer coisa no Wikipedia, sem precisar ir até a escola. Além do mais, aqui é bem mais seguro. Volta e meia, quando saímos cedo para ir à aula, temos que voltar, pois a polícia está subindo o morro e a situação fica complicada. Esses dias um menino da minha idade morreu por uma bala perdida em uma escola não muito longe da minha. Eu li na internet.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meu sonho é terminar meus estudos por aqui mesmo, casar-me com a •°°• Dafny •°°•, que eu conheço do Orkut, e por quem sou apaixonado, abrir minha própria empresa online e ir morar em Bali, que eu não sei direito onde fica, mas um monte de gente do Facebook diz que é bem legal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas se não der certo, também não tem problema, essa história de ser a esperança da família é um pouco complicada. Digitei esperança e depois família no Google e só apareceram uns negócios de igreja e tal. Eu hein!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5604706411510219676?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5604706411510219676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5604706411510219676&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5604706411510219676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5604706411510219676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/07/dionatan.html' title='Dionatan'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7945848869913385344</id><published>2010-06-06T21:13:00.002-03:00</published><updated>2010-06-06T21:13:43.654-03:00</updated><title type='text'>E se a banana estiver muito quente?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Levei mais de meia hora para dar café-da-manhã para o pequeno. Por café-da-manhã entenda-se uma banana cortada em rodelas finas. Minha esposa dormia, aproveitando o final de semana para recuperar um pouco do sono, artigo raro em casa ultimamente. Em um misto de instinto paternal e falta do que fazer com o neném, resolvi ensiná-lo a comer sozinho. Peguei duas colheres de borracha, destas que mudam de cor de acordo com a temperatura – como se a banana, tirada diretamente do cacho, oferecesse algum perigo térmico – dei uma para ele, e começamos a lição. Eu pegava uma rodela de banana, colocava com a minha colherinha na colherinha dele, dava uma amassada para grudar bem, segurava a mãozinha dele e conduzia a colherinha até a sua boca. Depois da terceira colherada me peguei falando “É isso aí filhão, já está comendo como gente grande”. Mal terminei de falar, lembrei de quantas vezes ouvi outros pais falando esse tipo de coisas, antes de eu ter meu filho, e achando isso ridículo. Eu era o ridículo. O que é que eu esperava afinal? Que o pai (ou a mãe) virasse para o filho e falasse “Tudo bem filho, acertou a boquinha, mas sejamos honestos, o papai ajudou né? E bastante! De verdade, não estamos vendo muito progresso por aqui. Esta é a boca, essa aqui é a orelha. Na orelha não vai comida! O papai já te ensinou isso, qual é o teu problema?” Um pai que mereça este nome nunca falaria dessa maneira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Correu tudo bem. O café-da-manhã foi um sucesso, minha esposa acordou, ganhei um elogio e um beijo extra por já ter alimentado o pequeno sem deixar a sala inabitável e saímos para o Sábado frio, ensolarado e aconchegante de Curitiba. É difícil, vou confessar, mas tem dado certo esse negócio de ser pai. Vou seguindo meus instintos e tudo acaba bem. Veja esse lance de usar a colher que muda de cor com a temperatura, quem é que teria pensado nisso para dar banana no café-da-manhã para o filho? Eu sei, genial!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7945848869913385344?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7945848869913385344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7945848869913385344&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7945848869913385344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7945848869913385344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/06/e-se-banana-estiver-muito-quente.html' title='E se a banana estiver muito quente?'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1841262386568935533</id><published>2010-05-22T07:46:00.000-03:00</published><updated>2010-05-22T07:46:54.109-03:00</updated><title type='text'>Processo vs Projeto</title><content type='html'>Normalmente o texto abaixo encaixaria muito melhor no blog&amp;nbsp;&lt;a href="http://vouestarexecutando.blogspot.com/"&gt;http://vouestarexecutando.blogspot.com&lt;/a&gt;. Mas se você ler o primeiro parágrafo rapidinho, sem dar muita bola, vai ver que não tinha como não colocar ele aqui também. Divirta-se:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Eu vivo tentando explicar a diferença entre Processos e Projetos. Para minha equipe, para as turmas do treinamento de Gestão por Processos que aplico, para colegas e para eu mesmo. A coisa ficou mais complicada ainda agora que as duas disciplinas estão sob o guarda-chuva de grandes associações, o PMI (&lt;i&gt;Project Management Institue&lt;/i&gt;) para a Gestão por Projetos e o ABPMP (&lt;i&gt;Association of Business Process Management Professionals&lt;/i&gt;) para a Gestão por Processos. As duas têm seus livros de referência, o PMBOK (&lt;i&gt;Project Management Body of Knowledge&lt;/i&gt;) e o BPM-CBOK (&lt;i&gt;Business Process Management Common Body of Knowledge&lt;/i&gt;) respectivamente, e as duas têm certificações profissionais respeitáveis, o PMP (&lt;i&gt;Project Management Professional&lt;/i&gt;) e o CBPP (&lt;i&gt;Certified Business Process Professional&lt;/i&gt;). Se os profissionais em geral já tinham a dificuldade natural de entender (e gerenciar) o que é Projeto e o que é Processo dentro de uma empresa, agora complicou de vez. Até a sopa de letrinhas descrita acima é parecida. Como estudei, me especializei e apliquei as duas (por necessidades diferentes em momentos de carreira diferentes), não pretendo largar o osso até que eu ache o exemplo perfeito, simples e autoexplicativo desta diferença. Não sei se vai ser desta vez, mas vamos lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Fui de férias com minha esposa e o neném para a praia de Bombinhas em Santa Catarina. Sempre que vamos até lá ficamos hospedados em uma pousada muito gostosa, na beira-mar, não muito perto do centrinho, mas perto o suficiente para não gastar 1 litro sequer de gasolina nos oito ou nove dias que geralmente ficamos por lá. Resumindo, o lugar ideal para nós. Pois é, desta vez tentamos inovar. O dinheiro andava curto com a chegada do neném e depois de muita pesquisa encontramos uma pousada bem na ponta da praia, quase no morro, por aproximadamente um terço do preço. Já ouviu a expressão “não existe almoço grátis”? Não criaram esta expressão a toa. Chegando lá percebemos a furada. O quarto que alugamos ficava a uns 200 metros da praia, no terceiro andar de um prédio sem elevador. Veja bem, carregar um neném de 12 quilos, que ainda não anda, por três lances de escada não é o fim do mundo. Carregar os 200 quilos de tralhas que um neném de 12 quilos precisa para viver feliz por três lances de escada, aí sim é de lascar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Calma que a diferença entre Projetos e Processos está chegando!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Assim que percebemos a burrada que tínhamos feito, corri no balcão da recepção da pousada para negociar. E aí começou o desalinhamento. Para a moça do balcão, minha estada na pousada é um Processo. Uma entre várias. Um ponto na curva estatística. Ela faz &lt;i&gt;check-ins&lt;/i&gt;, escuta reclamações, consegue travesseiro extra e faz &lt;i&gt;check-outs&lt;/i&gt; para dezenas de clientes todos os dias. Já para minha esposa, meu neném e eu, os oito dias na praia são um Projeto. Ocorre apenas uma vez no ano, tem data para iniciar e acabar, dinheiro contado e apenas uma chance de sucesso. Se falhar, corremos o risco de encenar uma cópia tupiniquim e piorada de um filme de Sessão da Tarde, daqueles do Chevy Chase. Quando a nada simpática moça do balcão falou que não devolveria o adiantamento que eu havia feito para os dias de nossa estada, eu já comecei a ver os créditos rolando na minha cabeça, “Férias Frustradas em Bombinhas”, estrelando minha pequena família e eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Esperneei, ameacei, fiz bico, mas no final das contas não teve jeito. O melhor que consegui foi transferir nossa reserva para o bloco da pousada que fica de frente para o mar, pelo mesmo preço daquela outra pousada, sem escadas, perto (mas não tão perto) do centrinho, que adoramos ficar. Mesmo assim com o “bônus” de ter que trocar de quarto duas vezes durante o período de estada. Sim, você leu direito, três quartos diferentes em oito dias de férias na praia. Com escada. Só que agora de frente para o mar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Todos os dias que eu passava na portaria da pousada, fazia uma cara de coitado para ver se pelo menos a desgraçada lembrava da nossa situação. Na verdade, duas horas depois do &lt;i&gt;check-in&lt;/i&gt; ela nem lembrava mais quem éramos. Eu subia a escada que leva do nível do mar à recepção bufando, pingando suor, com o neném em um braço tentando morder minha bochecha por causa do sal do mar e as bóias, o baldinho e a sacola de piscina no outro braço, quase caindo (o braço, não a sacola). Nada. Nenhum sinal de compaixão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;No final das contas, com recepcionista antipática, 12.935 degraus (subidos ou descidos), o mesmo gasto que tentáramos evitar, algumas gramas de sal surrupiadas das minhas bochechas pelo neném, vários litros de gasolina gastos e muitas risadas, curtimos as férias do mesmo jeito de sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Entretanto, essa experiência me fez refletir. Na verdade pouco importa a diferença acadêmica (ou até prática) entre Projetos e Processos. O que interessa é que todo Processo, seja ele industrial ou de serviços, entrega um produto que toca diretamente o Projeto de vida de alguém. A recepção de uma pousada, uma consulta médica, a produção de veículos em uma montadora, seja o que for, controlamos por estatísticas o que é pontual e de extrema importância para ‘aquele’ cliente. Se a gestão de sua empresa é feita da maneira tradicional, qual seja, organogramicamente, por processos, por projetos ou matricialmente, tanto faz. O que interessa é que o produto dela (no caso das B2C) ou o produto final da cadeia de valor (no caso das B2B), geralmente é parte importante do Projeto de vida de alguém. E eu garanto, se você não perceber isso, esse alguém nunca mais põe os pés na sua pousada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1841262386568935533?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1841262386568935533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1841262386568935533&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1841262386568935533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1841262386568935533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/05/processo-vs-projeto.html' title='Processo vs Projeto'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3005882758858381431</id><published>2010-05-16T18:40:00.005-03:00</published><updated>2010-09-29T19:51:32.431-03:00</updated><title type='text'>Talvez uma nova canção</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;It was supposed to be nice and easy. Something natural which flows&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Now it looks like war. Guilt and sorrow prevails. What about that?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Peace and respect were easy when I didn’t think for myself. So for the old time sakes, please tell me what to think!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;To have people of my own, with our own agenda and will, seems to offend you.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;I thought I was meant to be free, how can that be?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Above all, I thought we were supposed to be friends, no matter what. Let’s just say this is not the way things are just now.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Feel the pressure, feel the pain, feel the sadness that comes from unspoken words which are said anyway.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;In the end, we are all trying to do the best and to be the best. So why am I in suffer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Of all possible crises in life, this is one I never saw coming.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Not saying it is a hopeless situation, just don’t feel hopeful right now. April is gone, but its bluesy air remains.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3005882758858381431?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3005882758858381431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3005882758858381431&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3005882758858381431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3005882758858381431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/05/talvez-uma-nova-cancao.html' title='Talvez uma nova canção'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4897484248254729272</id><published>2010-05-02T10:56:00.000-03:00</published><updated>2010-05-02T10:56:05.780-03:00</updated><title type='text'>Das fraquezas da globalização</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nasci Brasileiro no interior do Paraná, filho de pais Brasileiros, mas neto de árabes. Uma avó de família Libanesa, outra nascida no Cairo. Os dois avôs da mesma cidade na Síria, mas que acabaram se conhecendo somente por aqui. Dizem que o sobrenome de um deles (o Nastás) é na verdade Grego, vai saber. Minha esposa também é Brasileira, só que neta de Italianos (dos dois lados). Meu filho é Curitibano e tem o olho um pouco puxado e os cabelos loiros (não vamos explorar isso agora). Ele adora &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Backyardigans&lt;/i&gt;, que é uma animação Canadense. Minha comida preferida é o bacalhau à Portuguesa – sem contar a comida árabe, é claro, mas a árabe para mim é comida da avó e isso fica sempre de fora dos rankings. Um dos meus escritores preferidos também é Portugês (o Saramago), mas o outro é Colombiano (Gabriel Garcia Márquez). Das minhas três bandas de rock favoritas, duas são Americanas e uma é Inglesa (Pink Floyd). Entre meus dez filmes preferidos está um Mexicano (O labirinto do Fauno). Trabalho na Renault, uma empresa Francesa, associada a uma outra Japonesa (a Nissan) e que começou um novo namoro com uma Alemã (a Daimler) para a qual já trabalhei em outros tempos. Minha missão na Renault é ajudar minha equipe a entregar peças boas e na hora certa para clientes Argentinos, Colombianos, Mexicanos, Franceses, Romenos e Sul Africanos. Sendo que da África do Sul (e aqui coloco em risco meu emprego em uma empresa Francesa) vêm meus vinhos preferidos (Pinot Noir). Na faculdade de engenharia, os dois colegas com os quais eu mais circulava eram Judeu um (o Isar) e Alemão outro (o Audreyn, cujo apelido era Alemão – criatividade nunca foi o nosso forte). É isso mesmo, um Árabe, um Judeu e um Alemão. Geralmente estudávamos na casa do Isar, coisa que deixava a família dele perplexa. Meu irmão do meio casou com uma Polaca e o mais novo vai casar com uma descendente de Iranianos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com todo esse &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;background&lt;/i&gt; internacional e a tolerância que dele deveria ter sido desenvolvida, me assusto ao pensar na minha reação se der Brasil e Argentina na final da Copa do Mundo da África do Sul. Se isto acontecer, vou ter que consultar meu avô para relembrar alguns palavrões em Árabe. Nada pessoal, é que o futebol (que surgiu na Inglaterra como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Association Football&lt;/i&gt;, ou sua versão mais curta, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Soccer&lt;/i&gt;) nos desperta instintos primitivos, de um tempo onde a globalização ainda não tinha sido inventada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4897484248254729272?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4897484248254729272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4897484248254729272&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4897484248254729272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4897484248254729272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/05/das-fraquezas-da-globalizacao.html' title='Das fraquezas da globalização'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6062586367611393814</id><published>2010-04-22T21:19:00.002-03:00</published><updated>2010-04-24T07:24:30.879-03:00</updated><title type='text'>Da brevidade dos encontros</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cuidar de um neném em casal lembra em muito uma corrida de revezamento. Sabe aquelas que a gente só assiste nas olimpíadas, onde quatro atletas se revezam em não sei quantos metros de corrida, passando o bastão para oficializar a troca de corredor? Essa mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A grande diferença é que na corrida (ou correria) da paternidade, ao invés de passar o bastão, você passa o neném. Tipo “toma que filho é teu” mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Benhê, pega ele agora um pouquinho para eu tomar uma ducha rápida. Não vou nem lavar cabelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Tá bom, mas antes fique com ele mais um pouco para eu escovar os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vinte ou vinte e cinco minutos depois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Agora fica com ele um pouquinho para eu trocar a lâmpada da sala.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Me dá, mas depois preciso preparar a jantinha dele e você olha. Daí eu dou a janta enquanto você vai relaxar um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Legal. Quando terminar a janta eu troco a fralda e você vai ver a novela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Te amo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E assim o tempo vai passando. Os raros diálogos, os momentos de verdadeira conexão conjugal (não estou falando de sexo, que fique claro), ocorrem exatamente durante o revezamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Oi querida, me dá ele um pouco para você fazer as compras de mercado na internet. Hoje à noite, quando ele dormir, você não escapa hein?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- É mesmo, faz tempo né? Pega ele então, depois eu fico com ele para você fazer a mamadeira da noite. Como estão as coisas no trabalho?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Tudo bem, tranquilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Que bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E assim, de passagem em passagem, vai-se colocando a conversa em dia. As coisas importantes vão sendo decididas. No finalzinho do dia, quase na hora de dormir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Amor, fica com ele um pouco agora, vou tentar escrever alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Ah, pode deixar. Sobre o que você vai escrever hoje?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sei lá, vamos ver o que aparece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6062586367611393814?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6062586367611393814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6062586367611393814&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6062586367611393814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6062586367611393814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/04/da-brevidade-dos-encontros.html' title='Da brevidade dos encontros'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5505289204035673225</id><published>2010-03-20T23:43:00.003-03:00</published><updated>2010-03-21T08:26:03.743-03:00</updated><title type='text'>Seagazer</title><content type='html'>Como ser humano assumida e eternamente perplexo com a grandeza e as maravilhas do oceano, sempre percebo quando estou diante de um semelhante. Nós, os &lt;em&gt;Seagazers&lt;/em&gt;, somos facilmente reconhecíveis. É só prestar atenção aos braços largados ao lado do corpo (ou as mãos dadas atrás das costas, uma variação que, à exceção do físico prejudicado e do fato de não usarmos sungas vermelhas, pode faze-lo nos confundir com salva-vidas prontos para a ação), ao olhar fixo no horizonte oceânico, às pernas um pouco espaçadas e a uma leve inclinação a sair nadando até desaparecer. No meu caso específico – pois não sou um porta-voz da nossa espécie, ou algo do tipo – se tiver um par de fones brancos no ouvido, com, por exemplo, &lt;em&gt;Stargazer&lt;/em&gt; (um tipo mais conhecido mas não menos esquisito de &lt;em&gt;Gazer&lt;/em&gt;) do &lt;em&gt;Mother Love Bone&lt;/em&gt; tocando, ainda melhor. Pode ser também a &lt;em&gt;Oceans&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;Pearl Jam&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, curtindo o último dia de férias na praia, descobri um novo membro do nosso seleto grupo de lunáticos. Meu filho. Ele tem apenas um ano de idade, conheceu o mar há menos de uma semana e já é um dos nossos. É a primeira vez que pude presenciar o exato momento da descoberta. A hora da perdição. Afinal, ele estava no meu colo. Posso jurar por Nemo – não o peixe simpático da animação, mas o Capitão de Júlio Verne – que ele largou os bracinhos ao lado do corpo, fixou o olhar onde o mar encontra o céu e ficou hipnotizado. Alguns momentos depois, começou a se jogar em direção ao mar, como se estivesse me convidando a ir junto, encontrar nosso destino, agora ainda mais compartihado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu nunca negaria um pedido do meu filho. Entrei com ele no colo até passar a arrebentação – que em Bombinhas quase não merece esse nome, pois é feita de apenas uma mirradinha onda por vez – nos encaramos com cumplicidade, ele ficou lambendo o pouco de água salgada que espirrou em seu rosto e voltamos. O padre vai ter que me desculpar, mas agora sim posso dizer que ele foi batizado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5505289204035673225?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5505289204035673225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5505289204035673225&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5505289204035673225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5505289204035673225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/03/seagazer.html' title='Seagazer'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5366165012080404096</id><published>2010-03-01T23:24:00.000-03:00</published><updated>2010-03-01T23:24:17.160-03:00</updated><title type='text'>O Livro</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu era muito pequeno quando plantei uma árvore. Sei lá, devia ter uns cinco anos. Não era tão fácil naquela epoca – início dos anos oitenta – ter consciência ecológica como é hoje. Ainda mais para uma criança de cinco anos de idade. Lembro que foi complicado. A escola nos colocou em um ônibus – eu, minha turma e todo o resto dos estudantes – nos levou até algum lugar ao ar livre, nos deu uma pá já cheia de terra e nos indicou o buraco que deveríamos tapar (que já estava com a muda de eucalipto devidamente posicionada). Trabalho duro, mas que sem dúvida está ajudando a salvar nosso planeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fazer o filho, por outro lado, foi bem mais tranquilo. Eu diria até que foi muito bom. Cuidar dele é que não está sendo tão fácil, mas um ano depois posso dizer que está tudo sob controle. Além do mais, basta um pingo de baba direto no teu olho enquanto você brinca de nave espacial com ele para saber que vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Resta então o livro. Andei fazendo algumas consultas, inclusive à minha própria consciência, e parece que lançar um livro de crônicas e contos, já escritos há algum tempo e publicados por aqui, não conta. Sendo assim, já comecei a escrever meu “livro de verdade”. Com o título provisório “Sete canções e uma ilha deserta” – que deve mudar algumas vezes durante o processo de criação e voltar a este título no final das contas – ele deverá consumir boa parte da minha energia literária o que, no final das contas, vai fazer com que a frequencia de publicação de novidades por aqui fique muito menor (já não está grandes coisas, imagine).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No final das contas é isso. Todo esse blá blá apenas para dizer que estarei meio ausente. Não completamente, nunca se sabe. Mas se acontecer, pelo menos já dei a desculpa. E tem gente que diz que não sou proativo, onde já se viu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5366165012080404096?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5366165012080404096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5366165012080404096&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5366165012080404096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5366165012080404096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/03/o-livro.html' title='O Livro'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8011222559157619358</id><published>2010-02-20T07:54:00.003-02:00</published><updated>2010-02-20T07:55:33.391-02:00</updated><title type='text'>Sobre a importância de não estar pronto</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nosso pequeno acaba de completar um ano. Enquanto ele era apenas um projeto, uma pergunta que sempre nos fazíamos era a clássica “Será que estamos prontos?” Mal sabíamos que a resposta a esta pergunta é e sempre será “não”. Ninguém nunca está pronto para ser pai ou mãe. Que bom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Do alto da minha profunda experiência de quem está a um ano inteirinho nesse negócio, posso dizer com tranquilidade que os melhores, mais divertidos e mais emocionantes momentos até agora foram aqueles para os quais eu não estava nem um pouco pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sem exemplos ninguém vai acreditar em mim. Lembro do dia em que estava saindo o terceiro dente do pequeno. Foi uma comoção. Desde quando dente ficou importante? Até hoje eu só lembrava deles no dentista, ou quando sonhava que estavam caindo. Agora, cada um que nasce é uma festa. Tadinho, ele deve olhar para nós e pensar “Qual é a desse povo cheio de dentes? Quem quer saber desse negócio? Pra que comemorar? Dói pra caramba para nascer e não servem pra muita coisa!” Acho que ele deve ter razão, eu tenho bem mais dentes do que ele e com certeza dou bem menos gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Falando em gargalhadas, esta é outra coisa para a qual ninguém está pronto. Quando eles começam a gargalhar, aparentemente sem motivo algum. Tem vezes que ele fica olhando para a gente só esperando qualquer movimento facial que se assemelhe a uma careta e se põe a gritar e gargalhar de um jeito que nenhum adulto é capaz. Não sei você, mas eu não estava pronto para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É claro, eu também não estava pronto para outras coisas nem tão boas assim, tipo não dormir uma noite inteira por um ano seguido, visitar o pronto socorro duas vezes no meio da noite, levar um esguicho de xixi na testa, e assim por diante. Mas essas coisas você já espera quando decide que vai ser pai. As surpresas boas é que são as maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outro dia o deixei sentado no chão da sala e quando chego para ver se está tudo bem o encontro de pé, agarrado ao sofá. Depois de 3 segundos congelado de pavor, fiz a festa com ele. Detalhe, ele ainda não engatinha (preguiçoso que é) e já está de pé, querendo andar. Ninguém nunca me contou que isto poderia acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Agora quando começarmos a planejar o próximo, vamos achar que já estamos prontos para sermos pais. Afinal, já o somos. Pobres criaturas iludidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8011222559157619358?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8011222559157619358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8011222559157619358&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8011222559157619358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8011222559157619358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/02/sobre-importancia-de-nao-estar-pronto.html' title='Sobre a importância de não estar pronto'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8088378804796129722</id><published>2010-01-08T18:45:00.000-02:00</published><updated>2010-01-08T18:45:22.042-02:00</updated><title type='text'>Quando os mestres não ajudaram</title><content type='html'>Que não faltasse grafite nem folhas em branco. Com uma paisagem daquelas, estava disposto a escrever até fazer calos nos dedos. Se fosse bem honesto, admitiria que a paisagem não era aquilo tudo. Sua vontade de encher páginas tinha mais que ver com seu estado de espírito, relaxado e satisfeito com o descanso daqueles dias de férias. Abriu uma lata de refrigerante, deu dois apertões na ponta de sua lapiseira, abriu seu Moleskini - presente de um grande amigo - na página 23 (tivera a paciência de numerar as páginas para facilitar futuras e incertas referências), respirou fundo e começou a escrever. Enrolou por algumas linhas, esperando a inspiração que não tardaria a dar as caras. Lembrou do Hemingway que acabara de ler, e da comovente luta entre amigos - o velho e o peixe. Confessou para sua própria consciência a preguiça que estava de começar seu primeiro Shakespeare, que aguardava com paciência britânica na fila da prateleira. Nenhum dos mestres ajudou, continuava sem ideias. Olhou à sua volta, talvez a ajuda viesse das coisas mais simples. Reparou em uma pomba, trabalhando firme na construção da futura moradia de seus filhotes, um pequeno galho por vez. Aproveitou para contar quantas diferentes espécies de pássaros circulavam por ali naquele momento - uma, apenas a pomba empenhada. Olhou as plantas no jardim e se lembrou de que não entende nada de plantas. Fazia um calor considerável àquela hora. A inspiração não vinha, continuou percorrendo o local com os olhos. Pingava de suor. O refrigerante terminara, a página 23 do caderno também, e ele continuava enrolando. Era uma questão de honra escrever pelo menos alguma coisa que prestasse. Viu o cachorro, que acabara de voltar do banho, correndo pelo jardim. Escutou seu filho gargalhando ao longe com alguma coisa da televisão. Nada. Mudou a cadeira de posição para ver se ajudava e avistou a piscina ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8088378804796129722?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8088378804796129722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8088378804796129722&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8088378804796129722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8088378804796129722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2010/01/quando-os-mestres-nao-ajudaram.html' title='Quando os mestres não ajudaram'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6306654133739043668</id><published>2009-12-14T22:29:00.003-02:00</published><updated>2009-12-14T22:29:47.317-02:00</updated><title type='text'>Até que a morte ...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fui bom enquanto durei. Mais oito páginas e eu acabaria o livro que estava lendo, mas não deu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela é muito diferente de como a descrevem por aí. Parece muito com um taxista gordo e tagarela que vai te conduzir através da cidade. Só que desta vez não era através da cidade. Como fiquei com medo de que meu enjôo de andar no banco de trás tivesse passado comigo desta para melhor (ou de pior para esta, sei lá como é que falam por aqui), sentei no banco da frente, ao lado da motorista. Sempre gostei de um bom papo com motoristas de táxi gordos e tagarelas, coisa que deixava minha esposa perplexa. E de saco cheio. Desta vez não foi diferente. E, acredite, a morte tem muita história para contar. Escutei pacientemente cada uma delas, fazendo todos os sons que indicassem interesse e compreensão. E as histórias duraram uma eternidade – sem gozação. Fiquei na dúvida se estava a caminho do inferno ou se já tinha chegado. Comecei a pensar se era possível morrer duas vezes. Se fosse me jogaria pela janela, ali mesmo, nem que ainda estivéssemos pelas redondezas do purgatório. Aguentei firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando já havia perdido minhas esperanças de ter um minuto de sossego da falação de meu algoz desembestado, ela me olhou, com aqueles olhos esbugalhados, e perguntou sobre o livro que eu estava lendo antes dela me pegar para dar uma volta. Uma lufada de esperança me atingiu em cheio e comecei a contar. O tempo sempre voa quando você está contando algo. Aparentemente não para o taxista gordo e tagarela, nossa infame motorista. Quem diria, eu nem tinha acabado de explicar o primeiro capítulo e ela já estava procurando um retorno. No meio do segundo, já estava chegando na terra. Antes de começar um relato detalhado do terceiro capítulo, ela estava me largando em casa. Como toda tagarela, não tinha nenhuma paciência para escutar. Eu que lesse as últimas oito páginas e esperasse para morrer no turno de outra. Antipática.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6306654133739043668?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6306654133739043668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6306654133739043668&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6306654133739043668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6306654133739043668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/12/ate-que-morte.html' title='Até que a morte ...'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3563142735226278225</id><published>2009-11-11T21:40:00.002-02:00</published><updated>2009-12-05T09:42:53.130-02:00</updated><title type='text'>Grande Dia</title><content type='html'>- Porra pai, prá que me acordar?&lt;br /&gt;- Eu não te acordei. Você acordou sozinho. A ninguém foi dado o poder de acordar pelo outro.&lt;br /&gt;- Não começa velho. Você abriu as janelas e ficou assoviando o hino à bandeira. Deixa eu dormir, por amor de deus, que ainda é cedo.&lt;br /&gt;- Você esqueceu que dia é hoje filho?&lt;br /&gt;- Estou tentando.&lt;br /&gt;- E tem outra, hoje você não escapa de cortar esse cabelo.&lt;br /&gt;- Que história é essa? Não vou cortar cabelo nenhum.&lt;br /&gt;- Aaaah, vai! Lembra aquela vez que chamei teu irmão e teu primo e te levamos à força? Quer repetir a dose?&lt;br /&gt;- Pai, eu tinha dezesseis anos naquela época. Aliás, nunca vou perdoar aquilo. Estava finalmente conseguindo ter a cabeleira que eu queria.&lt;br /&gt;- Aquele ninho de ratos? Nós te fizemos um favor.&lt;br /&gt;- Tá bom, tá legal. De qualquer maneira, sinto falta daquele tempo.&lt;br /&gt;- Nem me fale.&lt;br /&gt;- Lembra que ficávamos falando sobre a vida todas as tardes de Sábado?&lt;br /&gt;- E se lembro.&lt;br /&gt;- Como é que você agüentava um piá de dezesseis anos filosofando sobre a vida por horas a fio. Você devia me achar um ridículo.&lt;br /&gt;- Ridículo é você pensar isso. Eu achava o máximo. Meu filho virando homem. Pensando por si mesmo. Um cabeça de vento, é claro.&lt;br /&gt;- Há há, engraçadão.&lt;br /&gt;- Brincadeira. Escutar você me enchia de esperança. Pena que com o tempo a gente vai perdendo o brilho.&lt;br /&gt;- Olha aí, agora é você quem está filosofando.&lt;br /&gt;- Pois é, acho que quando a gente fica velho, as velhas manias voltam.&lt;br /&gt;- Você não é velho.&lt;br /&gt;- Claro que sou. E você acabou de me chamar de velho.&lt;br /&gt;- Força de expressão.&lt;br /&gt;- Sabe do que lembrei agora?&lt;br /&gt;- Hã.&lt;br /&gt;- Da tua primeira vez em um show de rock.&lt;br /&gt;- Ah não pai, esta história não.&lt;br /&gt;- Você pulando como um louco, abraçado com os amigos. Que banda era aquela mesmo?&lt;br /&gt;- Nem me lembro. Acho que era Barão, ou Titãs, sei lá. Alguma destas grandes daquela época.&lt;br /&gt;- Eu não entendia bem como você gostava daquele barulho ...&lt;br /&gt;- Ainda gosto.&lt;br /&gt;- ... mas ficava feliz de te ver feliz.&lt;br /&gt;- Pai.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;- Me leva cortar o cabelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3563142735226278225?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3563142735226278225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3563142735226278225&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3563142735226278225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3563142735226278225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/11/grande-dia.html' title='Grande Dia'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7246552038398421332</id><published>2009-11-09T06:22:00.000-02:00</published><updated>2009-11-09T06:22:32.385-02:00</updated><title type='text'>A música ou Sonho de adolescente</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A música que eu queria escrever poderia ser em português ou em inglês. Poderia ser também em japonês, italiano ou francês, seu eu conhecesse estes idiomas bem o suficiente para escrever a música que eu queria escrever. Não importa. A música que eu queria escrever teria que mudar o mundo. É eu sei, este é um sonho de adolescente, coisa de candidata a miss, que não combina com meus quase 35 anos de idade. Foda-se. Eu queria uma música que fizesse todo mundo pular, sair gritando pela casa, dançando da maneira mais idiota possível, mas decidido a viver melhor. Uma música emocionante como a melhor balada, forte como o mais agressivo heavy metal, profunda como a mais bem feita sinfonia, inteligente como um improviso de jazz, tocante como o blues e nem de perto parecida com o sertanejo, o axé ou o pagode. Uma música que fizesse esquecer-nos dos problemas e ajudasse a encontrarmos soluções. Uma que fizesse o ladrão devolver as jóias, e o dono das jóias as transformasse em comida para o vizinho. Que fizesse o soldado perder o emprego e feliz encontrasse outro. Que fizesse o jornal ficar mais fino, pelo menos nas sessões de notícias ruins, e que o menino não precisasse mais dele para se cobrir na rua fria, mesmo porque não estaria mais morando na rua. Enfim, uma música que, verdade verdadeira, mudasse o mundo. Para sempre. Acho que vai ser difícil, mas prometo morrer tentando. Tenho certeza de que ela ainda não existe, é só ler o jornal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7246552038398421332?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7246552038398421332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7246552038398421332&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7246552038398421332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7246552038398421332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/11/musica-ou-sonho-de-adolescente.html' title='A música ou Sonho de adolescente'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2690950615121658791</id><published>2009-11-01T08:36:00.003-02:00</published><updated>2009-11-01T08:37:03.664-02:00</updated><title type='text'>Por que carro?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque é a melhor maneira, e a mais confortável, de ir de “A” a “B”. Porque simboliza poder e dá status. Porque o vizinho tem. Porque sem carro não vou conseguir comer ninguém. Essas são apenas algumas das possíveis respostas à pergunta do nosso título. Entretanto, buscando uma boa razão para continuar trabalhando para a indústria automotiva (uma das grandes vilãs do momento), cheguei a uma conclusão diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com o tempo, possuir e guiar um veículo motorizado pode ganhar dimensões “mundanas” como as sugeridas no primeiro parágrafo. Mas no começo não. No começo tudo o que você quer é sentir que domina uma máquina complicada como o automóvel. Quer sentir que só depende do pé direito para sair voando por aí. Quer sentir o frio na espinha quando ultrapassar os 40 Km/h pela primeira vez, a máxima velocidade que já tinha conseguido com sua bicicleta, naquela descidona do seu bairro. É um desafio ao design original do nosso corpo em termos de reflexos, velocidade e força. Somos mais do que fomos projetados para ser dentro de um aparato que nós mesmos projetamos. O paradoxo. É isto que nos atrai no começo, não o “mundano”, mas o paradoxal. Como é que pode? Essa é a pergunta que tentamos responder com nossos próprios pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aos poucos, com o aprendizado consolidado e os movimentos automatizados, a razão inicial se perde. O trânsito, o preço da gasolina e os motoboys fazem você esquecer por que diabos queria tanto aprender a dirigir quando tinha 16 anos. Você começa a questionar suas posições. Pensa em largar o emprego, vender aquele bandido, assassino do meio ambiente, e criar uma comunidade alternativa. Talvez até mesmo perto daquela rua, com aquela descidona, no seu antigo bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando está andando até a mesa do chefe para anunciar que vai sair da empresa para criar a “Comunidade dos Odiadores de Automóveis”, lembra como tudo isto começou. Lembra da primeira bicicleta sem rodinhas, da rampa de skate que você construiu com compensado roubado de uma construção perto de casa, do carrinho de rolamentos que herdou de um tio que não tinha os dentes da frente e do frio na espinha quando estava aprendendo a dirigir, com seu pai ao lado e o resto da família rezando no banco de trás. Lembra que seu filho de 8 meses só relaxa e dorme quando está no carro e imagina o que ele está sentindo. Ou melhor, chega a lembrar da sensação. Neste momento você volta para a sua mesa, respira fundo, pega a chave do carro, senta-se ao volante, abre todas as janelas e sai para uma volta. Começa a pensar que os engenheiros, estas pessoas maravilhosas que adoram resolver problemas que não tínhamos antes, hão de encontrar uma maneira de termos estas sensações maravilhosas, sem destruir o planeta, sem enfrentarmos engarrafamentos e sem passar vontade de atropelar um motoboy por esquina. Eles hão de resolver mais este problema para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Está aí uma boa razão para continuar trabalhando na indústria automotiva. Quero continuar acompanhando, de dentro, a quantas anda este negócio. Caso contrário, vou ter muito que explicar para meu filho. E historicamente o povo da minha família não é fácil de dobrar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2690950615121658791?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2690950615121658791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2690950615121658791&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2690950615121658791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2690950615121658791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/11/por-que-carro.html' title='Por que carro?'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1404178419200372266</id><published>2009-10-22T16:17:00.001-02:00</published><updated>2009-10-22T16:18:56.374-02:00</updated><title type='text'>Amiga com um plus a mais adicional</title><content type='html'>Quando vejo minha esposa se transformando em 1000 para cuidar do nosso pequeno e percebo o prazer que ela sente ao fazê-lo, mesmo quando não sente mais as pernas e os braços, não sabe mais que dia da semana é e às vezes esquece meu nome, não consigo evitar de imaginar minha mãe cuidando de três pequenos ao mesmo tempo. Nos últimos dias tenho feito um enorme esforço mental para lembrar da minha "velha" naquela época, mas minha memória não me tem ajudado muito neste caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que tento, consigo lembrar apenas da amiga e ao invés da mãe. Lembro da amiga que me deu uma força enorme nos dias do vestibular para engenharia. Lembro da amiga e companheira de viagem, quando saí do país pela primeira vez, entrei num avião pela primeira vez e nos apavoramos juntos em uma aterrisagem acrobática em Nice pela primeira (e se Deus quiser última) vez. Da amiga que com muito tato me convenceu a telefonar para a garota pela qual nutri um amor platônico de quase um ano, e que acabou assim que desliguei o telefone. E que acompanha cada conquista minha e também cada percalço que encontro, com seu interesse genuíno, low-profile e confortante. Enfim, uma verdadeira amiga, cuja principal característica é a transparência. É praticamente impossível vê-la fingindo que gosta de alguém que de verdade não goste, ou vê-la tentando esvaziar um problema que todos sabem que está lá. Em um mundo onde tentamos ser quem não somos, ter uma amiga como esta é um baita privilégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ainda por cima ela é tua mãe e faz um bacalhau com ovos, batatas e azeitonas pretas de lamber os beiços, daí meu amigo leitor, não há competição. Lamento muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1404178419200372266?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1404178419200372266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1404178419200372266&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1404178419200372266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1404178419200372266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/10/amiga-com-um-plus-mais-adicional.html' title='Amiga com um plus a mais adicional'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3315024769678224020</id><published>2009-09-20T07:22:00.008-03:00</published><updated>2009-09-20T09:21:53.167-03:00</updated><title type='text'>A guerra de Carlão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: -18.0pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; - Mari, querida, a partir de hoje quero que você cozinhe o almoço todos os dias.&lt;br /&gt;- Tudo bem meu anjo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlão venceu batalha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;- E vê se aprende a temperar o feijão como a minha mãe. Seu tempero é muito exagerado.&lt;br /&gt;- OK.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-indent: -24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Carlão venceu batalha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;- E quero sexo todos os dias.&lt;br /&gt;- Tá bom. Se quiser posso trazer uma amiga de vez em quando para não ficar monótono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-indent: -24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Carlão venceu a batalha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;- Quarta-feira é dia de futebol, você sabe né? Quero salgadinho, cerveja gelada e que você pare com aquela história de fumódromo atrás da casinha do Bidu! Queremos fumar dentro de casa.&lt;br /&gt;- Que salgadinho você prefere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlão venceu a batalha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;- E também... Peraí. E também quero uma Harley com aquelas bolsas de couro nas laterais e guidão alto, tipo Easy Rider, e ...&lt;br /&gt;- Tá, agora chega. Carlão! Acorda meu bem, você está sonhando em voz alta de novo e vai acordar o neném.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-indent: -24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Carlão perdeu a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3315024769678224020?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3315024769678224020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3315024769678224020&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3315024769678224020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3315024769678224020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/09/guerra-de-carlao.html' title='A guerra de Carlão'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1181218546620431823</id><published>2009-09-19T07:06:00.009-03:00</published><updated>2009-09-19T07:11:03.356-03:00</updated><title type='text'>Muito Pior</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt: auto;"&gt;&lt;span lang="RU" style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Foi ao despontar do dia 09 de 09 de 09, um dia como outro qualquer, que Francis saiu de casa para trabalhar. Tinha que chegar cedo para resolver quatro ou cinco problemas que não resolveu ontem e que o impedirão de resolver os quatro ou cinco problemas de hoje, que ficarão para amanhã, quando terá que chegar cedo ao trabalho como todo dia. Estava pensando, desde o dia 08 de 08 de 08, a largar o emprego.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU" style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Chegou no escritório antes da tia do cafezinho, bateu a capa de chuva na parede e pendurou-a no cabideiro. Cumpriu o ritual de chegada e começou a ler as mensagens do correio eletrônico. Lá pela trigésima sétima mensagem, ainda muito antes dos ônibus despejarem as mais de mil pessoas que trabalhavam na sua unidade, escutou um ruído vindo do banheiro. Mais por preocupação do que por curiosidade, foi verificar. A cena foi tão chocante que passou o dia todo balbuciando para quem não quisesse ouvir "Não posso. Não posso pensar na cena que visualizei e que é real."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU" style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;As pessoas chegavam, ligavam suas máquinas, liam suas próprias mensagens atrasadas e o ignoravam. Ficou assim neste estado, balbuciando e sendo ignorado até o meio do dia, quando finalmente o colega da mesa ao lado resolveu perguntar, "que foi Francis, viu algum fantasma por acaso?"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt: auto;"&gt;&lt;span lang="RU" style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Pior. Muito pior. Estavam trocando o toalheiro por aquelas máquinas de secar as mãos. Agora era definitivo, pediria as contas hoje mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1181218546620431823?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1181218546620431823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1181218546620431823&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1181218546620431823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1181218546620431823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/09/muito-pior.html' title='Muito Pior'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7652126109118075670</id><published>2009-09-09T12:32:00.003-03:00</published><updated>2009-09-09T12:37:16.005-03:00</updated><title type='text'>Big Lula</title><content type='html'>Você já leu 1984, de George Orwell (na verdade Eric Arthur Blair disfarçado)? Em tempos de flertes exagerados com a censura, a estatização e a propaganda ininterrupta dos ganhos previstos pela Petrobrás com a descoberta de novos e gigantescos poços de petróleo, as semelhanças são incríveis. Ou melhor, críveis, mas preocupantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil poderia ser a Oceania ou qualquer outro dos três superestados intercontinentais criados por Orwell no romance. Lula, se não é o Big Brother, parece ter um aparato ao seu lado digno do temido irmão. E por fim, a Petrobrás. Uma empresa que quebra recorde atrás de recorde e é orgulho nacional, sendo utilizada para propaganda política de reforço do partido do Grande Irmão, com o único objetivo de esconder da sociedade os verdadeiros problemas e garantir a perpetuação no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós, somos quem? Winston Smith, obviamente. O personagem principal do romance, que se apaixona por Julia e se revolta contra o estado. Leva porrada até ser moldado e se conformar com a vida restrita de comida por cotas (este regime poderia ser chamado de bolsa alguma coisa, certo?), sexo apenas para reprodução (este problema não temos por aqui), linguagem curta e padronizada pelo estado e nenhuma liberdade de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns aspectos estamos longe deste extremo da distopia desenhada por Orwell em 1984. Mas que já levamos muita porrada e nos conformamos com a realidade absurda, isso sim. Só nos resta a Julia. E não adianta insistir que eu não troco Julia por Dilma. Nem que a vaca tussa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7652126109118075670?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7652126109118075670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7652126109118075670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7652126109118075670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7652126109118075670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/09/big-lula.html' title='Big Lula'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2374615009296514097</id><published>2009-08-22T21:20:00.003-03:00</published><updated>2009-08-30T21:44:02.260-03:00</updated><title type='text'>O nome do longo hiato</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Tenho agora algo em torno de doze leitores assíduos. É demais para a minha cabeça. Esse negócio está fugindo do controle. Antes eram apenas minha doce esposa, minha sogra, meu pai e meu irmão mais novo. Estava tudo sob controle. Agora que tem outros oito, me sinto na obrigação de justificar o longo hiato entre o último texto e este, e entre este e os próximos, que provavelmente será tão longo quanto. A justificativa tem seis meses, nove quilos, o primeiro dente e responde por filhão ou gorducho, só que deste último ele não gosta muito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;Falando nele, vai aí uma dica de veterano para aqueles que tem filhos de cinco, quatro, três, dois ou um mês, mais conhecidos como calouros. Tudo o que te disseram sobre os nenéns - perceba, eu não disse quase tudo, ou muito do que, ou a maioria, eu disse TUDO - é mentira ou não se aplicará ao seu. Só para dar um exemplo, um colega de trabalho me disse categoricamente que as cólicas, quando existem, acabam como que num passe de mágica no exato momento em que a pequena criatura completa três meses. Bom, ele nasceu no dia 18 de fevereiro - o neném, não o colega, que fique claro - perto das sete da manhã, o que significa que no dia 18 de maio, mais ou menos no mesmo horário, lá estava eu esperando para ver o milagre acontecer. Não me dei conta de que as cólicas dele só aconteciam entre sete e nove da noite, e que esperar ele acordar pela manhã não provaria nada. Ele acordou feliz, resmungando um pouquinho e sem dor. Estava comprovado. Meu colega tinha razão.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;Na mesma noite, depois de cinco gotas de Luftal, uma pequena dose de Tylenol Baby, sete sessões de bolsa d`água quente e de amortecer o braço segurando-o de barriga para baixo, amaldiçoei com cólicas eternas as próximas gerações do meu colega. Espero sinceramente que ele não seja um dos meus oito leitores não identificados.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2374615009296514097?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2374615009296514097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2374615009296514097&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2374615009296514097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2374615009296514097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/08/o-nome-do-longo-hiato_22.html' title='O nome do longo hiato'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3500750694177871725</id><published>2009-07-12T22:45:00.003-03:00</published><updated>2009-07-26T09:29:44.589-03:00</updated><title type='text'>João Badalhoca</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;João Badalhoca vivia pendurado.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Não era encrenca, mas estava encrencado.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Calhou certo dia ao olhar para o lado,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;cair de amores pela mulher do delegado.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;João Badalhoca, onde já se viu,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;brincando com a sorte, com a vida por um fio.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Foi ter com o padre a quem confessou,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;coisa séria meu pai, o homem já sabe quem sou.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;João Badalhoca e seu tiro certeiro,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;antes fosse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;pros&lt;/span&gt; lados da mulher do leiteiro.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Pobre do João, situação inefável,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;justo com o delegado e sua mulher &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;inflável&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3500750694177871725?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3500750694177871725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3500750694177871725&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3500750694177871725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3500750694177871725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/07/joao-badalhoca.html' title='João Badalhoca'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1014110357255509682</id><published>2009-07-11T08:19:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T08:22:18.681-03:00</updated><title type='text'>O negócio</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Assim como o lobisomem culpa a lua, mas não se prepara para o que já sabe que acontecerá, João culpava a má sorte, o governo e a situação no Oriente Médio pelo seu fracasso. Não conseguia entender como é que os pedidos não vinham. Sua ideia de vender &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;berinjela&lt;/span&gt; seca e salgada para o lanche de qualquer hora era genial. Não importava quantas vezes o haviam prevenido, era genial e pronto. Teimosia talvez fosse algo que João devesse prestar mais atenção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Depois de meses tentando e de ter entupido a família com o infame legume em todas as suas possíveis formas de apresentação, não tinha mais o que fazer com o estoque e com os equipamentos que havia comprado para seu novo e já fracassado negócio. Entrou no e-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Bay&lt;/span&gt; e pôs à venda 50 quilos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;berinjela&lt;/span&gt;, um forno industrial e uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;empacotadeira&lt;/span&gt;. Está claro que não vendeu as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;berinjelas&lt;/span&gt;, mas conseguiu um bom preço pelo resto. Outro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;gênio&lt;/span&gt; começaria seu próprio negócio, talvez agora com chuchu ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;abobrinhas&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Andava de um lado para outro, pensando em todos os detalhes do fracasso. Onde foi que tinha errado? Descobriu (ou determinou) que o problema eram os clientes, que ainda não estavam preparados para a novidade. A próxima investida teria que ser em algo mais tradicional, à prova da trivialidade da clientela. Chega de arriscar, o negócio é ganhar dinheiro. Pensou por dias, semanas, meses, até que chegou a uma conclusão.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt:auto"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Fez&lt;/span&gt; o plano de negócios, procurou fornecedores, comprou o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;maquinário&lt;/span&gt; e em pouco tempo reinaugurou seu negócio de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;berinjelas&lt;/span&gt;. Desta vez &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;emplacaria&lt;/span&gt;. As notícias não paravam de anunciar um novo processo de paz no Oriente Médio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1014110357255509682?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1014110357255509682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1014110357255509682&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1014110357255509682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1014110357255509682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/07/o-negocio.html' title='O negócio'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-9148040087823225615</id><published>2009-07-09T07:00:00.001-03:00</published><updated>2009-07-09T07:03:36.544-03:00</updated><title type='text'>O telefone tocou</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A lua, que estava pela metade, já ia alto ao céu quando o telefone tocou. Ele sabia que não deveria ser nada, pois todos que ele ama estavam ao alcance das suas mãos. Mesmo assim sua espinha gelou, reflexo de outros tempos. Atendeu por engano da curiosidade e se arrependeu. Do outro lado, um silêncio não identificado, como todo silêncio. Desligou desconfiado e esperou o telefone tocar novamente. Não tocou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Três dias depois, no mesmo horário, toca o telefone novamente. Tinha se esquecido de desligá-lo e, como curiosidade é seu ganha-pão, atendeu. Mais uma vez, o silêncio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;incômodo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Xingou e foi dormir. Sua mulher resmungou alguma coisa sem acordar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era professor e trabalhava em um laboratório da universidade. Nem ele sabia explicar direito o que estava pesquisando, mas era importante. Talvez para alguma outra geração. E tinha que ver com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;inteligência&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; artificial e modelos matemáticos complicados, que só uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;inteligência&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; humana superior poderia criar. Não se preocupava com este paradoxo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já faziam nove dias do último telefonema quando, no mesmíssimo aborrecido horário, o telefone tocou novamente. Começou a ficar preocupado. Sua mulher também. Preocupada e desconfiada. Foi trabalhar no horário de sempre e comentou com os colegas, que basicamente ignoraram o comentário. Estavam muito ocupados testando suas hipóteses científicas que um dia, se Deus quiser, servirão para alguma coisa. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Ué&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, quem foi que disse que cientista não acredita em Deus?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Três ou quatro dias se passaram até que ele pudesse dormir relaxado novamente. Sempre desconfiado, mas agora relaxado. A vida corria bem, sua pesquisa avançava a passos largos, tinha tido até tempo de tirar uns dias no litoral com a patroa quando, vinte e sete dias &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;exatos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; da última chamada &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;madrugueira&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; silenciosa, novamente o telefone tocou. Desta vez ele gritava com o aparelho, quem é você, o que quer de mim, fique longe da minha família seu desgraçado. Suava frio. Sua esposa estava começando a perder o controle. Chamou a polícia, que educadamente ignorou-o. Sabia que o telefone não tocaria no dia seguinte, mas não sabia quando voltaria a atormentá-lo. Não conseguia desligar o aparelho durante a noite, pois como já falamos, curiosidade, que é seu ganha-pão, é também agora seu tormento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saiu mais tarde para o trabalho desta vez. Uns vinte dias já iam da última ocorrência. Não dormia mais à noite, estava em um estado lastimável. Comia mal, tomava banho somente quando sua filha não queria mais chegar perto e os trabalhos de pesquisa não saiam do lugar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Parou para tomar um café na padaria da esquina quando a ficha caiu. Três, nove, vinte e sete, os telefonemas vinham em progressão geométrica de três. Quando chegou ao laboratório encheu o Carlos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;cascudos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Essas brincadeiras matemáticas já tinham passado do limite e além do mais, progressão geométrica é coisa de colégio.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-9148040087823225615?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/9148040087823225615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=9148040087823225615&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9148040087823225615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9148040087823225615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/07/o-telefone-tocou.html' title='O telefone tocou'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6896466694496986338</id><published>2009-06-29T21:56:00.003-03:00</published><updated>2010-12-05T09:11:23.257-02:00</updated><title type='text'>O que vale é o busão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt: auto;"&gt;Acordo as cinco, chego ao aeroporto as seis, voo as sete, chego ao Rio as nove, me enrolo um pouco, decido conhecer o Rio, pego um táxi-guia, em três horas com meu novo amigo Marcelo vejo a casa do Roberto Carlos, a casa do Roberto Marinho, nenhuma outra casa de nenhum outro Roberto, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Copacabana&lt;/span&gt; e o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Copacabana&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Palace&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Leblon&lt;/span&gt;, Ipanema, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Urca&lt;/span&gt; e o Morro da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Urca&lt;/span&gt;, várias favelas, a maioria de longe, o aterro do Flamengo, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Maracanã&lt;/span&gt;, o lugar onde o Ronaldo (me recuso a dizer, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Fenômeno&lt;/span&gt;) começou sua carreira, o mirante de Santa Marta, o Jardim Botânico (bem de longe), o Cristo (mais de longe ainda), o Pão de Açúcar, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Pinel&lt;/span&gt;, a Lagoa Rodrigo de Freitas, as casa de praia de D. Pedro e da Princesa Isabel, a praia do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Botafogo&lt;/span&gt;, a praça da Apoteose, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;passarela&lt;/span&gt; do samba, o aeroporto Santos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Dummont&lt;/span&gt; e o Tom &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Jobim&lt;/span&gt;, a ponte Rio - &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Niterói&lt;/span&gt;, a ilha do governador, a linha vermelha, a igreja da Candelária, quatro ou cinco &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;caveirões&lt;/span&gt; e o simpático pessoal do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Bope&lt;/span&gt;, a floresta da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Tijuca&lt;/span&gt;, a central do Brasil, as sedes do Vasco, do Fluminense e do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Botafogo&lt;/span&gt;, chego novamente no aeroporto, faço o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;check&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;in&lt;/span&gt;, embarco, quase dez horas de voo e estou em Paris, chego no hotel de táxi, deixo a mala no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;maleiro&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;eletrônico&lt;/span&gt; e saio até a torre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Eiffel&lt;/span&gt;, mais por não ter destino definido, beiro o Sena até a Notre Dame, no caminho paro em uma aglomeração popular, bem depois descubro que é o Obama indo embora e espero para ver, vejo, procuro a livraria Shakespeare &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;and&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Co&lt;/span&gt;., compro um livro do Dylan ilustrado para o meu pequeno e toco &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Hey&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Jude&lt;/span&gt; no piano que serve de expositor para os livros relacionados à música, na rua compro um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Camus&lt;/span&gt; para um amigo, em francês que é para judiar do amigo, almoço no restaurante que tinha almoçado com minha querida da última vez, tomo um sorvete de sobremesa no lugar onde tinha tomado um sorvete com minha querida da última vez, ando mais um pouco e pego o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;metrô&lt;/span&gt;, volto para o hotel e empacoto na cama até a hora da janta, acordo às 22 duas e ainda é dia, janto com o sol, durmo novamente e acordo para trabalhar, três dias na mesma rotina, acordo, me arrumo, tomo café-da-manhã, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;metrô&lt;/span&gt; até a estação perto da casa da amiga, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;carona&lt;/span&gt; até o trabalho, reunião atrás de reunião, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;carona&lt;/span&gt; com a amiga até o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;metrô&lt;/span&gt; perto da casa dela, hotel, janta e sono, com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;exceção&lt;/span&gt; do último dia que teve, hotel, diária extra para tomar um banho e me arrumar para a viagem de volta, táxi, aeroporto, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;check&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;in&lt;/span&gt;, voo de 11 horas para São Paulo, espera de 2 horas, voo de 47 minutos para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;Curitiba&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-margin-bottom-alt: auto;"&gt;Na chegada, rodoviária para pegar um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;busão&lt;/span&gt; até minha cidade natal. Como era hora do almoço e meu estômago tem uma adaptação exemplar ao fuso horário local, procurei um restaurante para almoçar. Jóia. Esse era o nome do restaurante. O prato do dia, bife à milanesa com arroz, feijão, salada e fritas. Se tivesse um ovo frito escorrendo amarelo em cima do feijão seria perfeito. Foi quase perfeito. Depois de mais de 22 horas de voo, 27 de trabalhos intensos, seis descidas ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;metrô&lt;/span&gt; e alguns &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;quilômetros&lt;/span&gt; de pernada em Paris e uma visita relâmpago ao Rio de Janeiro, veja aonde vim parar. Onde tudo começou. Meu lugar preferido da semana quando estudava para ser engenheiro. O marco zero de todos os finais de semana com a família, os amigos e as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;paqueras&lt;/span&gt; (o plural aqui é exagerado). A rodoviária de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Curitiba&lt;/span&gt;. Um lugar feio, fedido, perigoso e sem graça, mas que para mim significava todas as possibilidades de uma idade em que possibilidades é tudo o que se pode ter.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6896466694496986338?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6896466694496986338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6896466694496986338&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6896466694496986338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6896466694496986338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/06/o-que-vale-e-o-busao_29.html' title='O que vale é o busão'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3509976562041920538</id><published>2009-06-20T08:35:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T08:35:46.580-03:00</updated><title type='text'>Rock de Porão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O tempo faz bem ao bom rock. Ele é um filtro natural entre o que é perene e o que expirou e, mais importante ainda, descola os rótulos que insistimos em colocar no que é novo. É como uma boa garrafa de vinho que sobrevive ao tempo e você encontra no porão do seu avô sem o rótulo. Naquele momento, você não sabe se o vinho é bom ou não, se sobreviveu ao tempo ou não. Sequer sabe que nome deram para ele. Tira a rolha, toma um gole e descobre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fico imaginando meu filho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;recém&lt;/span&gt;-nascido descobrindo minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;coleção&lt;/span&gt; de CDs. Para ele não fará a menor diferença se o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Green&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Day&lt;/span&gt; era classificado à época como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;punk&lt;/span&gt; rock, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;power&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;pop&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;hardcore&lt;/span&gt; melódico ou qualquer outro nome que se dê hoje ao tipo de música que eles fazem. Ele vai escutar &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Dookie&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; como hoje eu escuto &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Never&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Mind&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;the&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Bollocks&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, um clássico absoluto. Vai escutar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Radiohead&lt;/span&gt; como eu escuto &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Dark&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Side&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;of&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;the&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Moon&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Damien&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Rice&lt;/span&gt; como eu escuto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Springsteen&lt;/span&gt;. Não me interessa como classificavam o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Floyd&lt;/span&gt;, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Pistols&lt;/span&gt; ou o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Boss&lt;/span&gt; em suas respectivas épocas, o que interessa é que a música sobreviveu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com as bandas novas eu não consigo. Escuto todas elas com o selo que nelas colocam. Estava escutando o novo do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Green&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Day&lt;/span&gt; e fiquei me perguntando se eles ainda fazem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;punk&lt;/span&gt; rock. Para mim fazem, mas como meu filho escutará este disco em 18 anos? Falta de personalidade minha? Sei lá. Todo mundo que conheço que toma vinho com denominação de origem controlada ou com nota maior do que 90 do famoso crítico Robert &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Parker&lt;/span&gt;, um dia já tomou vinho Campo Largo de garrafão escutando &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;God&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Save&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;the&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Queen&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3509976562041920538?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3509976562041920538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3509976562041920538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3509976562041920538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3509976562041920538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/06/rock-de-porao.html' title='Rock de Porão'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5012906595896179871</id><published>2009-06-14T22:38:00.000-03:00</published><updated>2009-06-14T22:39:11.341-03:00</updated><title type='text'>Uma canção torta de esperança</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Since when did you start laughing?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Since when do you like the rain?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;It’s a game I play, it’s a simple thing&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Just trying to stop the time again&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;If you grow up faster than I can learn&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;You will end up taking care of me instead&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;So I have got no time to burn&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Got to look ahead, just look ahead&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Words of hope is what I am trying to find&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;But the hope is not on words, it’s in you&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Just to look at your face, it blows my mind&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;What can I do? Tell me what am I supposed to do?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;So when I stop laughing and start praying to stop the rain&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Come around my son to remember me who I am&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Even if you don’t need me anymore&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5012906595896179871?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5012906595896179871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5012906595896179871&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5012906595896179871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5012906595896179871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/06/uma-cancao-torta-de-esperanca.html' title='Uma canção torta de esperança'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3867707397872735940</id><published>2009-06-14T22:36:00.000-03:00</published><updated>2009-06-14T22:37:05.736-03:00</updated><title type='text'>Como um alemão sente saudades</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quase sempre a distância traz lucidez. E saudades, obviamente. Se bem que, se saudade fosse tão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;obvia&lt;/span&gt;, não seria omitida em idiomas tão importantes quanto o inglês, por exemplo. Estou falando da palavra, que fique claro, pois os ingleses, americanos, canadenses, australianos e outros povos falantes da língua de Shakespeare também a sentem, mesmo sem terem uma palavra única e exclusiva para descrevê-la. Ah, como a vida fica mais fácil quando se nasce em um país cujo idioma tem o nível de riqueza do nosso português.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca estudei (e nem sei se tenho competência para tal) a teoria da relatividade de Einstein, mas sei - porque sinto - que ele tinha razão. O tempo é de fato relativo. Já fiquei uma semana inteira longe de vocês, e depois mais outra, morrendo de saudades, mas com tudo sob controle. Estava aqui &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;pertinho&lt;/span&gt;. Agora que estou do outro lado do mundo, há apenas 12 horas, mesmo sabendo que nossa palavra, merecedora de todo o primeiro parágrafo, não existe por aqui e que ela não vai me ajudar a encontrar o caminho do hotel ou a estação de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;metrô&lt;/span&gt;, é só nela que penso. E em vocês, é claro, porque sem vocês ela não faria sentido. Com vocês, ela pode ou não existir, e pode ser mais forte ou mais fraca, e tudo depende da relação distância x tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sei nada do velho Einstein, mas me parece que ele era um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;baita&lt;/span&gt; sentimental. Só que como não tinha palavra em alemão para expressar este sentimento, inventou toda uma teoria complexa. Nós inventamos uma palavra. E depois dizem que o português é burro. Eu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;retruco&lt;/span&gt;, para que complicar?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3867707397872735940?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3867707397872735940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3867707397872735940&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3867707397872735940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3867707397872735940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/06/como-um-alemao-sente-saudades.html' title='Como um alemão sente saudades'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8164710500749763006</id><published>2009-05-25T21:55:00.002-03:00</published><updated>2009-05-25T21:59:21.841-03:00</updated><title type='text'>Chacoalho</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="  line-height: 19px; font-family:Arial;font-size:13px;"&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;Sempre que tocava uma música boa, ele aumentava o volume na esperança de que ela soltasse os cabelos e os chacoalhasse como antigamente. Foi assim a primeira vez que a viu, com uma amiga, dançando ao som de uma banda qualquer que animava a festa. Nunca pedia, não que ela fosse se negar, mas não teria o mesmo efeito. São estranhas as coisas da vida, que nos fazem querer sempre o que ficou lá atrás, mesmo quando o de agora esteja melhor, o que se pode afirmar ser o caso.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;Estavam viajando para o interior, com o pequeno resmungando no banco de trás do carro, quando começou a tocar um rock qualquer dos anos 80, especialidade dela. Ele aumentou em dois ou três graus o volume e olhou disfarçadamente para o lado. Ela tirou o elástico que prendia seus longos cabelos castanhos, jogou-os para trás em um movimento brusco, enrolou-os com a mão direita e passou o elástico novamente. Ele deu um suspiro. Ela deu um maior e disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;- Você nunca mais tocou bateria no volante do carro como fazia quando nos conhecemos, né? Eu achava tão bobo na época e agora tenho saudades.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;Como dizíamos, são estranhas as coisas da vida, que nos fazem querer sempre o que ficou lá atrás. Continuaram a viagem em silêncio. Quer dizer, nem todos. O pequeno continuava resmungando. Já estavam chegando quando tocou outra música daqueles tempos de solteirice. Ela olhou para ele e reclamou:&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;- Lembra a primeira vez que nos encontramos? Você nem lembra que era esta música que estava tocando, e que eu estava junto com a Sandrinha chacoalhando os cabelos como uma louca.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;Ao invés de responder, ele começou a batucar o volante.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8164710500749763006?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8164710500749763006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8164710500749763006&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8164710500749763006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8164710500749763006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/05/chacoalho_25.html' title='Chacoalho'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-9066940378309278858</id><published>2009-05-17T14:30:00.001-03:00</published><updated>2009-05-17T14:30:57.055-03:00</updated><title type='text'>De uma hora para outra</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: 13px; line-height: 19px; "&gt;Antes que alguém pergunte, essa história não é inédita, ela já aconteceu. Apenas ninguém tinha tomado tempo para colocá-la em palavras, e é isso que vamos tentar fazer. Não foi assim, de uma hora para outra, que ele resolveu apagar suas memórias. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Arquitetou&lt;/span&gt; tudo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;direitinho&lt;/span&gt;. Começou pelas fotos que mantinha dos tempos de escola e das antigas namoradas. Cancelou todas as suas contas em bancos, sítios &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;eletrônicos&lt;/span&gt; e no bar do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Joca&lt;/span&gt;. Deixou a barba crescer, o cabelo que restava também. Parou de andar no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;calçadão&lt;/span&gt; da Atlântica e de visitar os parentes. Só não conseguiu parar de fumar, mas este é um hábito que não define uma pessoa e portanto não estragaria seu plano de sumir aos poucos. Na verdade, como bem sabemos, poderia até acelerá-lo. Deu seus ternos para o porteiro antes de se mudar. Cortou as mangas das camisas e as calças à altura dos joelhos. Passaria o resto de seus dias lendo e relendo seus livros preferidos, escutando seus discos de música de elevador e bebendo água &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;tônica&lt;/span&gt; com limão espremido. Não se pode afirmar que estava passando pela crise da meia idade, pois não temos certeza que ele vai durar mais o mesmo tanto que durou até aqui.&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; "&gt;Tinha tirado férias para colocar seu plano em prática e, por questão ética (e financeira), voltou ao escritório quando elas acabaram. Acertou a papelada e pegou o dinheiro que tinha direito após quinze anos de trabalho duro. Iria precisar dele para sumir com dignidade. Quando seu chefe ofereceu um aumento generoso para que ele desistisse de ir embora, arrependeu-se de ter dados os ternos ao porteiro.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-9066940378309278858?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/9066940378309278858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=9066940378309278858&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9066940378309278858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9066940378309278858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/05/de-uma-hora-para-outra.html' title='De uma hora para outra'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5399474940449082309</id><published>2009-04-18T22:31:00.002-03:00</published><updated>2009-04-18T22:32:27.735-03:00</updated><title type='text'>O problema de trabalhar com logística</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="line-height: 20px; font-family:'Trebuchet MS';font-size:13px;"&gt;Outro dia fui comprar fraldas para o meu pequeno e me deparei com um dilema. Ele está com quase dois meses e as fraldas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;recém&lt;/span&gt;-nascido já estão ficando apertadas. Ao mesmo tempo, as de tamanho P são muito grandes. Como não existem farmácias ou supermercados muito próximos à minha casa, teria que garantir um mínimo de fraldas para não passarmos aperto no meio da noite. Quando se trata do próprio filho como cliente, o nível de serviço é uma variável absurdamente importante. Também o custo de transporte ficaria muito alto se eu tivesse que tirar o carro a cada pacote. Ao mesmo tempo, como a crise está aí e meu sangue árabe fala alto, não queria comprar fraldas demais, para evitar não somente o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;sobrestoque&lt;/span&gt;, mas também a obsolescência, ainda mais custosa. Fiquei horas pensando no equilíbrio entre custos de transporte, custos de estoque e nível de serviço, quando me dei conta de que meu filho não está nem aí para tudo isso. O que ele quer é o bumbum &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;limpinho&lt;/span&gt; e que o pai dê mais atenção ao choro dele ao invés de ficar delirando. Troquei a fralda dele e fomos curtir o Domingo de Páscoa.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5399474940449082309?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5399474940449082309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5399474940449082309&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5399474940449082309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5399474940449082309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/04/o-problema-de-trabalhar-com-logistica.html' title='O problema de trabalhar com logística'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2614718144553567397</id><published>2009-04-18T19:20:00.002-03:00</published><updated>2009-07-26T09:04:59.330-03:00</updated><title type='text'>Mediterrâneo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Numa viagem que fiz no início de 2008 a trabalho, fiquei hospedado em uma pequena cidade chamada &lt;i&gt;La &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Bouille&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, na região &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;metropolitana&lt;/span&gt; de &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Rouen&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, famosa capital da alta Normandia, no noroeste da França, onde Joana D'&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Arc&lt;/span&gt; foi queimada. &lt;i&gt;La &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Bouille&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; é uma pequena vila de 818 habitantes que contorna um pedaço do rio Sena. Como na França comer bem não tem absolutamente nada que ver com tamanho de cidade, &lt;i&gt;La &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Bouille&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, como qualquer cidade francesa, grande ou pequena, tem restaurantes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;ótimos&lt;/span&gt;. Tive a sorte de ficar hospedado no hotel que tem o melhor deles, não só da cidade como de toda esta região que beira o rio. O restaurante tem o mesmo nome do hotel, &lt;i&gt;La &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Belle&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Vue&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, mais do que justificado quando se abre as janelas de qualquer um de seus quartos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A esta altura deve-se estar imaginando qual a ligação do título do nosso texto, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Mediterrâneo&lt;/span&gt;, com esta experiência que tive em um restaurante do outro lado da França. Simples, eu explico. Sempre fiquei fascinado com o fato de não interessar o tamanho ou a riqueza da região, sempre se pode encontrar um bom restaurante na França e praticamente em qualquer país da Europa. Aqui no Brasil, não é difícil de perceber, a realidade é diferente. Se quiser comer bem, vá para uma capital. Aliás, escolha bem a capital, pois não é em qualquer uma que se pode encontrar um restaurante com a qualidade do &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Belle&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Vue&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Esta era a realidade da minha cidade natal Ponta Grossa, no interior do Paraná, até ontem. Tive a sorte de estar na cidade no dia em que abriu o restaurante &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Mediterrâneo&lt;/span&gt;, com a cozinha capitaneada pelo &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;chef&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;Bruno &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Pellissari&lt;/span&gt;. O restaurante, que ocupa uma casa de esquina do bairro residencial mais nobre da cidade, dá um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;show&lt;/span&gt; de culinária &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;contemporânea&lt;/span&gt;, mas sem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;esquisitices&lt;/span&gt;. O &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;chef&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;Bruno não é desses novos &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;chefs&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;que resolveu cozinhar porque não tinha coisa melhor para fazer. Tem a culinária no sangue, herdada desde que sua mãe o ensinou a fazer uma receita de macarrão com sardinha (o famoso &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Spaghetti&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;con&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;le&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Sarde&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;da região de Palermo na Sicília), que aprendeu com o seu avô (bisavô do &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;chef&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;) e assim por diante. Aliás, esta é uma ausência notada no cardápio do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Mediterrâneo&lt;/span&gt;, e que daria ainda mais força ao nome escolhido para o restaurante, uma vez que a região da receita original é completamente circundada pelo mar que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;batiza&lt;/span&gt; este &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;charmoso&lt;/span&gt; local.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com ambiente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;intimista&lt;/span&gt; e agradável, logo ao entrar no restaurante você sente que foi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;teletransportado&lt;/span&gt; para uma cidade qualquer do outro lado do Atlântico. Entradas como o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;espetinho&lt;/span&gt; de queijo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;brie&lt;/span&gt; e pêra, ou a terrina de frango com molho de laranja, já dão a dica do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;espetáculo&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;gastronômico&lt;/span&gt; que se está prestes a assistir. Como pratos principais de destaque, o &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;confit&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;canard&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;repousado em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;polenta&lt;/span&gt;, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;mignon&lt;/span&gt; com crosta de farofa de &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;funghi&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;e o &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;conchiglioni&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;recheado com cordeiro e figos devem conquistar mesmo os menos acostumados com a cozinha moderna. A carta de vinhos impressiona, não pela variedade &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;insana&lt;/span&gt; ou pelos exemplares milionários &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;comumente&lt;/span&gt; encontrados em casas da moda, mas pela &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;simplicidade&lt;/span&gt; e pelo preço mais do que justo de suas garrafas, que acompanham muito bem os diversos pratos da lista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É como se a sua avó italiana tivesse resolvido ousar um pouco e, ao invés de fazer o macarrão com molho vermelho de sempre, tivesse pedido para você baixar umas receitas novas na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;internet&lt;/span&gt; e, ao invés de servir o vinho do nono, tivesse te dado um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;dinheirinho&lt;/span&gt; (não muito) para comprar uma boa garrafa na importadora da esquina. Em épocas de crise, com as viagens a trabalho rareando, sempre que tiver saudades do &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;Belle&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Vue&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, vou dar uma parada no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Mediterrâneo&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2614718144553567397?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2614718144553567397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2614718144553567397&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2614718144553567397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2614718144553567397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/04/mediterraneo.html' title='Mediterrâneo'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4510671230820369956</id><published>2009-03-21T10:23:00.003-03:00</published><updated>2009-04-16T14:03:23.393-03:00</updated><title type='text'>Por que você não é daqui?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Por aqui as coisas são diferentes. Se os pássaros migrarem para o sul no inverno, morrem congelados. Por aqui, se você pedir um &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;cookie&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;, vão te dar um &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;cuque&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;, de uva ou de banana. Se for em Santa Catarina ainda vão &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;corrigí&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;-lo, dizendo que é &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;cuca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; e não &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;cuque&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;. Querido pai: você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você. Respondo: por que você não é daqui. Se fosse saberia de tudo isso e mais, por aqui a gente gosta mais de &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;bunda&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; do que de peito, nosso futebol é de fato jogado com os pés (ao contrário do americano e do argentino) e esqueceram de contar para o pessoal do &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;McDonald&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;'s local a tradução de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;fast&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;food&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;. Nosso senso de &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;direção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; é péssimo; norte, sul, leste e oeste não significam muita coisa para nós. Por aqui a bala é perdida, e geralmente encontrada na cabeça de um inocente, e geralmente naquela cidade maravilhosa cheia de favelas. Você não tem a menor ideia do que seja uma favela, mas adora ver filmes sobre elas. Querido pai: você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você. Respondo: tenho medo de você porque você acha bonito ter medo daqui. Quando vier, não esqueça de me visitar, se eu já não tiver migrado para o sul.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4510671230820369956?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4510671230820369956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4510671230820369956&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4510671230820369956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4510671230820369956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/03/por-que-voce-nao-e-daqui.html' title='Por que você não é daqui?'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-437381624130642140</id><published>2009-03-04T11:35:00.002-03:00</published><updated>2009-07-26T09:00:36.245-03:00</updated><title type='text'>Masbaha</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Contava cada uma das 33 pedras do seu &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;masbaha&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; favorito pela décima vez para esquecer o que tinha acabado de passar. Não era religioso, muito menos muçulmano. Conhecia apenas um dos 99 nomes de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Allah&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, justamente este, e usava o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;masbaha&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; apenas para aliviar as tensões do dia-a-dia e esquecer-se dos problemas, que àqueles tempos eram muitos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sua esposa, que o observava pela fresta da porta entreaberta do escritório, também tinha seus próprios problemas, mas o maior de todos é o que tinham em comum. Há tempos não podiam suportar a companhia do outro. Ela fechou a porta com vagar extremo e se afastou, furtiva, como quem abandona um doente que acaba de adormecer à meia-noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não tinham filhos e estavam juntos a tempo suficiente para se esquecerem do tempo em que estavam juntos. Eram como inimigos de guerra presos na mesma cela, que tiveram que aprender a se respeitar, pois a outra opção era fatal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele passou mais umas duas horas apertando as pedras de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Allah&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; antes de ir para a cama. Entrou o mais quieto possível debaixo das cobertas, para evitar mais uma discussão inútil, e dormiu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De manhã ela fez o mesmo, só que no caminho inverso. Saiu a mais quieta possível debaixo das cobertas, e foi trabalhar. Era a única coisa com a qual realmente se importava, atender os clientes de sua agência de turismo, que havia um bom tempo era a única fonte de renda do casal. De tempos em tempos partia como guia para uma viagem com algum grupo de turistas idosos. Foi numa dessas viagens, daquela vez para Damasco, que comprou o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;masbaha&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; que seu marido tanto gostava de contar, enquanto esperava a próxima viagem dela para ser feliz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando ela chegou em casa no final do dia o procurou para anunciar seu próximo destino. Desta vez iria sozinha. Ele estremeceu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-437381624130642140?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/437381624130642140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=437381624130642140&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/437381624130642140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/437381624130642140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/03/masbaha.html' title='Masbaha'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-268095338835267550</id><published>2009-02-17T06:06:00.001-03:00</published><updated>2009-02-17T06:08:12.061-03:00</updated><title type='text'>Quanto pesa seu bebê?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ah, a mãe Natureza! Minha esposa ganhou exatos 9 quilos até o final da gravidez. Descontando-se os aproximados 3 quilos de bebê, significa que ela desenvolveu 6 quilos de acessórios. Como diriam os mineiros, ó pcê vê! Com apenas 6 quilos adicionais, ela é capaz de alimentar, aquecer, entreter e manter limpo um bebê. Você sabe quantos quilos de tranqueiras de plástico, tecido, madeira e metais são necessários para fazer exatamente a mesma função a partir do dia seguinte ao nascimento do pequeno? Pois é, em uma estimativa muito imprecisa, calculei algo entre 200 e 400 quilos. Isso significa que, na melhor hipótese, nossas tranqueiras recém adquiridas são umas 30 vezes menos eficientes do que a natureza. Pelo menos se considerarmos o critério peso. E, afinal, para que serve essa conta? Para absolutamente nada, mas os 300 quilos de coisas necessárias já estão comprados e eu tenho que matar o tempo de alguma maneira até ele nascer.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-268095338835267550?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/268095338835267550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=268095338835267550&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/268095338835267550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/268095338835267550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2009/02/quanto-pesa-seu-bebe.html' title='Quanto pesa seu bebê?'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7431343982669127751</id><published>2008-12-22T22:20:00.002-02:00</published><updated>2008-12-30T21:26:02.956-02:00</updated><title type='text'>O Velho e o Mar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não se preocupe, esta não é uma análise enfadonha sobre o clássico de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Hemmingway&lt;/span&gt;. Mesmo porque eu não o li, e mesmo que tivesse, não tenho condições de analisar clássicos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É só que estou sentado na beira da praia, e tem um velho, e tem o mar. O velho, com todo um aparato de pesca montado e um chapéu de quem espera um sol daqueles, fala com as mãos para quem parece ser sua companheira. Vamos chamá-la de Lurdes. Ela se parece o suficiente com uma Lurdes. Peixe não se vê, mas quem foi que disse que pescaria tem a ver com peixes?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Me fez bem imaginar que o velho teve uma vida plena até aqui. Criou seus filhos com amor e dedicação, trabalhou com prazer no que gostasse e tem a admiração da Dona Lurdes. Agora, depois de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;planejá&lt;/span&gt;-la por anos, veio curtir a aposentadoria na beira-mar, tentando pescar os peixes que o mar não quer lhe entregar. Ele parece achar graça no fato de que a vida lhe foi bem mais generosa do que o mar está sendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Lurdinha&lt;/span&gt; (já somos íntimos a esta altura), que havia saído há pouco para uma breve caminhada, chega e lhe dá um beijo no rosto. Ele começa a pensar que vale mais a pena voltar com ela para casa e tomar o café-da-manhã. Neste &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;exato&lt;/span&gt; momento, um peixe dos grandes namorava a isca presa ao anzol especial do velho, que ele comprou em uma das viagens de trabalho aos Estados Unidos. Antes que o escamoso animal abocanhasse sua refeição fatal, nosso personagem (não consegui imaginar nome bom para este bom velho) começou a recolher a linha. O peixe, que já não entende muito, ficou sem entender nada. O mar, menos ainda. Finalmente se entregaria ao merecedor amigo. Este, nosso já clássico personagem, não tinha dúvidas. Entre o mar, os peixes e as rabanadas da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Lurdinha&lt;/span&gt;, ficava com as últimas sem pestanejar. E isso era todo dia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7431343982669127751?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7431343982669127751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7431343982669127751&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7431343982669127751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7431343982669127751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/12/o-velho-e-o-mar.html' title='O Velho e o Mar'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8436014569492380828</id><published>2008-12-18T07:37:00.003-02:00</published><updated>2009-07-26T08:45:02.676-03:00</updated><title type='text'>Eternidade? Tô fora!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family:Arial;mso-ansi-language: PT-BR"&gt;O homem, naquele sentido que engloba também as mulheres e crianças, tem a necessidade interessante de deixar um legado. Algo que dure mais do que ele. Pelo menos um pouco mais. Não sei se é nossa maneira desengonçada de tentar alcançar a eternidade, ou o desespero que bate quando não conseguimos lembrar o nome de nossos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;bisavós&lt;/span&gt;, mas está embutido em nosso software deixar marcas para que se lembrem sempre de que um dia existimos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family:Arial;mso-ansi-language: PT-BR"&gt;É claro que para este propósito recebemos as ferramentas e a habilidade (nem todos) para fazer filhos, mas estes farão os seus e quando estes fizerem também os seus, estes últimos não terão a menor ideia de quem você foi. E não adianta espernear, mesmo porque o caixão é um tanto apertado e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;dificilmente&lt;/span&gt; alguém vai ouvir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family:Arial;mso-ansi-language: PT-BR"&gt;O segredo é construir algo digno de nota, que de fato transcenda as barreiras da família. Aparentemente o grande público, esta entidade que ninguém sabe definir direito, é bem mais propenso a garantir tua eternidade do que aqueles bisnetos ingratos. Por isso sugiro que comecem já a escrever seus livros, a pintar seus quadros, a bater seus recordes de comer o máximo possível de cachorro-quente em 5 minutos, e assim por diante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family:Arial;mso-ansi-language: PT-BR"&gt;Do meu lado, vou ficar com o lance de fazer o filho, ou pelo menos continuar praticando. É bem mais divertido e eu não dou a mínima para essa história de eternidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8436014569492380828?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8436014569492380828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8436014569492380828&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8436014569492380828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8436014569492380828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/12/eternidade-t-fora.html' title='Eternidade? Tô fora!'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3348834733900132260</id><published>2008-12-18T07:24:00.001-02:00</published><updated>2009-07-26T08:42:02.018-03:00</updated><title type='text'>Bate-papo de Natal</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family:Arial;mso-ansi-language: PT-BR"&gt;Cara, falta muito pouco agora. Já estamos quase no Natal e em uns 2 meses você deve nascer. Teu quarto já está pronto e tuas roupas, você nem acredita. Você já tem camiseta de bandas que você nem conhece, mas com certeza vai gostar. Tua mãe está mais linda do que nunca e teus avós, bom você vai ver quando chegar. É inexplicável. Teu chá, que teve de tudo menos chá, foi um barato. Você ganhou presente pra caramba e já tem pelo menos o dobro de sapatos do que eu. Outro dia fomos dar uma espiada em você lá na clínica daquela médica simpática. Desta vez conseguimos te ver bem e tudo indica que, graças aos céus, você parece mais com tua mãe do que comigo. Vamos ver, estou de dedos cruzados. Enquanto escrevo aqui na sacada da pousada em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Bombinhas&lt;/span&gt;, vejo tua mãe na areia, te carregando feliz da vida com seu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;barrigão&lt;/span&gt; lindo. É você que já deve estar louco para fazer castelos e enterrar teu pai na areia, como as outras crianças que estão por ali. Não se preocupe querido, em breve será a nossa vez.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-bidi-font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3348834733900132260?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3348834733900132260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3348834733900132260&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3348834733900132260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3348834733900132260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/12/bate-papo-de-natal.html' title='Bate-papo de Natal'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-518335199891769932</id><published>2008-11-09T08:47:00.003-02:00</published><updated>2009-07-26T08:58:05.631-03:00</updated><title type='text'>Marcos Teixeira Excel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se fossemos todos filhos de Bill Gates, o homem seria &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Excel&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; e a mulher &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Word&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Os mais exibidos seriam &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Power&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Point&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, as crianças &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Paint&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Brush&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;profissionais&lt;/span&gt; seriam &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Access&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; ou até mesmo o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Excel&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, mas com macros e tabelas dinâmicas. Poderiam também ser &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Project&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, dependendo da área de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;atuação&lt;/span&gt;. Os jovens conectados seriam &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Messenger&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; ou &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Outlook&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; e os alternativos, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Creative&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Writer&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Liquid&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Motion&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; ou outro qualquer que ninguém conheça. Os gananciosos seriam o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;MS&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Money&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, os organizados e os quadrados, o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Visio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Os mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;relax&lt;/span&gt;, ou com tempo de sobra, seriam &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Flight&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Simulator&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; ou &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Age &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;of&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Empires&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, poderiam até mesmo ser mais simples, como &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Pinball&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; ou &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;FreeCell&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Os intelectuais, sem dúvida alguma, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Encarta&lt;/i&gt;. Os mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;introspectivos&lt;/span&gt; e solitários, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Solitaire&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, porque ser &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;introspectivo&lt;/span&gt; e solitário não significa ser original.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E os revoltados, está &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;obvio&lt;/span&gt;, seriam &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Linux&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;Mac&lt;/span&gt; OS&lt;/i&gt; ou &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;Open&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Office&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, só para irritar papai Gates. Ou &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Google&lt;/i&gt; alguma coisa, se quisessem enfartá-lo de vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-518335199891769932?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/518335199891769932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=518335199891769932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/518335199891769932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/518335199891769932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/11/marcos-teixeira-excel.html' title='Marcos Teixeira Excel'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-1408709458596456666</id><published>2008-10-25T09:28:00.001-02:00</published><updated>2009-03-04T11:39:44.226-03:00</updated><title type='text'>Coxinha</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Estava no café tomando limonada suíça e reparando o movimento. Era a primeira terça-feira do horário de verão, quase oito e o sol ainda insistia em ficar. O lugar estava cheio daquelas pessoas esquisitas que &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;frequentam&lt;/span&gt; os cafés da moda, todas cuidadosamente fora de moda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na mesa do canto, três meninas, das de vestibular, falando de meninos. Do outro lado três rapazes de cabelos meticulosamente despenteados, falando de meninos. Senhoras &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;chiques&lt;/span&gt;, que acham chique ficar em lugares cheios de gente esquisita falavam alto em seus &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;i-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;phones&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; na mesa do outro canto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na rua passava gente de todo tipo. Cuidadores de carros, figurões de terno, estudantes que não estavam estudando, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;catadores&lt;/span&gt; de papel, mulheres bonitas, carros do ano, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;fuscas&lt;/span&gt; e cachorros, dos de rua e dos de madama, levando suas respectivas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Além da limonada suíça, quis comer uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;quiche&lt;/span&gt;. Não tinham. A moda agora é coxinha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-1408709458596456666?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/1408709458596456666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=1408709458596456666&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1408709458596456666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/1408709458596456666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/10/coxinha.html' title='Coxinha'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6719241665780335748</id><published>2008-09-18T21:37:00.003-03:00</published><updated>2008-11-09T09:12:23.940-02:00</updated><title type='text'>Rick</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em casa novamente. Eu gosto de estar aqui quando posso. Hoje vim pensando em escrever sobre a morte de Richard &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Wright&lt;/span&gt;, homem dos teclados do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Pink&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Floyd&lt;/span&gt;. Morreu jovem (tinha apenas 65 anos) e em quieto desespero, na luta contra um câncer não anunciado. Pensei em fazer uma homenagem, dessas que são feitas na tristeza do momento, emocionadas e geralmente exageradas, mas desisti. É mais divertido especular e fica menos forçado. Afinal, onde estará &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Rick&lt;/span&gt; neste momento?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os mais apressados poderiam dizer que está junto com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Syd&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Barret&lt;/span&gt; em algum canto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;psicodélico&lt;/span&gt; do lado escuro da lua, mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Rick&lt;/span&gt; era completamente diferente de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Syd&lt;/span&gt;. Outros arriscariam que ele está no paraíso, tocando &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;The&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Great&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Gig&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;in&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;The&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Sky&lt;/span&gt;,&lt;/i&gt; finalmente no lugar certo. Eu diria que não deve ser nada tão óbvio. Ídolos não fazem coisas óbvias e geralmente não acabam no paraíso. Imagino que, esteja onde estiver, respira finalmente o ar puro de não ser mais inglês, sem medo de se importar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O tempo passou devagar para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Rick&lt;/span&gt;, mas parou muito rápido, antes da hora normal. Nem sei o que ele andava fazendo nestes longos tempos de recesso &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Floydiano&lt;/span&gt;. Talvez estive se preparando para seu eclipse, talvez estivesse aprendendo a tocar bateria com o Nick &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Mason&lt;/span&gt;, sei lá. Só sei que fiquei triste e, antes que comece a exagerar e ficar emotivo, vou parando por aqui. &lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;Como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Rick&lt;/span&gt; sempre cantava, “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;The&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;time&lt;/span&gt; is &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;gone&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;the&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;song&lt;/span&gt; is &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;over&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;thought&lt;/span&gt; I’d &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;something&lt;/span&gt; more to &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;say&lt;/span&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6719241665780335748?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6719241665780335748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6719241665780335748&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6719241665780335748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6719241665780335748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/09/rick.html' title='Rick'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2661662422600408383</id><published>2008-09-16T06:24:00.002-03:00</published><updated>2008-11-09T09:08:27.000-02:00</updated><title type='text'>A encomenda</title><content type='html'>&lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;Sem pensar três vezes, Jonas clicou o botão comprar. Não era pouco dinheiro para ele, mas valeria cada centavo. Como ele esperou por esse momento. A encomenda viria da Inglaterra e tinha o risco de parar na Receita. Demoraria semanas até chegar. Jonas era paciente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;Quarenta e sete dias depois, o pacote estava na portaria. Jonas perguntava todos os dias para o porteiro, desde o dia seguinte da compra. Desta vez, antes de desligar o carro na garagem do subsolo, o porteiro já vinha correndo com o pacote na mão. Jonas ficou tão feliz que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;tascou&lt;/span&gt; um beijo na bochecha gordurosa do velho. Arrependeu-se na hora, mas estava tão animado que logo esqueceu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;Jonas preparou a mesa da sala, derramou um pouco de uísque em um copo de requeijão com três pedras de gelo e sentou-se em frente ao pacote. Encarou a encomenda por um longo tempo, enquanto bebia seu veneno. Sabia que aquele era o melhor momento, segundos antes de começar a luta contra o embrulho para recuperar lá de dentro seu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;objeto&lt;/span&gt; de desejo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;A caixa era pequena, mas como dizem, são nos menores frascos que se encontram as melhores essências. No caso de Jonas era falta de dinheiro mesmo. O vidro grande estava impraticável e ele acabou comprando o de 25 &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;ml&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Fez&lt;/span&gt; as contas umas quinze vezes e pesquisou sites de compras e leilões do mundo todo. Tinha este inglês vendendo pela metade do melhor preço que encontrara por aqui, já convertido da libra, que andava nas alturas. Desconfiou mas resolveu arriscar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom:10.1pt"&gt;Grandes ansiedades e expectativas geralmente são seguidas de desfechos banais. Tomou banho e trocou de roupa. Espirrou o perfume falso no pescoço, nos pulsos, no peito e, sem ninguém ver, na região do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;zíper&lt;/span&gt; da calça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;jeans&lt;/span&gt;. Ajeitou o cabelo. Passou dez minutos procurando a chave do carro, que havia jogado para dentro de casa quando chegara com o pacote em mãos. Respirou fundo e foi.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2661662422600408383?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2661662422600408383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2661662422600408383&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2661662422600408383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2661662422600408383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/09/encomenda.html' title='A encomenda'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4127461347585131828</id><published>2008-08-25T21:55:00.002-03:00</published><updated>2008-09-21T16:47:05.689-03:00</updated><title type='text'>O mundo que você vai ver quando chegar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 48px; line-height: 55px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top:0cm;margin-right:0cm;margin-bottom:10.0pt; margin-left:0cm;text-align:justify;line-height:115%;mso-pagination:widow-orphan; mso-hyphenate:auto"&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-ansi-language:PT-BR; mso-fareast-language:EN-US"&gt;Meu filho, finalmente nos conhecemos. Você não sabe como foi difícil esperar estas seis semanas. Desde o último exame você cresceu bastante e agora que já sei teu sexo, posso te chamar de meu filho. Antes era só um feijãozinho, um carocinho de nada. O mais lindo que eu já vi, mas difícil de imaginar. Agora te conheci de verdade, te vi abrir a boca e dar saltos no ventre da tua mãe. Tudo reflexo, a doutora falou, mas o que é que ela entende afinal? Reflexo nada, você sabia que eu estava te vendo e já fez a primeira exibição pro teu velho aqui. Abriu as pernocas para não deixar dúvidas, já sabe que o velho é ansioso e não iria me deixar na curiosidade mais um tempo né? Tá bom, eu nem sou tão velho assim, mas você nem nasceu ainda, imagine. Aliás, não vejo a hora de você chegar. As coisas não são tão fáceis assim por aqui, ainda mais comparando com teu lar atual, mas vale a pena, você vai ver. E além do mais eu estou aqui para te ajudar em tudo o que você precisar, mas não abuse viu? Não vou te dar moleza. Ora, a quem eu quero enganar, vou dar moleza sim, e muito mais. Se quiser jogar bola, vou comprar a mais bonita. Se quiser carinho, vou largar tudo para ficar com você. Se quiser monopolizar tua mãe, bom, aí vamos ter que conversar de perto, porque ela é minha e ninguém tasca, mas te dou umas brechas. Ou melhor, já estou rezando para você me dar umas brechas. Pense bem hein! Disso depende tua mesada no futuro. Mas já estou indo longe demais. Calma. Primeiro você precisa nascer. Quando isso acontecer, você vai ver um homem de guarda-pó azul, com cara de inteligente, provavelmente de óculos e com mãos grandes. Não sou eu ainda viu! Depois você vai ver uma mulher linda que, sem nunca ter visto antes, saberá que é a tua mãe. Eu nem precisava contar. O terceiro que você verá serei eu (ou quarto, dependendo da dose de calmante que dermos para tua avó). Eu sou o homem feio, de olhos vermelhos e cheios d'água, suando e tremendo, que terá muito medo e ao mesmo tempo muita vontade de pegar você no colo pela primeira vez. Se você quiser chorar neste momento não se acanhe, eu sei que com tua mãe é bem melhor, mas não espere que eu vá desistir de você tão facilmente. Ah não! Nunca. É filho, muita coisa nos aguarda, veja só, somos marinheiros de primeira viagem, eu pai e você humano. Não sei qual é mais difícil, mas te prometo uma coisa, vamos nos divertir muito tentando. Até breve.&lt;a name="xkg0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4127461347585131828?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4127461347585131828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4127461347585131828&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4127461347585131828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4127461347585131828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/08/o-mundo-que-voc-vai-ver-quando-chegar.html' title='O mundo que você vai ver quando chegar'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5766768797399989878</id><published>2008-07-23T21:37:00.002-03:00</published><updated>2008-07-23T21:42:02.054-03:00</updated><title type='text'>Knocking on the HEAVEN'S door</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Morreu por culpa do cigarro. Foi para cama bêbado com o cigarro aceso entre os dedos e com o colchão em chamas bateu as botas, que no caso eram Nikes pretos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Quando chegou ao céu ainda não tinha se dado conta do que houvera. O porteiro, um anjo iniciante recém promovido, aproveitou para tirar um sarrinho. Afinal, o povo do céu também tem senso de humor. Pegou uma ficha azul improvisada e perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Nome e telefone, por favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- João Alceu. 3226-XXXX – preservamos aqui a privacidade de João.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Bem vindo seu João! São 20 reais de consumação – e começou a revistar o recém-tostado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- É sua primeira vez aqui na casa? – continuou o anfitrião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Hum... Para falar a verdade, nem sei onde estou, nem como vim parar aqui. Estou meio alto, sabe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Não tem problema, vamos ter que fazer um cadastro rápido – riu sozinho pois o conceito de velocidade no céu fica distorcido com a premissa da eternidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Afinal, não estou vendo nenhuma placa por aqui, como é o nome desse lugar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- HEAVEN! – esnobou o anjo engraçadão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;- Uau! E a mulherada? Tá bombando?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Demorou a responder, lembrando do seu tempo de encarnado e das várias garotas que tivera. Nunca mais brincou com os calouros. Tem coisa que não vale a pena correr o risco de lembrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5766768797399989878?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5766768797399989878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5766768797399989878&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5766768797399989878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5766768797399989878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/07/knocking-on-heavens-door.html' title='Knocking on the HEAVEN&apos;S door'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5156619662949933536</id><published>2008-07-14T22:22:00.000-03:00</published><updated>2008-07-14T22:23:46.850-03:00</updated><title type='text'>O que meu filho não vai ter</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Meu filho não vai ter um pai que salva vidas como eu tenho. Nem vai ter um pai que conhece mais gente da idade dele do que ele próprio, e periga ser mais amigo dos amigos dele do que ele. O pai do meu filho dificilmente vai ter paciência de levar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;sanduíches&lt;/span&gt; e coca-cola nos intervalos da gravação do CD da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;bandinha&lt;/span&gt; de garagem que ele montar, como o avô dele fez, mesmo não sendo um grande fã de música, especialmente aquela que fazíamos. Tenho certeza que se meu filho chegar bêbado em casa, cinco da madrugada, não vai ser recebido com o café da manhã na mesa, e com certeza apanha se vomitar no meu pé ao invés de receber um sorriso acolhedor como meus irmãos e eu recebíamos. Meu filho não vai ter um pai que acerta a colocação dele no vestibular, antes de qualquer resultado oficial, fazendo cálculos e mais cálculos estatísticos que ainda nem inventaram. Meu filho não vai ter um pai cujo maior prazer da vida é trancar a casa com todos dentro no final do dia, para sentir que a família ainda não se separou, nem que seja só por aquele instante. Não vai ter conforto nas frases repetidas, quando tudo o que se precisa é escutar o que já se sabe, da mesma maneira de sempre, para sentir-se em casa; pois sou bem mais complicado do que isso. Essas coisas eu não vou fazer, mas vou fazer outras, espero que suficientes para que meu filho tenha um dia vontade de contar para todos como somos grandes amigos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5156619662949933536?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5156619662949933536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5156619662949933536&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5156619662949933536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5156619662949933536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/07/o-que-meu-filho-no-vai-ter.html' title='O que meu filho não vai ter'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6683333557928368783</id><published>2008-07-05T09:34:00.001-03:00</published><updated>2008-07-05T09:35:34.902-03:00</updated><title type='text'>Walda</title><content type='html'>Walda era moça doce à primeira vista, mas que com o tempo, quando se conhecia melhor, era ardida e grudenta. Pobre do homem que cedia aos seus encantos sem maiores cuidados. Foi o caso de Júlio, que começou a namorar Walda em Agosto e a largou em Setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso se deu da seguinte maneira. Se encontraram numa destas casas de shows, onde tocava uma banda de pagode iniciante, com nome engraçado e talento duvidoso. Júlio, como sempre, estava encostado no balcão, fazendo calo no cotovelo enquanto tomava seu quinto gim com soda. Walda dançava com as amigas, escondida na fumaça de gelo seco que saia do palco onde a Jeito Malaco - acho que era esse o nome infame - tocava sua quinta música, que parecia muito com a primeira, a segunda, e todas as outras. Walda era linda e estava bem vestida, um mulherão que Júlio não podia nem sonhar em ter. Mas quem disse que a lógica interfere no mundo dos sonhos. Júlio olhava para Walda como um cachorro olha para o frango que gira na padaria. E Walda girava, e girava, e a cabeça de Júlio também, um pouco pelos efeito dos agora sete gins, muito pelo encanto da moça linda que continuava a girar. Quando viu que seus dois amigos, Jorjão e Felipe, já estavam arranjados com suas respectivas Waldas, tomou coragem e foi. Eram 23:37 do dia 31 de Agosto. "Nunca te vi por aqui", começou Júlio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca estive aqui! - respondeu Walda animada.&lt;br /&gt;- Gosta do Jeito Malaco? - ainda não tenho certeza se era esse o nome da banda.&lt;br /&gt;- Não muito, mas estou realmente muito bêbada, nem ligo.&lt;br /&gt;- Legal.&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- O que, o que?&lt;br /&gt;- O que é legal?&lt;br /&gt;- Ah, só falei por falar. Sou meio tímido.&lt;br /&gt;- Ah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou cinco minutos para começarem a se agarrar ao som dos pagodeiros. Demorou mais cinco para Walda falar em namoro e deixar Júlio apavorado. Em menos de meia hora Júlio saia correndo do lugar, com a Walda gritando atrás dele. "O que foi que eu fiz? Por que você não me ama mais? Quem é essa outra vagabunda?"  Júlio não entendeu nada, e como já não era disso, nunca mais arriscou tirar o cotovelo do balcão. Jorjão e Felipe tiram sarro dele até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6683333557928368783?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6683333557928368783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6683333557928368783&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6683333557928368783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6683333557928368783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/07/walda.html' title='Walda'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4904119370178984404</id><published>2008-06-28T20:48:00.001-03:00</published><updated>2008-06-28T20:49:50.083-03:00</updated><title type='text'>Veranico de Maio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Para os que adoram o verão, existe uma última esperança antes do inverno chegar, o famoso &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;veranico&lt;/span&gt; de maio. Poucos dias de sol e calor no final do mês, que fazem lembrar o verão que semanas antes chegara ao seu final. Apesar das condições climáticas quase idênticas, estes dias podem ser verdadeiramente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;incômodos&lt;/span&gt; para alguns, principalmente os mais nostálgicos, pois só fazem lembrar como estava bom o verão, e que aquela ilusão logo acabaria e o inverno em breve chega, forte e incontestável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, no meio dos meus 33 anos de idade, apareceu uma espinha no meio da minha cara. A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;reação&lt;/span&gt; normal seria tratá-la imediatamente para evitar ser confundido com um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;chokito&lt;/span&gt; envelhecido, mas fiz &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;exatamente&lt;/span&gt; o contrário. Tenho cuidado dela com o maior carinho, fazendo o possível para que ela dure o máximo possível. É meu último suspiro de juventude. É minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;espinhica&lt;/span&gt; dos 33, anunciando o fim da adolescência, algum tempo depois de ela já ter acabado. Ela está para a adolescência assim como o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;veranico&lt;/span&gt; está para o verão. A diferença é que estou me agarrando a ela como ela se agarrava a mim, quando as tinha de montes e não queria nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca dei bola para a idade, mas tem sido um ano difícil. Não sou religioso, nem tenho certeza que Jesus existiu, mas seu mito &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;inflacionou&lt;/span&gt; os 33. Com esta idade já tinha feito tanto, influenciado tanta gente e morrido de forma tão épica, que é difícil não achar que se está envelhecendo aos 33. Enquanto escrevo percebo que minha derradeira companheira de juventude está indo embora. Minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;espinhica&lt;/span&gt; se vai, o inverno já chegou. Como não pretendo ser crucificado, pelo menos por enquanto, me resta esperar o próximo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;veranico&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4904119370178984404?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4904119370178984404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4904119370178984404&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4904119370178984404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4904119370178984404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/06/veranico-de-maio.html' title='Veranico de Maio'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6284562647567594726</id><published>2008-06-10T22:17:00.003-03:00</published><updated>2008-06-11T05:55:37.228-03:00</updated><title type='text'>Feiosa</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Enxergo grandeza onde não existe. Acredito na importância do que não é. Exagero nas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;reações&lt;/span&gt;. Sou assim desde pequeno, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;notadamente&lt;/span&gt; no campo turístico.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Quando tinha uns 8 ou 9 anos, fui com meus pais e irmãos para Foz do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Iguaçu&lt;/span&gt;. Além de conhecer as cataratas, tínhamos a intenção de fazer algumas compras no Paraguai, que naquela época de economia fechada era ainda mais atraente. Era minha primeira viagem “internacional” e eu estava emocionado. A viagem durara horas e ainda estávamos em Cascavel, cidade do interior do Paraná que fica a mais ou menos uma hora de Foz do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Iguaçu&lt;/span&gt;, fronteira com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Ciudad&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;del&lt;/span&gt; Este. Meu pai ligou o rádio e sintonizou uma estação paraguaia. Segundo relato dos meus pais, quando a música que tocava terminou e o locutor começou a falar em castelhano, eu chorava de emoção e gritava “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Assunción&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Assunción&lt;/span&gt;”.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Anos mais tarde, na minha primeira viagem internacional de verdade, fui para um congresso na França. Depois de uma semana passeando em Nice, onde teoricamente aconteceu o congresso, fomos, eu e minha mãe, para Paris. Passeamos por tudo, mas foi no museu do escultor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Rodin&lt;/span&gt; que dei meu segundo bola-fora internacional. Pagamos os ingressos e antes de entrar no museu atravessamos um jardim muito simpático, com uma vista bonita da cúpula dourada da igreja do complexo de &lt;i&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Les&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Invalides&lt;/i&gt;, que fica logo ao lado. No meio do jardim, para nossa total surpresa, exposta ao tempo estava a obra-prima do escultor, &lt;i&gt;O Pensador&lt;/i&gt;. Era muito maior do que imaginávamos, e muito mais bonita. Tirávamos fotos sem parar, de todos os lados e ângulos possíveis. E o melhor, ninguém nos atrapalhava. Nenhum japonês para nos tirar da frente da estátua. Era um milagre turístico. Quase não entramos no museu, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;objetivo&lt;/span&gt; já estava mais do que alcançado. Entramos por obrigação de quem já tinha pago os ingressos e descobrimos, bem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;quietinhos&lt;/span&gt; para ninguém saber que &lt;i&gt;O Pensador&lt;/i&gt; é uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;estatuazinha&lt;/span&gt; pequenina, protegida por vidros, difícil de fotografar e cheia de japoneses em volta, bem guardada no interior do museu.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Há algum tempo fui com minha esposa e um casal de amigos para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Morretes&lt;/span&gt;. Nosso plano era descer a Serra da Graciosa e, para os que não ficassem com o estômago embrulhado nas curvas da serra, comer um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;barreado&lt;/span&gt; tradicional na chegada. Era a primeira vez que eu faria este &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;trajeto&lt;/span&gt;, e como sou meio perdido por natureza, não seria desta vez que acertaria o caminho de primeira. Fomos embora e já no começo da estrada comecei com os devaneios. Achava tudo muito &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;bacana&lt;/span&gt;, cada curva, cada ponte, cada pedacinho de mato. Meus três companheiros de viagem não mostravam a mesma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;empolgação&lt;/span&gt; e eu ficava indignado. No fundo eu também estava achando aquela Graciosa meio sem graça, mas não queria admitir. No final das contas, quando já deveríamos estar chegando em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Morretes&lt;/span&gt;, chegamos no início da verdadeira estrada da Graciosa. Até então estávamos circulando por uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;estradinha&lt;/span&gt; sem-vergonha, na qual haviamos nos perdido achando que estávamos achados. Depois de muita risada, apelidamos a falsa Graciosa de Feiosa. E essa não foi a pior desta viagem. Chegando em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Morretes&lt;/span&gt;, sentamos em um restaurante na beira do rio. Enquanto esperávamos o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;barreado&lt;/span&gt; assassino, batendo um bom papo, avistei um peixe azul enorme brilhando na correnteza do rio, pulando para fora da água. A esta altura vocês já imaginam minha comoção. Já estava puxando a máquina de fotografias, que ainda não era digital, quando o povo começou a gargalhar. Não entendi a comédia da situação até ver novamente que o peixe azul na verdade era o chinelo azul de algum local que nadava animado rio abaixo.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Depois desta última, desisti de me empolgar com as coisas. Pelo menos até ter certeza de que não é furada. Por via das dúvidas, quando estou indo para outro país, evito sintonizar as rádios locais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6284562647567594726?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6284562647567594726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6284562647567594726&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6284562647567594726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6284562647567594726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/06/feiosa.html' title='Feiosa'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4323665041015764588</id><published>2008-05-26T16:22:00.002-03:00</published><updated>2008-05-26T16:25:25.463-03:00</updated><title type='text'>Elliot</title><content type='html'>Meu pequeno cão tem nome, olho e latido de roqueiro. Atende por Ozzy,tem uma máscara preta tipo as do pessoal do Kiss e grita feito o Iggy Pop. Mas foi de outra celebridade que lembrei quando comecei a tossir. Com menos drama e fantasia do que no filme que fez de Steven Spielberg quem ele é hoje, o Ozzy é meu E.T.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre morei em apartamento, nunca gostei de pescar, caçar, subir em árvore, andar a cavalo ou de qualquer outra atividade campestre. Nunca tive qualquer tipo de bicho de estimação, e achava que tratar cachorro como gente era o fim da picada. Bom, tudo isso até que meu pequeno E.T. aparecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso envergonhado que vejo ele fazer coisas dignas de uma pessoa com bom nível de inteligência, converso com ele como conversaria com meu melhor amigo e me emociono com qualquer latido diferente. Outro dia me peguei tentando ensiná-lo a cantar como Mademoseille Nobs, a cachorrinha blueseira do vídeo do Pink Floyd. Se ela pode, por que meu Ozzão não poderia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bebezão, com a chegada do frio ele pegou uma gripe forte. É de cortar o coração vê-lo derrubado pelos cantos, sem comer, tossindo sem parar e me olhando lá de baixo como se eu pudesse curá-lo. Faz dias que ele está no antibiótico tentando melhorar. Há alguns dias comecei a tossir. Ando meio cabisbaixo e já me receitaram antibiótico. Assim como o menino Elliot do filme de Spielberg, estou sentindo o que meu cão sente. Hoje acordei cedinho como sempre, com a bexiga cheia fui correndo para a área de serviço, onde o chão fica coberto de jornais. Me dei conta a tempo. Seria caso para camisa de força, se já não for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4323665041015764588?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4323665041015764588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4323665041015764588&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4323665041015764588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4323665041015764588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/05/elliot.html' title='Elliot'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8561443047940985769</id><published>2008-04-11T13:12:00.003-03:00</published><updated>2008-04-11T19:36:49.128-03:00</updated><title type='text'>Carta aos confusos</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Eu estou a aproximadamente uns 10.000 metros de altura, voltando de mais uma viagem de tabalho. Estou cansado e sob o leve efeito de meio copo de plástico de vinho tinto francês vagabundo, servido com o micro jantar do avião. Por sorte estou sozinho em dois bancos, o que me dá espaço e privacidade para escrever. Já estava me preparando para encostar e tentar dormir quando resolvi embalar o sono com música. Têm 3 coisas que não podem acabar no meio de um vôo longo, a bateria do i-pod, a bateria do notebook e o livro que você está lendo. Bom, há uma quarta é claro, a gasolina do avião, mas nessa não vou me deter agora.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Procurando o som ideal para dormir, quase já parando no meu mais novo melhor amigo de viagens, Bob Dylan, percebi que as 4 músicas novas do Confusion estavam no aparelhinho. Já as havia escutado uma vez em casa e gostado bastante, mas agora foi diferente. Não é o vinho, nem o sono, nem o fato de serem meus grandes amigos e muito menos de eu ter participado de alguns anos da banda. É fato, o som dos caras está do caralho. Muito bom mesmo. Alguns detalhes de guitarra, um pouco escondidos pela má qualidade da gravação, o vocal ao estilo Wacky Kids (diga-se de passagem uma grande referência), a sempre poderosa e criativa bateria e o baixo bem marcado e untuoso marcam uma nova etapa na vida da banda, grandiosamente promissora.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Por coincidência estou no meio de um livro bem interessante com histórias de pessoas que por algum motivo têm problemas ou dons especiais relacionados à musicalidade. Uma das síndromes apresentadas por algumas pessoas chama-se amusia, um quadro onde a pessoa não consegue distinguir tons e algumas vezes até ritmos musicais. Em um dos relatos a pessoa diz que quando escuta música, parece que um trem está passando sobre a sua cabeça. Com certeza ela não escutava as últimas do Confusion, que mais parecem um trem descarrilhado e cheio de cores flutuando sobre a nossa cabeça.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Agora as baterias do i-pod e do notebook já podem acabar tranquilamente. O livro eu sei que ainda dura até Curitiba e a gasolina, espero eu, tem de sobra, assim como o gás desta grande banda de punk rock.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8561443047940985769?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8561443047940985769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8561443047940985769&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8561443047940985769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8561443047940985769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/04/carta-aos-confusos.html' title='Carta aos confusos'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5406103505625034563</id><published>2008-04-05T09:09:00.006-03:00</published><updated>2008-04-05T19:16:43.036-03:00</updated><title type='text'>Grandes Questionamentos</title><content type='html'>&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Grandes questionamentos acerca da vida moderna de hoje-em-dia neste mundo globalizado onde a velocidade das mudanças alcança níveis nunca antes imagináveis, da exceção se faz a regra, se fuma menos e se corre mais&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Será que o carro elétrico será bivolt? Se não for, como é que eu vou fazer para ir a Santa Catarina? Já é difícil ter que carregar o transformador do secador de cabelos de minha mulher, imagina o do carro. Me resta torcer pelo bom senso dos engenheiros, ou seja, tô lascado!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando um fotógrafo profissional entra em ação em festas de casamento e formaturas, geralmente tira mais de uma foto como garantia. Garantia de que? Se tira a foto do povo na mesma posição, com a mesma luz e o mesmo fundo, qual a vantagem? Na era da fotografia em filme até dava para entender, mas com a tecnologia digital fica difícil. Se o cartão de memória pifar, dificilmente (para não dizer impossivelmente) alguma foto se salva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se manteiga fazia mal e margarina era a solução, como é que hoje é o contrário? Não sabiam antes ou queriam vender mais margarina? Veja bem, não estou reclamando, manteiga é bem, mas bem melhor. Aliás, neste tema de coisas que faziam mal e agora fazem bem e daqui a pouco farão mal novamente temos vários exemplos. Mas não vou ficar fazendo lista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hoje mandei um email para meu vizinho de mesa no trabalho cobrando um prazo que tínhamos combinado. O cara ficou puto e disse “porra meu, eu tô aqui do teu lado, vira a cabeça e fala o que você tem prá falar”. Respondeu por email.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Falando em email, recebo uns 40 por dia, a grande maioria de pessoas que querem resolver seus problemas sem tirar a busanfa da cadeira. Gente moderna que tira duas fotos da mesma pose, que já está preocupada com o carro elétrico em Santa Catarina e não vive sem manteiga ou, dependendo da época, margarina. A grande maioria gente muito boa mas que se preocupa demais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5406103505625034563?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5406103505625034563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5406103505625034563&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5406103505625034563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5406103505625034563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/04/grandes-questionamentos.html' title='Grandes Questionamentos'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2685228590681739163</id><published>2008-03-09T09:16:00.003-03:00</published><updated>2008-03-09T09:20:18.445-03:00</updated><title type='text'>Memórias da barriga</title><content type='html'>Não sou compulsivo com comida, mas desde sempre uma das coisas que mas me deixa irritado é estar com fome. Se tenho uma reunião de trabalho que começa ao meio-dia, tenho que comer alguma coisa antes para conseguir me concentrar no assunto. Se vou jantar fora e a comida começa a demorar, começo a olhar para os lados e perder a paciência. Acho que é mais uma herança de família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha avó paterna era viva e íamos almoçar na casa dela aos domingos, invariavelmente as crianças estavam com fome muito antes do almoço ficar pronto. Minha avó, que não conseguia ver os netos descontentes, improvisava um pão francês com margarina e açúcar que, se no conceito parece terrível, na prática salvava nossas vidas, e principalmente a dos adultos, que não precisavam ficar aguentando choradeira. Esta receita é uma das primeiras das quais me lembro com muito carinho. Nunca tive coragem de experimentar depois de adulto, para não estragar a boa lembrança. Já cometi este erro ao assistir à versão original da Fantástica Fábrica de Chocolates recentemente, e estragar uma das memórias mais bacanas que uma pessoa que era criança nos anos 70 e 80 poderia ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra lembrança dos meus tempos de criança eram os pasteizinhos de requeijão que minha mãe fazia. Na verdade não eram pastéis e não eram de requeijão. Eram como pequenas esfihas fechadas, recheadas com ricota temperada, uma receita árabe que leva aquele nome por algum motivo que ignoro. O fato é que a cada fornada que saía, minha mãe ia enchendo um tupperware verde, que ficava escondido atrás da porta da cozinha para que, com o seu consentimento tácito, os roubássemos aos poucos, antes de esfriar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro também, com não menos água na boca, das esfihas da minha outra avó. Esqueça tudo o que você comeu como esfiha por aí. Aquilo sim é que era esfiha. Primeiro vamos esclarecer algumas coisas, esfiha fechada é coisa de bar (com a exceção do pastelzinho de requeijão descrito acima), esfiha de queijo ou, mais recentemente, de chocolate, é coisa de fast food árabe de quinta categoria. Esfiha é aberta, de carne, assada no forno, com muita manteiga. E era assim a da minha avó, uma receita magnífica e inimitável. Na verdade, muitas receitas desta avó merecem a mesma classificação, como o quibe recheado com gordura de carneiro assado na brasa, ou a tripa de carneiro recheada e assim por diante, mas vou parar na esfiha, que é a lembrança mais querida que guardo daqueles tempos de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos, onde tudo tem que se encaixar em alguma classificação, deram às comidas caseiras, simples e que lembram a infância, o nome de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comfort food&lt;/span&gt;. Não creio que estas receitas que descrevi se encaixem nesta categoria, principalmente porque sinto uma fome incontrolável e extremamente desconfortável ao me lembrar delas. Como ainda falta um bom tempo para o almoço, vou ali preparar um pão com margarina e açúcar antes que eu me irrite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2685228590681739163?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2685228590681739163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2685228590681739163&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2685228590681739163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2685228590681739163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/03/memrias-da-barriga.html' title='Memórias da barriga'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-487541139251726304</id><published>2008-03-02T19:47:00.002-03:00</published><updated>2008-03-02T19:51:16.573-03:00</updated><title type='text'>Uma carreira brilhante</title><content type='html'>Apagou o cigarro de cravo no cinzeiro do corredor. Era coisa de moleque fumar cigarro de cravo. No corredor da empresa onde fazia estágio era no mínimo de mau gosto. Desceu as escadas para o andar térreo, onde ficavam a maioria de seus colegas, que já o esperavam para o almoço. Odiava o almoço, estava acostumado com a comida da mãe. Também não gostava muito dos colegas, achava todos um saco. Tinha um futuro promissor. De poucos amigos e provavelmente infeliz, mas promissor.&lt;br /&gt;Lá pelas tantas resolveu que sua opinião sobre a economia do país seria relevante. Despejou uma série de chavões, colecionados nos jornais e revistas que lia, e dos noticiários aos quais assistia. A maioria de suas opiniões eram contraditórias, às vezes até preconceituosas e ultrapassadas. Era sempre aplaudido, mais por medo do que por respeito. Sabiam que tinham seu futuro presidente diante de si. Para alguns era triste imaginar o seu destino, liderados por este homem.&lt;br /&gt;O tempo passava e ele ia ganhando confiança, e perdendo adeptos. Almoçava em sua mesa, pois tinha vergonha de sentar-se só na cantina. Como previsto foi crescendo na hierarquia, e na arrogância. Andava cada vez mais bem vestido. Trocou os infantis e decididos cigarros de cravo pelos adultos e mal resolvidos charutos cubanos.&lt;br /&gt;Estava muito próximo da presidência. Era odiado pela maioria e vivia agora isolado, como ficam os que têm grande poder. Passava muito tempo viajando, a trabalho. Sua missão era deixar os outros trabalhar. Sempre a cumpria, enquanto inventavam para ele uma nova desculpa para dele se livrar por mais uma ou duas semanas. Feira no exterior, MBA em outra cidade, férias num fim de mundo, tudo pago pela empresa. O currículo de feitos crescia, o de conquistas minguava e o de resultados não existia. E a previsão ia se cumprindo.&lt;br /&gt;Assumiu a presidência com pompa. Fez o mesmo discurso torto que fazia antigamente sobre a economia do país, só que um pouco mais atualizado e confuso. Foi aplaudido, na medida certa entre o desconforto, o cinismo e o entusiasmo. Este último para evitar constrangimentos. Ao seu lado, com um sorriso forçado e bem ensaiado, estava seu pai, que naquele momento entregava para ele a obra da sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-487541139251726304?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/487541139251726304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=487541139251726304&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/487541139251726304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/487541139251726304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/03/uma-carreira-brilhante.html' title='Uma carreira brilhante'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2193883147315608064</id><published>2008-01-31T08:21:00.000-02:00</published><updated>2008-01-31T08:31:59.916-02:00</updated><title type='text'>Vôo solo</title><content type='html'>&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Somente depois de várias horas conseguiu relaxar completamente. Não era a primeira vez em Paris, mas desta vez as coisas seriam diferentes. Sabia que tinha que fazer o check-in no hotel e sair correndo. Não havia muito tempo para descansar, e nem queria, tinha que resolver a situação de uma vez por todas. Esperara sete anos por esta oportunidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pegou o mapa do metrô na recepção do hotel e viu que era exatamente o mesmo mapa de sete anos atrás. Desenhou mentalmente a rota e saiu correndo. Estava sujo, sem dormir e com a dor de cabeça que sempre tinha quando bebia no avião, não importava, sua missão era mais importante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Subiu correndo as escadas da estação Cambronne, desceu na Trocadero, correu para pegar o segundo trem, passou vergonha quando teve que pular para dentro enquanto a porta fechava. Fez cara de turista bobo para não deixar dúvidas e sentou no banquinho retrátil da porta traseira do vagão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esta segunda perna da viagem era bem mais longa, com umas oito ou nove estações. Teve tempo de pensar no que o aguardava. Lembrou de quando fizera o mesmo trajeto, saindo do mesmo hotel, mas sem nenhuma pressa, em outros tempos. Deteve seu pensamento em detalhes simples, mas para ele significativos, como a chuva que batia forte na janela do metrô na primeira vez em que estiveram lá. Sim, daquela vez não estava só.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Desceu na estação errada, não lembrava muito bem. Resolveu andar o resto do caminho. Correu. Chegando lá olhou para todos os lados, se deteve um pouco na porta, quis garantir que seria igual. Já não era, pois como já foi dito, desta vez não estava com ela. Entrou, pediu um lugar para duas pessoas, sentou-se e pediu o mesmo prato e quase o mesmo vinho. Não tinha mais o que haviam tomado juntos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:arial;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tomou goles rápidos do vinho antes de comer qualquer coisa, para tomar coragem. Olhou para todos os lados, por sorte o restaurante não estava tão cheio. Corou um pouco do vinho, bastante de vergonha. Puxou o celular, discou o número e colocou no viva-voz. Posicionou-o no lugar vazio, serviu as duas taças de vinho e esperou. Quando ela atendeu, os dois caíram na gargalhada. Era isso, anos depois lá estavam eles, curtindo novamente e de maneira bizarra um dos melhores momentos de suas vidas. Da próxima vez quem sabe ela consegue vir junto, então será possível que o dono do restaurante não chame a polícia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2193883147315608064?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2193883147315608064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2193883147315608064&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2193883147315608064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2193883147315608064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/01/vo-solo.html' title='Vôo solo'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3905593132760699296</id><published>2008-01-12T21:30:00.000-02:00</published><updated>2008-01-12T21:41:01.800-02:00</updated><title type='text'>Passeio</title><content type='html'>Saíram os três para um passeio vespertino à beira-mar. Se conheciam desde pequenos e tinham uma amizade daquelas que duram todo o verão. Foram longe conversando sobre os planos para o novo ano. Que cursos fariam, que amores esqueceriam e quanto dinheiro deixariam de guardar com as bebedeiras, as viagens e outras atividades de igual importância. Já iam longe e tinham resolvido quase todos os problemas do ano que começava quando Marcelo, o mais velho, falou de como sentia-se bem na companhia dos outros dois e levou uma vaia. Era permitido sentir-se bem, mas não precisava falar sobre isso, era óbvio e estragava o momento. Marcelo sempre falava demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rose era a mais nova, e a única mulher. Marcelo e Carlos cuidavam dela como irmã, coisa que ela adorava, quase sempre. Era geniosa e de longe a mais inteligente dos três. Também a mais boêmia e promíscua, para desespero dos outros dois. Ficava com um cara diferente a cada noite, não antes de judiar bastante do pobre coitado e, é claro, de Marcelo e Carlos. Não era bonita, nem tinha corpão, mas era tão segura de si que deixava os homens loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papo evoluiu (ou involuiu) para a noitada do dia anterior. Carlos, que tinha uma necessidade desesperada e inconveniente de saber de tudo aos detalhes, queria uma descrição completa das aventuras de Rose com o baixinho de olho puxado que ela havia agarrado no bar onde estavam. Carlos insistiu tanto que Rose, para provocar, resolveu contar. A chegada desastrada do japonesinho, o primeiro drink , os beijos na mesa do bar e os "um pouco mais que beijos" no corredor dos banheiros. Quando ela se preparava para contar em detalhes a trepada que deram no estacionamento, ele interrompeu aos gritos. "Chega Rose, agora chega."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos ria nervoso. Escondia de Rose que a amava desde sempre, e achava que saber de todas as suas histórias era uma forma de estar no controle, de não ter o coração pisoteado de surpresa. Marcelo estava inquieto, mas não com a história que a amiga acabara de contar. Sabia do amor secreto e sofrido de Carlos por Rose. Infinitamente menor que o dele por Carlos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3905593132760699296?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3905593132760699296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3905593132760699296&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3905593132760699296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3905593132760699296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2008/01/passeio.html' title='Passeio'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5282515116252327924</id><published>2007-12-08T16:38:00.000-02:00</published><updated>2007-12-08T16:39:12.203-02:00</updated><title type='text'>Chuveiros</title><content type='html'>É difícil sair da sala sem acordar o cachorro. Ele fica com a cabeça no chão, cobertorzinho na boca, fingindo acompanhar meu sono, mas ao menor movimento, levanta e quer brincar. Agora penso naquela história de que cachorro se apega aos donos e não à casa. Pelo menos neste quesito ninguém pode me chamar de cachorro. Desde pequeno tenho a característica de me apegar exageradamente aos locais onde resido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de morar os primeiros nove anos da minha vida em um apartamento com meus pais e irmãos, os velhos resolveram que o lugar estava pequeno. Era um apartamento no décimo andar de um edifício que leva o nome da minha avó, e não por coincidência. O terreno era de meu avô, e o nome do edifício, as lojas do andar térreo e mais três apartamentos foram o preço que meu avô cobrou dos construtores. Um dos apartamentos ficou para meus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses antes de mudarmos para o novo apartamento, que ainda estava em construção, os novos donos do nosso exigiam a entrega. Um de meus tios tinha ficado com o apartamento de baixo, o qual ocuparíamos até que o novo nos fosse entregue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da mudança, que consistia em descer todas as tranqueiras do décimo para o nono andar, eu tive minha primeira crise de nostalgia imobiliária. Com apenas nove anos de idade, achava que minha vida estaria acabada fora daquele apartamento. Não conseguia vislumbrar um futuro satisfatório. Nos últimos minutos, com toda a mudança já feita, meus pais não conseguiam me encontrar para fechar o apartamento e entregar as chaves. Vasculharam cada cômodo e quando abriram o boxe de vidro do banheiro me encontraram agarrado ao chuveiro, chorando. Pelo pouco que lembro, não foi fácil me convencer a sair dali. Minha tristeza durou dias, quem sabe até semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações similares, apesar de mais discretas, aconteceram ao longo da minha vida. Quando mudei para Curitiba, quando casei, enfim, todas as vezes que tive que deixar meu lar, aquele sentimento apareceu novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é o último dia no meu primeiro emprego. Fazem coincidentes nove anos que estou por aqui e resolvi que era hora de conhecer outras casas. Além do óbvio apego às pessoas que fizeram parte destes nove anos, principalmente a minha equipe, que vai deixar uma saudade tremenda, vou sentir falta deste lugar. Conheço cada canto, cada buraco, cada defeito. Hoje cheguei cedo para aproveitar bem, e a primeira coisa que fiz foi andar pela fábrica e pelos escritórios da empresa. Me segurei bastante para não dar vexame, principalmente quando passei em frente ao chuveiro lava-olhos do laboratório de análises químicas, que não agarrei por pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5282515116252327924?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5282515116252327924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5282515116252327924&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5282515116252327924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5282515116252327924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/12/chuveiros.html' title='Chuveiros'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-9019968992502718140</id><published>2007-12-08T16:37:00.001-02:00</published><updated>2007-12-08T16:37:46.240-02:00</updated><title type='text'>Volta antecipada</title><content type='html'>Pois é, voltei! Não deu para ficar tanto tempo longe quanto eu planejava, mesmo por que a pinta das costas era só uma sujeira antiga que encracou. Uma esponja nova resolveu o assunto.  Já me acostumei com o travesseiro novo e as meias já estão acostumadas com os meus pés. Além do mais, sei que vocês não aguentam mais de saudades das minhas bobagens. Espero que os três tenham se comportado. O que? Só dois? Como assim desistiu? Bom, falando em mudanças, tenho um texto sobre chuveiros. Abraço a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-9019968992502718140?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/9019968992502718140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=9019968992502718140&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9019968992502718140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9019968992502718140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/12/volta-antecipada.html' title='Volta antecipada'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-121212232045628010</id><published>2007-11-22T16:32:00.000-02:00</published><updated>2007-11-22T16:46:18.883-02:00</updated><title type='text'>Já volto ...</title><content type='html'>Amigos leitores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devido a uma série de mudanças radicais em minha vida (travesseiro novo, mudança no enxoval de meias e uma pinta nova que apareceu aqui atrás do ombro) vou dar um tempo nos meus escritos. Prometo que volto logo, daqui a umas quatro ou cinco semanas. Enquanto isso eu sugiro algumas coisas, como largar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mouse &lt;/span&gt;e sair para ver o sol, comer um sanduíche de pernil da mineira, falar mal do Lula ou até mesmo ler outras coisas mais interessantes. Mas não esqueçam de mim, pois espero sinceramente encontrá-los por aqui quando voltar. Todos os três, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-121212232045628010?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/121212232045628010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=121212232045628010&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/121212232045628010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/121212232045628010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/11/j-volto.html' title='Já volto ...'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3670377106207582557</id><published>2007-11-08T15:49:00.000-02:00</published><updated>2007-11-08T15:57:21.207-02:00</updated><title type='text'>Crochê e Dominó</title><content type='html'>&lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-indent: 27.8pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Doutor Bragança acordou cedo naquele dia. Tinha desses nomes Imperiais afetados, mas era pessoa simples e de boa lida. Era simples até para acordar. Sem estardalhaço rolava para o lado da cama, calçava seus chinelos de couro velho e ia fazer o primeiro xixi do dia. Fazia muitos, coisa da idade que andava beirando os oitenta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-indent: 27.8pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Conheceu Dona Genalva quando já não tinham mais os dentes próprios, no banco da praça. Ele jogava dominó na mesinha com seu companheiro de todos os dias, o Seu Armindo, enquanto ela mexia agitada as agulhinhas de crochê. Fazia muito tempo que estavam de flerte, parece que uns três ou quatro dias (muito tempo nessa idade é contado em dias), quando o distinto Doutor Brangança finalmente tomou coragem, caminhou lentamente até o banco onde estava a Dona Genalva, pediu licença para sentar-se a seu lado e iniciou um longo papo, que durou mais de ano. Casaram-se logo, pois não tinham tempo a perder. Iam todos os dias à praça e, quando ele cansava de jogar, gritava para a esposa, "Genalva, vem me buscar que eu estou cansado."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-indent: 27.8pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Dona Genalva era coisa de uns dez anos mais nova que o Doutor Bragança, mas tinha a saúde frágil. Sofria de um mal crônico dos pulmões, que não dava sossego para o marido. Ele mesmo não era especializado em pulmões, aliás, era de um tempo em que medicina era medicina e ponto, mas cuidava de Dona Genalva como nenhum outro médico seria capaz. Tristemente a gravidade da doença da mulher era maior do que os conhecimentos da medicina à época, de sorte (ou, no caso, azar) que ela faleceu em menos de dois anos do dia em que se conheceram. Doutor Bragança ficou inconformado, passou dias sem aparecer para as batalhas de dominó contra o Seu Armindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-indent: 27.8pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Quando voltou, delirava que Dona Genalva ainda estava ali no banco da praça, com suas agulhinhas pulando para todos os lados e seu largo sorriso de dentes comprados. Um dia, cansado de perder no dominó para seu amigo, no meio do terceiro jogo Doutor Brangança soltou a plenos pulmões (os dele eram plenos), “Genalva, vem me buscar que eu estou odiando este jogo”. Olhava para cima enquanto gritava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3670377106207582557?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3670377106207582557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3670377106207582557&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3670377106207582557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3670377106207582557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/11/croch-e-domin.html' title='Crochê e Dominó'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6289516870404930752</id><published>2007-11-05T10:56:00.000-02:00</published><updated>2007-11-05T11:30:46.815-02:00</updated><title type='text'>Canecas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:11;" &gt;Em casa, Marco e Lili não têm condições de receber mais do que meia dúzia de pessoas para um jantar, faltam talheres, pratos e, principalmente, lugares à mesa. Entretanto, se um número absurdamente grande de amigos e parentes resolverem aparecer ao mesmo tempo para tomar um boa caneca de café, as têm para todos. Já improvisaram um pendurador de metal para elas, mas tanto este quanto os armários continuam enchendo. Eles têm de todos os tipos, a saber, das de viagens, das com mensagens de amor, das engraçadinhas, das de propaganda; têm até uma na qual se pode escrever recadinhos com uma caneta especial. Elas não param de chegar, é como se fossem programadas para acabar na casa do casal. Marco às vezes desconfia que no silêncio da noite, com insônia causada pela cafeína, elas se reproduzam. Safadas estas canecas. Marco e Lili têm problemas também quando alguém viaja. Como já criaram a fama de colecionadores, a cada vez que um conhecido escapa de férias ou a trabalho, uma ou mais os são dadas como lembrança da viagem que não fizeram. Outro dia Lili ganhou dos irmãos de Marco uma tamanho família, da loja do Cairo da &lt;i style=""&gt;Starbucks&lt;/i&gt;. É a terceira ou quarta da famosa rede de cafés de Seattle que o casal adiciona à coleção. De bicho então têm várias. Porco, urso, cachorro; se encherem a banheira e as jogarem na água, dá para brincar de Arca de Noé. Mas tem uma caneca que é a preferida de Marco. Ah, esta sim! Parece que o café fica melhor quando servido nesta pequena. Deve ser a preferida dos canecos nas noites de reprodução canecal, não se tem dúvidas. Não é só a mais bonita, mas com certeza é também a mais gostosa. Baixinha, morena, nem magra-palito, nem gorda-balão, &lt;i style=""&gt;Made in Brazil&lt;/i&gt; (o que é raridade hoje em dia, com a invasão das chinesas) e com muitíssima personalidade. Faz um bom tempo que ela é parte da coleção de Marco e Lili, ou seja, já tem uma certa idade, o que confere a ela um ar de experiência que deixa o pobre Marco ainda mais gamado. É a única da coleção que tem o privilégio de não ir para a máquina de lavar louças, frágil que é. Não, esta é lavada à mão, e só por pessoas selecionadas. Um dia uns amigos foram jantar na casa do estranho casal. No final do jantar, como de costume, Marco foi passar um café para todos. Um de seus amigos estava na cozinha com ele, esperando o café ficar pronto. Ele já tinha cuidadosamente separado as canecas para cada um, de acordo com a personalidade, para fazer graça. Por algum motivo, que até podemos imaginar, o amigo achou que combinava mais com a caneca-musa do que com a que o Marco havia separado para ele. Quando ele foi trocar as canecas, Marco pulou no seu pescoço e disse, "Essa não. Essa aí não!" Estranhamente o amigo entendeu na hora a reação de Marco, que com um sorriso aliviado e satisfeito completou, “um dia você acha a sua.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6289516870404930752?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6289516870404930752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6289516870404930752&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6289516870404930752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6289516870404930752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/11/canecas.html' title='Canecas'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2461267097139262076</id><published>2007-10-22T11:21:00.000-02:00</published><updated>2007-10-22T11:30:43.133-02:00</updated><title type='text'>O preço da liberdade</title><content type='html'>Era em torno de quatro da tarde, o sol estava com tudo e o clube cheio. Em um dos cantos da grande propriedade havia um descampado enorme no pé de um declive do terreno, não tão alto, nem tão baixo. Foi ao longo deste declive gramado que as pessoas estavam acomodando-se para assistir à corrida de cavalos organizada pelo clube, com o muito criativo nome de Horse Cross. Aliás, tema de uma próxima história devera ser a capacidade que o povo da minha cidade têm de inventar nomes criativos para as coisas, como a locadora de vídeos que se chama AtreVídeo. Que tal hein? Entendeu? Voltando, a competição se daria justamente no terreno descampado, com alguns obstáculos para dar mais emoção e testar a habilidade dos cavaleiros da cidade, que mais tarde provou-se das menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ser honesto, não lembro de muita coisa, não porque minha memória não me ajuda, mas porque eu não estava dando a menor importância para o evento. Ficar sentado na grama, debaixo do sol, vendo um bando de rapazes da "sociedade" exibindo seus presentes de Natal de quatro patas não era exatamente meu ideal de diversão. Antes esta distração tivesse apenas prejudicado minha memória, coisa muito pior decorreu dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estavam, os cavaleiros e seus brinquedinhos, no meio da corrida. Minha mãe sentada à minha frente, um pouco abaixo no declive, meu pai um pouco mais para o lado, com uns amigos do trabalho. Ao meu lado direito, duas meninas, um pouco mais velhas do que eu. Com certeza eu não tinha idade para estar distraído com as meninas, então deveria ser com alguma outra coisa, muito provavelmente meus próprios botões. De repente, um dos competidores desviou-se da rota da competição e começou a subir o gramado em direção às meninas, minhas vizinhas da direita. Eu continuava distraído, mas percebi que o povo se agitava. O cavaleiro, no meio do desespero, reconheceu as meninas, que eram suas primas e, em um rompante de habilidade tardia, conseguiu desviar o animal para o lado da minha mãe. Ela, que estava atenta à corrida desde o início assustou-se e baixou o corpo de medo. No mesmo momento em que o cavalo viu minha mãe se abaixando, de susto saltou, e eu, de susto levantei. Péssimo momento para resolver conferir o que estava acontecendo. Foi por muita sorte que o cavalo não me atropelou por completo. A única coisa que aconteceu foi que o quadrúpede bateu um de seus joelhos na minha clavícula esquerda. Joelho de cavalo, clavícula de criança, não preciso detalhar o estrago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a Caravan marrom de meu pai estava estacionada a uma distância proibitiva, ele apelou para um amigo, que tinha seu fusca estacionado ali perto, para me levar até o hospital. Enquanto meu velho me carregava em seus braços, eu conseguia ver minha mãe correndo atrás. Se não me engano ela desmaiou umas duas ou três vezes até chegarmos ao Fuscão que, antes que alguém lembre da música, era branco. O caminho de uns sete quilómetros até o hospital foi rápido, minha única preocupação é se teria que tomar injeções. Só lembro da primeira, que me fez dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei no dia seguinte, com um bruta gesso no braço, que deixava só a mão para fora e cobria boa parte do peito e das costas. Fiquei assim um bom tempo, depois trocaram o gesso por um menor, que só cobria o braço, e por fim me libertaram. Algumas semanas de fisioterapia e eu estaria novo, e o melhor, com uma boa desculpa para não me meterem mais em nenhuma fria que envolvesse grama, sol na cabeça e cavalos mal conduzidos. A liberdade afinal tem seu preço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2461267097139262076?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2461267097139262076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2461267097139262076&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2461267097139262076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2461267097139262076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/10/o-preo-da-liberdade.html' title='O preço da liberdade'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-9091290910271159043</id><published>2007-10-21T22:12:00.000-02:00</published><updated>2007-10-21T22:26:09.551-02:00</updated><title type='text'>Seu Dudu e Seu Cominho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;Seu Dudu e Seu Cominho foram figuras que fizeram parte da minha infância, e da minha adolescência em parte. Um era do dia, outro da noite. Ambos capitaneavam, em seus respectivos turnos, a portaria do Edifício Paraíso, onde passei todos os Janeiros ou Fevereiros daquele período, dependendo da escala familiar para utilização do apartamento da praia. Seu Dudu andava arrastando a perna, que tinha uma ferida sempre grande e exposta, como se fosse uma vítima de guerra. Diziam que era uma queimadura grave, sofrida em um acidente de trabalho, mas ninguém tinha certeza. Sempre que ligavam para a portaria ele saudava com fala ensaiada e, por todos os anos que consigo me lembrar, idêntica. Seu Cominho era menos formal, tinha cara de desconfiado e um sorrisinho malicioso de canto de boca. Parecia gostar de todos nós pirralhos, mas dava a impressão que estava sempre a ponto de perder a paciência. De qualquer forma, nossa turma era grande o suficiente para deixarmos os porteiros em paz. Aliás, porteiros de praia, ao contrário daqueles dos edifícios da cidade, têm esta vantagem, as crianças estão sempre ocupadas com outras coisas mais interessante do que encher o saco dos pobres.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;Na maior parte das vezes, o único trabalho que tinham conosco era o de apartar as brigas que dividiam a turma, sempre em duas facções. O negócio era cíclico. A cada temporada os lados que se opunham eram compostos de pessoas diferentes, sendo a somatória sempre a mesma, a turma original. Em várias temporadas as divisões se reagrupavam ainda no final de Janeiro e se dividiam novamente, com outra configuração lá por meio de Fevereiro, deixando a solução definitiva adiada para o ano seguinte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;É claro que se dependesse de mim passaria os dois meses na praia, mas como isso não era possível, preferia quando íamos em Janeiro. O pessoal de Janeiro era o que criava as histórias, os de Fevereiro passavam os primeiros dias entendendo o contexto e o resto das férias batalhando para conseguir um papel no enredo. Quando íamos em Fevereiro os namoricos já estavam definidos, a divisão da turma já estabelecida e os escândalos em andamento. Ou você chegava com uma história acachapante, ou não era ninguém.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;Eu tinha uma vantagem enorme neste contexto. Na maioria das vezes em que Fevereiro era destinado à minha mãe, eu e meus dois irmãos, meu primo já estava lá e tínhamos pelo menos uma semana de sobreposição para que a transição fosse feita e a adaptação se tornasse mais suave.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;Com o tempo os interesses foram mudando, a turma ficou mais unida, e ao invés de brigarmos, começamos a namorar, o que, diga-se de passagem, revelou-se bem mais interessante. Apesar da amizade sólida, ou talvez por causa dela, alguns relacionamentos intra-turma se estabeleceram. Mas foram poucos. O negócio dos meninos era arranjar alguém para “ficar”, como se dizia antigamente, e infernizar a vida dos caras que queriam o mesmo com nossas meninas. Porque na nossa cabeça elas eram como irmãs, e não era qualquer um que podia chegar perto. Elas, claro está, tentavam fazer o mesmo, porém através de meios muito menos diretos e mais intrincados do que os nossos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;Foi nessa época que o Seu Dudu, sendo o dono da noite, teve mais trabalho do que o Seu Cominho. No turno deste segundo estávamos dormindo, ou curtindo a ressaca na praia, enquanto que no de Seu Dudu, estávamos a toda. O velho Dudu só fazia rir cada vez que um de nós chegava tarde da noite, com a cabeça cheia de Capeta, uma bebida estupidamente forte que mistura coisas que nem me atrevo a lembrar. Várias vezes ele nos via dormir no sofá da portaria, tendo o trabalho e a bondade de nos acordar antes que nossos pais entrassem em desespero em algum dos 24 andares do Edifício Paraíso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;Faltam talvez poucos anos para que as crianças e adolescentes comecem a me chamar de Seu. Só espero que eu mereça o mesmo respeito de ser lembrado, como os velhos capitães da portaria dos meus verões na praia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-9091290910271159043?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/9091290910271159043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=9091290910271159043&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9091290910271159043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/9091290910271159043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/10/seu-dudu-e-seu-cominho-foram-figuras.html' title='Seu Dudu e Seu Cominho'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8144653650632481598</id><published>2007-10-11T13:08:00.000-03:00</published><updated>2007-10-13T17:50:43.921-03:00</updated><title type='text'>Um momento de triunfo</title><content type='html'>Quando o pai sentou-se à frente do artista, os dois filhos já tinham passado a sua parte da vergonha. Uma vergonha que valeria a pena, pois imortalizaria as três ótimas semanas que haviam passado juntos, reforçando, ou quem sabe até relembrando, a amizade insubstituível entre pai e filhos. A esta altura já havia em volta do mais velho um bando de turistas, que não paravam de rir enquanto aguardavam a vez de ter suas características mais peculiares exageradas ao extremo pelas mãos habilidosas do caricaturista. Os dois irmãos também não conseguiam parar de rir, dos próprios rostos estampados na folha branca, e do que agora aparecia aos poucos entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabada a obra, o artista a enrolou prendendo-a com um elástico, recebeu seu dinheiro e partiu para a próxima vítima. Os três saíram abraçados, felizes, exaustos de toda a andança de turistas e com saudades de casa. Pararam em um dos restaurantes que circulam a praça dos artistas e pediram um prato típico de mariscos ao molho de vinho branco e manteiga. Enquanto almoçavam, já embalados pelas garrafas de vinho que pediram para acompanhar e com resquícios da fumaça do arguile que haviam fumado seguidamente antes de chegar a Paris na cabeça, começaram uma retrospectiva emocionada da viagem. Uma viagem às origens, uma viagem inesquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembraram da chegada no Cairo e da primeira contemplação do Nilo, da janela do quarto do hotel em que passariam os próximos dias. Lembraram do sufoco das catacumbas das pirâmides que haviam visitado, e da foto com os camelos, igual àquela que a avó tinha tirado, muitos anos antes, a poucos dias de embarcar para o Brasil em sua viagem definitiva. Depois a viagem até a Síria, onde visitaram a cidade do avô, cujo nome de família é muito respeitado, e lembraram do orgulho que sentiram cada vez que faziam festa para eles quando se identificavam, ainda maior do que já sentiam. Cada detalhe da viagem foi curtido entre um mergulho de pão no molho amanteigado dos mariscos e um gole de vinho francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já fosse tarde, decidiram voltar ao hotel, colado no Arco do Triunfo. Ficaram olhando o monumento construído para que Napoleão comemorasse suas vitórias de guerra. Enquanto o pai chorava pela vigésima terceira vez desde que saíram de viagem, cada filho o abraçou de um lado. Desta vez quem passava por perto não ria. A caricatura estava bem escondida e todos sabiam que momentos como este não são de brincadeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8144653650632481598?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8144653650632481598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8144653650632481598&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8144653650632481598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8144653650632481598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/10/quando-o-pai-sentou-se-frente-do.html' title='Um momento de triunfo'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8912300838654330504</id><published>2007-10-05T11:02:00.001-03:00</published><updated>2009-01-17T08:04:21.714-02:00</updated><title type='text'>Affection</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom:14.15pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Apesar de os grandes amigos sempre merecerem nossas homenagens, este texto não se presta propriamente a isto. Quero aqui fazer apenas um justo e tardio reconhecimento ao grande letrista que é este amigo em questão. Conhecemos-nos há uns 15 anos, quando estávamos no segundo grau e o interesse comum pelo rock'n'roll nos levou a uma amizade que dura até hoje. No meio deste tempo, nos primeiros anos da faculdade, não aguentamos nem 15 minutos de um jogo chatíssimo de RPG que uns amigos estavam promovendo, quando resolvemos ir até uma locadora de CDs que tinha aqui em Curitiba. Meu amigo havia recebido umas recomendações de uma banda chamada Bad Religion, que valia a pena escutar. Até então, o rock mais barulhento e rápido que eu suportava era o das novas bandas de Seattle, que estavam surgindo naquela época. Ele também estava mais para Iron Maiden do que para uma banda de hardcore da Califórnia. Mesmo assim, pegamos os dois CDs mais recentes de Greg Graffin, Mr. Brett e companhia e voltamos para o apartamento com o intuito de conhecer a banda e infernizar a vida da rapaziada que continuava insistindo naquele jogo insuportável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom:14.15pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Foi fanatismo à primeira audição. Tanta melodia em cima de uma evolução lenta de poucos acordes de guitarra, sobre uma base velocíssima de bateria e baixo, era uma coisa à qual não estávamos acostumados. Não entendemos nada, mas nos deixou com uma baita pulga atrás da orelha. Com as repetidas audições, um bônus, letras inteligentíssimas e bem encaixadas nas melodias. Acho que foi neste momento que decidimos no nosso inconsciente que queríamos ter nossa própria banda. É claro que tinha um pequeno problema. Quase desprezível. Não sabíamos tocar nenhum instrumento que se valesse ao punk rock. Eu havia estudado piano quando criança, mas não servia de nada, mesmo porque eu não lembrava muito, e piano em punk rock é a mesma coisa que calda de chocolate em cima de um bom pedaço de picanha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom:14.15pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Poucos anos depois (ou quem sabe apenas meses, não consigo lembrar), após algumas tentativas de banda, e depois de ter aprendido os acordes básicos de violão com meu irmão, apareci na casa do meu amigo com uma música pronta. Música e letra, diga-se de passagem. Apesar da letra sofrível, a música até que era legal. Àquela altura meu amigo já havia se revelado como vocalista de uma banda de covers e decidimos gravar aquela que seria a primeira de uma série de músicas que escreveríamos em parceria. Violão com captador ligado a um amplificador Marshall que eu tinha ajudado meu irmão a comprar, microfone ligado no toca fitas para captar a voz e o barulho do violão distorcido e estava armado o primeiro estúdio de gravação que enfrentaríamos ao longo dos quase 10 anos em que ficamos à frente da banda. Estas gravações existem, mas eu garanto, você não quer escutá-las.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom:14.15pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Em todo este tempo fizemos várias músicas juntos. Para algumas, como eu compunha a melodia em casa sozinho, acabava trazendo a letra pronta. Para outras, mostrava a música para meu amigo, que geralmente fazia a letra na hora, ou encaixava alguma letra que já tinha aprontado. Era nesses momentos que o melhor surgia, e é aqui que finalmente quero fazer meu reconhecimento. Apesar de termos sempre escrito em inglês, pois nossa língua natal é ingrata para quem não tem o dom da poesia embutido, meu amigo conseguiu escrever letras que colocam no chinelo qualquer bobagem das que se escuta nas FMs do país.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom:14.15pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ontem, depois de muito tempo, passeando com minha esposa de carro pela cidade, resolvemos escutar um dos discos que gravamos com a banda. A certa altura começou a tocar uma daquelas músicas que escrevemos juntos, sobre um amigo nosso que havia se suicidado há muitos anos, quando veio a frase, "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;can't you feel the chill that's in the room, we were allways there for you, in a way you couldn't see. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Just like the new paths for your life, the pessimism and tears were only in your mind.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;" &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;A tradução do nome da música era "Você realmente tinha que ir?" Não consigo pensar em maior homenagem a um amigo que tinha decidido deixar a vida para outra hora. As letras não eram somente sobre o desespero de viver, tinha algumas bobagens também, de significado muito íntimo como "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Hangover in PG&lt;/i&gt;", que fala sobre um dia de ressaca após uma saída com os amigos na nossa cidade natal. Uma bobagem de muito significado, pois foi nessas saídas que resolvemos muito de nossos problemas. Uma espécie de terapia coletiva, onde substituíamos o psicólogo por um garrafão de 5 litros de vinho Campo Largo, um clássico. Existiam também as letras políticas, de revolta contra o sistema, típicas de universitários, mas perceba a classe, "&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Aren't your hands full yet? &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;The harder we try, the harder we fail. Nature runs its own path. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Solutions won't arrive in your mail&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;". Genial! E assim vai. Tinha letras sobre relacionamentos, amizade, atos de atentado ao pudor em estradas escuras, e assim por diante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom:14.15pt;text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Não tenho como não terminar este sincero texto com mais uma citação. É a letra de uma de nossas melhores e mais conhecidas músicas, que exprime o tipo de amizade que conseguimos criar no nosso pequeno grupo, que desde a adolescência se importava muito mais com o conteúdo do que com a forma. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;"&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;The whole pain of the world has hit me now. Our envy of success, the foolish quest for no love sex. All the drugs and drinks that unable us to think. Affection is something missed these days. Affection, oh oh oh, affection!!!&lt;/i&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8912300838654330504?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8912300838654330504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8912300838654330504&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8912300838654330504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8912300838654330504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/10/affection.html' title='Affection'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3410650278082844811</id><published>2007-10-04T13:05:00.000-03:00</published><updated>2007-10-04T13:07:43.559-03:00</updated><title type='text'>Se não fosse o cincão ...</title><content type='html'>Os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio. Ô velha estridente. Minha vida era boa até, meio sem sal, mas boa. Só não dava para aguentar a gritaria que ela fazia o tempo todo. Como ainda faltava muito para ter condições de sair de casa, resolvi encurtar o caminho. Ainda era virgem, não tinha feito grandes males a ninguém, respeitava meus pais, não fumava, não bebia e não torcia pro Flamengo. Pela minhas contas, com exceção do pecado de tirar minha própria vida, tinha boas chances de escapar das Trevas. No máximo um breve estágio pelo Purgatório, mas como tinham acabado de decidir que este não existia mais, minhas chances de ir direto para o Paraíso eram altas. Comprei um tubo de veneno para ratos e mandei bala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferrou, vim parar direto no caldeirão do chifrudo. Aparentemente aquele cincão que eu roubei da caixinha da cozinha semana passada é que desempatou o embate entre Deus e meu atual chefe. Este relato é breve pois os intervalos aqui são muito curtos e extremamente vigiados. Falar que o calor é infernal só prova meu péssimo gosto para piadas, pois este é um fato sabido. Tem muita gente aqui, a maioria em condições bem piores do que a minha. Gente de grandes delitos, de coisas incontáveis. Uma vez por semana podemos comer alguma coisa. Como estou no estágio mais light de todos, consigo fazer boas refeições semanais. Sempre sobra um dedinho ou um tornozelo, às vezes, com muita sorte, um pedaço da coxa. Não existe hora de dormir, mas também não existe sono. Vou levando, foi só uma questão de acostumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim não perco as esperanças. Quem sabe quando a velha bater as botas e cair por aqui, me dêem razão de ter me matado. Isso aqui vai virar um Inferno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3410650278082844811?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3410650278082844811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3410650278082844811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3410650278082844811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3410650278082844811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/10/se-no-fosse-o-cinco.html' title='Se não fosse o cincão ...'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7251344731734776740</id><published>2007-09-27T06:29:00.000-03:00</published><updated>2007-10-03T06:46:59.368-03:00</updated><title type='text'>Então Junte</title><content type='html'>Anos depois, acabei vendo sem querer um episódio do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Era o famoso episódio da série antiga em que aparece o Minotauro em seu labirinto. Na hora em que apareceu o dito cujo, não sei se me assustei com as lembranças do susto que tive na infância ou com a péssima qualidade da fantasia que criaram para o infeliz do ator, que aliás já deve estar de saco cheio de ser chamado de chifrudo. Inacreditável como uma coisa tão mal feita podia ser tão convincente. Se uma criança dos dias de hoje, em um dia no qua a TV a cabo esteja com defeito, acabar em uma rede de sinal aberto e assistir ao episódio, vai querer saber porque aquele tio está com aquela máscara brega de chifres de papelão. Se chorar, vai ser porque está perdendo o episódio diário de Backyardigans, ou qualquer outra coisa que as crianças adoram hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ainda não ter filhos, tenho acompanhado de perto a infância da minha sobrinha, que aos quatro anos já sabia navegar pela Internet, em sites tão complexos como o da Barbie e o do próprio Sítio, é claro, na versão anos 2000. E não ria, vai tentar entender o site do Sítio (sem trocadilho) para você ver! Apesar de achar minha sobrinha genial, na verdade, sem dúvida nenhuma a criança mais inteligente do mundo, como não poderia deixar de ser, é claro, alguém duvida?; creio que ainda nos dias de hoje as crianças estão dotadas de uma simplicidade de raciocínio que anda faltando para nós adultos. Nunca vou esquecer do dia em que estava com ela no escritório de meus pais. Enquanto ela navegava pelo mundo da Barbie , eu navegava no controle remoto da TV, quando ela começou a se reclamar que não conseguia acessar o joguinho da memória de uma das amigas da Barbie . Meio com preguiça fui verificar o que estava acontecendo, e quando falei para ela que a Internet havia caído ela me olhou com uma expressão de quem está diante de um idiota e respondeu com voz de choro, "Então junte!!!" Porque para ela é simples, a Internet caiu, junta. Como assim não ter Internet disponível o tempo todo? Aliás, perceba que eu escrevo Internet com letra maiúscula, achando o máximo, mesmo depois de anos de uso. Ela provavelmente não vai escrever nem o meu nome com letras maiúsculas quando os pais dela liberarem o acesso ao Messenger e formos bater um papo, ou "chatear" como ela provavelmente dirá, pela rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias estávamos sentados no sofá, eu assistindo ao Sítio, ela protestando. Eu estava completamente absorto com a voz hipnótica e assustadora da Cuca enquanto ela brincava com o controle remoto da televisão. De tanto jogar o controle de um lado para o outro, um pouco para se distrair, um pouco para chamar minha atenção, ele caiu no vão entre as almofadas do sofá e com o impacto acabou mudando de canal. Indignado falei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, o que você está fazendo? Estou vendo o Sítio!&lt;br /&gt;- Mas Digo, o controle remoto caiu no buraco do sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com voz de choro gritei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então junte!!!!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7251344731734776740?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7251344731734776740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7251344731734776740&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7251344731734776740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7251344731734776740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/09/ento-junte.html' title='Então Junte'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7871671839062895999</id><published>2007-09-14T13:05:00.000-03:00</published><updated>2007-09-16T20:37:21.243-03:00</updated><title type='text'>Rodolfo e a estátua no paraíso</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Oito dias depois, sem avisar ninguém, Rodolfo foi embora daquele lugar imundo. Não aguentava mais o cheiro azedo de cerveja choca e de restos de comida espalhados pela casa. Preferia passar as férias de outro jeito, com ar fresco e quem sabe uma namorada nova. Pegou sua magrela e saiu pedalando em busca de um lugar para ficar, sem previsão de voltar para casa. Já estava na terceira praia vizinha quando encontrou uma pousada pequenina, com uma placa de madeira pendurada acima da porta de correr, e o nome: Paraíso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Entrou e quis saber da diária, que dependia de uma série de coisas como o nome do hóspede, idade, profissão e tamanho das unhas. No caso dele o valor era acessível, de tal sorte que ficou. Tinha unhas bem cortadas e bem cuidadas. Passou vários dias circulando pelo vilarejo, curtindo o visual da praia e se apaixonando pela filha do dono da pousada, uma menina de uns vinte e poucos anos, com rosto queimado do sol e cabelos longos e ondulados até o meio das costas. Depois de tomar coragem e trocar umas palavras com a menina, Rodolfo descobriu que seu nome era Maria, e que ela não tinha namorado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Rodolfo achava Maria tão bonita que merecia uma estátua. Mal sabia ele o que havia por trás daquele par de olhos castanhos e perdidos, que ele cada vez mais idolatrava. Não demorou para ele voltar para a cidade e começar a corresponder-se com Maria. Demorou menos ainda para ela aceitar seu pedido em casamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Viveram por muitos anos tranquilos. Não quiseram ter filhos por um bom tempo, é o que ele conta, mas existia a dúvida se não o podiam. Rodolfo cresceu na carreira de escritor de novelas baratas e Maria dedicava-se a criar jardins alheios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Quando a tristeza de Maria começou a aparecer de forma mais contundente, Rodolfo quis saber se era por não terem filhos. Maria dizia que não. Rodolfo quis então saber se o amor dela por ele estava se esvaindo. Mais uma vez não. O desespero começou a bater, quando resolveram procurar ajuda. Informaram-se e foram até uma conceituada psicóloga da cidade, que diagnosticou depressão para o caso de Maria e começou a investigar as causas. Mais tarde, em reservado, a doutora alertaria Rodolfo quanto ao risco de suicídio. Seria prudente ficar de olho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Rodolfo cuidou de Maria com uma dedicação fora do comum. Fez de tudo o que fosse possível, incluindo várias viagens para todo o mundo. Neste meio tempo, Rodolfo começou a ganhar grande notoriedade como escritor, traduzido em várias línguas pelo mundo afora. O convite para virar estátua no Madame Tussauds lhe chegou em boa hora, enquanto fazia uma das viagens de promoção de seu último livro em Londres. Exigiu que sua amada esposa estivesse representada em cera ao lado dele. Estaria finalmente imortalizada. Aceitaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 14.15pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Com o passar do tempo Maria foi melhorando, redescobriu a alegria de viver, amava Rodolfo como nunca. Era o seu anjo da guarda, que por muita sorte encontrara anos antes na pousada Paraíso. Uma noite, depois de terem finalmente decidido engravidar, relembrando o passado e o ainda passando, Rodolfo quis saber por que diabos o pai dela precisava ver o tamanho das unhas dos hóspedes para definir o preço da diária. Ela não tinha a menor idéia,  mas o velho não era  bobo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7871671839062895999?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7871671839062895999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7871671839062895999&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7871671839062895999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7871671839062895999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/09/rodolfo-e-esttua-no-paraso.html' title='Rodolfo e a estátua no paraíso'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6993006078113379328</id><published>2007-08-30T13:18:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T20:33:17.198-03:00</updated><title type='text'>Martinha na Chuva ou o Gringo da Testa Cortada</title><content type='html'>A não ser que a chuva parasse, Martinha ficaria em casa curtindo a sessão da tarde. Ela odeia a chuva, não porque molha, mas porque tolhe. Gosta de movimento, de ter as mãos livres, de entrar e sair, e na chuva não dá. O fato é que seu enclausuramento não durou meia hora. Era algum Duro de Matar que passava, se não estou enganado o segundo, e ela tinha acabado de se esticar no sofá quando o celular tocou. Seu irmão Arnaldo a chamava de emergência, havia se envolvido em um acidente de automóvel. Martinha pegou a jaqueta, a sombrinha de bolinhas que quase nunca usa e saiu correndo. Arnaldo era bem mais novo, e como não tinham mais os pais, Martinha cuidava dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu se reclamando, pisando forte nas poças d´água até chegar ao seu carro, que estava estacionado uma quadra para baixo. Não tinha garagem onde morava. Martinha tinha um Fiat Oggi zerinho , com o qual ensinara Arnaldo a dirigir. Entrou no carro e saiu cantando os pneus. Ou eu imaginei assim, pois não tenho certeza se o Oggi cantava os pneus. De qualquer forma, se não cantou os pneus, xingou o Arnaldo. Levou quinze minutos para chegar ao local, no cruzamento da Sete de Setembro com a Voluntários da Pátria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reproduzo o diálogo travado no encontro de Martinha com seu irmão, que representa o ocorrido muito melhor do que minhas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Burro! Idiota! Sabe quanto vai custar para arrumar isso?&lt;br /&gt;- Pô Martinha, você nem pergunta se estou bem?&lt;br /&gt;- Claro que está, mas por pouco tempo, venha cá para eu te dar uns tapas!!!!&lt;br /&gt;- Calma mana, calma, não foi culpa minha.&lt;br /&gt;- Não venha com essa história de mana prá cima de mim, como é que você fez isto?&lt;br /&gt;- Já falei, não foi culpa minha, não sei como aconteceu.&lt;br /&gt;- Como não sabe? Tá bêbado?&lt;br /&gt;- Não, estava indo para a aula de TGA quando ele apareceu na minha frente.&lt;br /&gt;- Ele quem?&lt;br /&gt;- Aquele cara ali, um louco, parece até que estava perseguindo alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora Martinha já estava vermelha, bufando, quando deu um grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei você! Vem cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem, careca, cara de polícia, com a testa cortada, sangrando um pouco, com sotaque americano forte veio até ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Yeah. Posso ajuda-la?!?!? (Repare a falta de acentos, o que prova que ele era americano)&lt;br /&gt;- Ah meu Deus, era só o que me faltava, um gringo.&lt;br /&gt;- Gringo? O que e isto?&lt;br /&gt;- Esquece. Você está louco, dirigir desse jeito. Vai ter que pagar o carro do meu irmão, já vou avisando. E dê graças a Deus que não aconteceu nada.&lt;br /&gt;- Não se preocupe darling, vou pagar tudo o que for necessario!!! E antes que eu esquecer, eu não estar louco.&lt;br /&gt;- Tudo bem, então vamos ao que interessa. Deixe eu anotar seus dados, depois eu mando a conta.&lt;br /&gt;- OK, mas vamos logo com isso, eu estar com um pressa dos diabos.&lt;br /&gt;- Qual o telefone?&lt;br /&gt;- Cinco six nine oito nove nine seis eight&lt;br /&gt;- E o nome?&lt;br /&gt;- John McLane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martinha deu um pulo do sofá. Já era noite e a chuva tinha passado. Que maluquice, que sonho real. Ligou para o Arnaldo para saber como estava. Tudo bem, tinha saído da aula e ido para o bar com os amigos. Ela nem se atreveu a perguntar que amigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6993006078113379328?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6993006078113379328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6993006078113379328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6993006078113379328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6993006078113379328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/08/martinha-na-chuva-ou-o-gringo-da-testa.html' title='Martinha na Chuva ou o Gringo da Testa Cortada'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6068365769367903135</id><published>2007-08-16T16:03:00.000-03:00</published><updated>2007-08-16T16:04:06.149-03:00</updated><title type='text'>Pobre homem</title><content type='html'>Ele está perdido, completamente perdido. Coitado, o que foi que fizeram com ele. Deram-no a majestade, mas tiraram-no o reino. Pobre homem. Quem? Como assim, vocês o conhecem, não tenho dúvidas. Ele está por aí, é só ver. Pobre homem. Continua mandando, continua pomposo, ainda pede reverência e fala só, à mesa de almoço. Manda em tudo, mesmo tudo sendo quase nada. Perdeu o reino, mas ainda é rei. Pobre homem. Mais pobre de nós, pessoas com rei, sem reino e felizes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6068365769367903135?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6068365769367903135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6068365769367903135&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6068365769367903135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6068365769367903135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/08/pobre-homem.html' title='Pobre homem'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-6355407192002423443</id><published>2007-08-05T08:52:00.001-03:00</published><updated>2007-08-07T13:50:17.484-03:00</updated><title type='text'>A confusão entre o brabo e o chato</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Gosto de ir a pé, especialmente com meus fones no ouvido. Dá a noção real de tempo e espaço, ou melhor, a noção tradicional de tempo e espaço, pois a real ainda não se sabe se existe. Como trabalho em um lugar isolado, quando estou na cidade saio andar pelas ruas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Outro dia saí pela vizinhança. Já ia longe quando começou a tocar no aparelhinho uma velha canção que eu havia escrito. Era uma das minhas melhores e me fez lembrar do tempo em que a escrevi. Outros tempos como diriam os melancólicos. Sou melancólico. Esta é a história desta música, ou o relato de como esta história virou música, ou qualquer coisa do tipo, que envolva a história e a música.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não acredito que se faça boa arte sem sofrimento. Talvez por isso minhas composições sempre foram medíocres, tive até aqui uma vida muito boa. Sem pai autoritário, mãe desequilibrada, irmão traficante, nada disso. Também nunca vivi grandes decepções amorosas. Desta forma, para conseguir compor, acabei criando um personagem sofrido, mal amado, inconformado com as injustiças do mundo e revoltado com as autoridades, a religião, o governo e a coxinha gordurosa do boteco do japonês na esquina da faculdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Foi justamente esperando o intervalo para ir comer mais uma das coxinhas assassinas, que comecei a rabiscar no final do caderno de cálculo a letra da música. Nela descrevi a revolta de meu personagem com a violência, as regras da sociedade e, veja só, as comidas dietéticas. Segundo sua tese, éramos submissos, tínhamos baixa auto-estima e não estávamos mudando frente a todos os graves problemas da sociedade. Não custa lembrar que, naquele mesmo ano, poucos meses depois de ter escrito a música, justifiquei meu voto nas eleições presidenciais, pois tinha uma festa para ir em outra cidade. Meu personagem ficou puto comigo, mas ele que fosse à merda, quem mandava era eu, e estava na idade de me divertir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;É claro, nenhuma amizade se sustenta desta maneira. Aos poucos ele foi ficando revoltado comigo também. Entrei para a sua lista de coisas ultrajantes, nojentas e sem sentido da nossa sociedade. Foi me abandonando, me deixando para trás, deveriam existir pessoas mais integras e menos fúteis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Para continuar compondo, tive que criar outro personagem, este mais romântico, sensível com as relações humanas e entendedor das coisas da vida, em resumo, um chato. Este não come coxinha gordurosa, prefere uma boa massa, um bom vinho e gosta de ler bons livros. Como eu falei, chato pra burro. Mas somos bons amigos. Um dia o levo para andar comigo, quem sabe encontramos meu personagem de antigamente. Acho que daria uma boa briga, e quem sabe finalmente uma boa música.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-6355407192002423443?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/6355407192002423443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=6355407192002423443&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6355407192002423443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/6355407192002423443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/08/confuso-entre-o-brabo-e-o-chato.html' title='A confusão entre o brabo e o chato'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8515373378839848410</id><published>2007-07-30T12:18:00.000-03:00</published><updated>2007-09-16T22:51:00.534-03:00</updated><title type='text'>O primeiro cacho de bananas</title><content type='html'>Seguindo os passos dos irmãos, quando tinha dezenove anos resolveu vir viver no Brasil. Desembarcou em Santos, no início do século passado, com poucas libras no bolso, menos ainda palavras em português no vocabulário, e uma vontade enorme de vencer na vida. Sua primeira aquisição, assim que desembarcou do navio, foi um cacho de bananas, que na Síria era artigo de luxo, e aqui estava a preço de tâmaras. É claro que depois de várias horas de trem, quando chegou ao seu destino final no interior do Paraná, as bananas estavam podres. Sua tristeza durou pouco quando descobriu que lá o preço era o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do sangue de mascate, veio de Homs como ourives, e ainda não sabia muito bem o que faria por estas paradas. Só tinha com ele algumas peças que havia confeccionado para trazer de presente e algumas receitas para quando a saudades apertasse. Encontrou seus irmãos assim que chegou na cidade. Já eram três da tarde, e todos ainda estavam sentados em volta da mesa, comendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;halawet al-jubn&lt;/span&gt; de sobremesa, depois de terem saboreado um belo prato de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beitenjan mehshi&lt;/span&gt;, as deliciosas berinjelas recheadas, ambos pratos dos mais famosos de Homs. Por enquanto não tinha dado uma bola dentro, tanto as bananas quanto as receitas eram dispensáveis. Já as haviam trazido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo foi apresentado a vários sírios e libaneses, de cidades como Damasco, Allepo, Beirute entre outras, que também vieram tentar a sorte longe de casa. Logo também começou a vislumbrar a possibilidade de fazer algum dinheiro. Ao invés de presentear os parentes, vendeu as peças que trouxe na bagagem e com o pouco dinheiro que conseguiu comprou uma carroça e artigos de costura. Com ajuda dos amigos árabes que começava a fazer, saiu de porta em porta, na sua nova cidade e em outras vizinhas, vendendo. Logo conseguiu juntar algum dinheiro, que usou para comprar mais mercadorias, e ganhar mais dinheiro. Com os anos, associou-se aos irmãos, trocou a carroça por uma rural, comprou terrenos e abriu uma loja. O negócio de artigos de costura foi apenas uma alavanca para a compra de cada vez mais terrenos, que depois viraram prédios e lojas, e assim construiu sua fortuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio desta história toda, teve a sorte de construir outra, a de sua família. Casou-se com uma moça da comunidade árabe, a qual amou desde o primeiro olhar. Quem os conhece hoje, setenta anos depois, afirma que o amor só aumentou desde então. Dedica a sua amada uma devoção de fazer inveja às moças dos dias de hoje. Tiveram um filho e três filhas, todos com uma veia artística que só pode ser herança de seus tempos de ourives. Encara a vida como se nunca fosse nos deixar, com uma vontade enorme de continuar crescendo, comprando, criando e negociando, como no dia em que comprou seu primeiro cacho de bananas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8515373378839848410?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8515373378839848410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8515373378839848410&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8515373378839848410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8515373378839848410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/07/seguindo-os-passos-dos-irmos-quando.html' title='O primeiro cacho de bananas'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-4998281092803831202</id><published>2007-07-27T13:45:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T13:46:50.504-03:00</updated><title type='text'>Até Hoje</title><content type='html'>&lt;p&gt;   Eram mais ou menos cinco da manhã quando ela começou a melhorar. Eu não melhorei até hoje. Falávamos da vida, dos acasos, dos desastres, aquelas coisas de gente bêbada e imatura, que está se conhecendo e quer impressionar. Ela falava mais do que eu, como manda a etiqueta da conquista, até desmaiar, quando comecei a falar mais do que ela.Continua assim até hoje. Propus sairmos daquela confusão, que não estava nos fazendo bem. &lt;strong style="font-weight: normal;"&gt;Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;   Não consigo lembrar o que aconteceu em seguida. Foram pelo menos umas seis horas de blackout. Ela diz que não transamos, mas eu tenho minhas dúvidas até hoje. Quando acordei não lembrava o seu nome e a chamei de minha princesa. Assim a chamo até hoje. Não sou muito de mudanças, se percebe. Fiquei obcecado por ela, por sua beleza estranha, seu jeito próprio de falar, como se as palavras não fossem ficar para sempre, e com seu cheiro de banho de antigamente. Dediquei minha vida a ela, até hoje.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; Hoje quando acordei, tomei café com bolachas moles, li o jornal de ontem e tentei ligar para ela. Acho que agora ela tem identificador de chamada, pois anda desligando na minha cara. Não faz mal, vou tentar esquecer dela. Só hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-4998281092803831202?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/4998281092803831202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=4998281092803831202&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4998281092803831202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/4998281092803831202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/07/eram-mais-ou-menos-cinco-da-manh-quando.html' title='Até Hoje'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-992163428306289894</id><published>2007-07-27T09:27:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T13:48:20.366-03:00</updated><title type='text'>Da gestação à digestão</title><content type='html'>Nunca vou esquecer do carneiro do Zeco. Quando meu irmão ainda era estudante de medicina e morávamos juntos em um pequeno apartamento na Desembargador Motta, eu acompanhava os estudos dele e de seus colegas madrugada adentro. Como prêmio de participação, eles me convidavam para os churrascos da turma. Ao contrário da maioria dos churrascos de turmas de universidade, os da turma do meu irmão não eram uma desculpa para beber, quer dizer, não só para beber. O ponto alto era quando tinha o carneiro do Zeco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era qualquer carneiro. Segundo o próprio Zeco, um garoto do interior do Paraná, que tinha vindo para estudar em Curitiba, como a maioria dos garotos do interior do Paraná com algum dinheiro, ele acompanhava a vida do carneiro da gestação à digestão. Conhecia os bichinhos pelo nome, sabia quem era o pai, quem era a mãe e quem eram os irmãos, geralmente os próximos da fila. Ele fazia questão de sacrificá-los com as próprias mãos. Achava que era uma questão de respeito. Limpava, cortava, temperava e assava, sozinho, odiava que oferecessem ajuda. O carneiro era dele e ninguém punha a mão, só os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa hora percebia-se que todo este cuidado era justificado. Nunca comi carne mais saborosa na minha vida toda. Depois da formatura acabei não encontrando mais o Zeco, e obviamente não sendo mais convidado para eventuais churrascos, mas cada vez que como carneiro em algum lugar, lembro daquela época. Quando o filho do Zeco entrar para a faculdade, vou dar um jeito de me enturmar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-992163428306289894?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/992163428306289894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=992163428306289894&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/992163428306289894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/992163428306289894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/07/nunca-vou-esquecer-do-carneiro-do-zeco.html' title='Da gestação à digestão'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-3861417550484560210</id><published>2007-07-12T14:53:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T13:48:00.780-03:00</updated><title type='text'>Carta de Apresentação - Modelo Calheiros</title><content type='html'>Prezados senhores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou engenheiro de formação e tenho muita experiência na indústria. Por favor encontrem em anexo o meu CV para qualquer vaga que vocês tenham disponível em sua empresa. Qualquer uma mesmo, não se acanhe. Não falo inglês, nem qualquer outra língua estrangeira, mas tenho certeza que posso aprender rapidamente. A questão é que eu tenho que sair daqui o quanto antes. Não dá mais. É sério, vocês que moram aí não têm como saber. E olha que eu sou patriota de cantar até o hino da bandeira, mas agora já deu. Minha empresa é ótima, meu salário é até muito bom, mas não faz diferença pois roubam um terço dele. Meu cargo é de liderança, mas eu posso abrir mão disto. O que quero é cair fora. Imediatamente. Por favor, não achem que eu sou maluco. Quer dizer, a responsabilidade é sua, se não me tirarem daqui eu vou acabar ficando. Não sou do tipo que desiste fácil, pois sou um dos últimos otimistas por aqui, mas até o mais otimista tem seus limites, que geralmente coincidem com o da sanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso recebam cartas parecidas de outros Brasileiros, lembrem que eu mandei a minha antes. Se vocês não responderem imediatamente, vou ser obrigado a virar político, e aí meus amigos, vocês vão ter que dormir com este peso na consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-3861417550484560210?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/3861417550484560210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=3861417550484560210&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3861417550484560210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/3861417550484560210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/07/prezados-senhores-sou-engenheiro-de.html' title='Carta de Apresentação - Modelo Calheiros'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-2932470821449642235</id><published>2007-06-27T11:16:00.000-03:00</published><updated>2007-07-03T12:22:18.757-03:00</updated><title type='text'>Pistou</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;No auge da neurose com a vaca louca, fomos, eu e minha esposa, à França. Na época ainda namorávamos e eu queria impressioná-la com uma aliança de noivado em um passeio pelo Sena. Como tínhamos amigos em Toulon, resolvemos passar uns dias no sul antes da semana em Paris.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Não comer carne de gado na França só não é mais grave porque existem os patos, as rãs, as lesmas e outros bichos tão ou mais apetitosos. De qualquer maneira, perde-se muito. Por sorte eramos muito novos na época, e ainda não sabíamos direito o que estávamos perdendo. O maior exemplo é que raramente tomávamos vinho nas refeições, substituindo uma boa garrafa de borgonha de quinze dólares por uma boa garrafa de coca-cola de dez.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Falta de experiência à parte, quando acertávamos era em cheio. Em um dos poucos dias chuvosos da viagem, passeando por Grasse, famosa pelos perfumes e por ser cenário do famoso livro de Patrick Suskind, quando não aguentávamos mais de fome entramos em um restaurante. Tinha uma plaquinha na porta, destas nas quais se escreve a giz, indicando que o prato do dia era macarrão a bolonhesa. Até aí tudo bem, estávamos certos de que havia outros pratos no cardápio que não nos expusessem aos terríveis riscos da doença da vaca louca. Entramos no restaurante, bem iluminado, super aconchegante, com no máximo umas quinze mesas. Todas estavam ocupadas, com exceção de uma bem no canto, ao lado da cozinha. Como todos comessem o prato do dia, previ encrenca.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Quem atendia as mesas era a própria dona do restaurante, uma senhora gorda, alta e gritona, que se não nasceu na Itália, nasceu no lugar errado. A coisa estava se complicando. Chegamos a pensar que bater a cabeça na parede, babar pelos cantos da boca e ficar mugindo de noite não seria tão mal assim, ainda mais que na maioria dos casos os sintomas só apareceriam dez anos depois. Ainda assim achamos melhor não arriscar e, depois de uma rápida olhada no cardápio, tomamos coragem e pedimos spaguetti au pistou. Preciso confessar que pedimos achando que era macarrão ao molho pesto.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O pedido foi seguido do seguinte diálogo, em uma mistura de francês, portugês, italiano e inglês, com o volume da voz da senhora subindo a cada frase:&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;- Dois bolonhesas?&lt;br /&gt;- Não senhora, dois pistou!&lt;br /&gt;- Por que não dois bolonhesas?&lt;br /&gt;- Porque somos vegetarianos. – Pensei rápido.&lt;br /&gt;- Mas bolonhesa é o prato do dia!&lt;br /&gt;- Nós sabemos, mas a senhora serve os outros pratos, certo?&lt;br /&gt;- Sim, mas bolonhesa é o prato do dia, por que vocês não querem o bolonhesa?&lt;br /&gt;- Eu já falei senhora, somos vegetarianos.&lt;br /&gt;- Mas está todo mundo comendo o bolonhesa!!!!!&lt;br /&gt;- Mesmo assim senhora, gostaríamos do pistou.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;E lá foi ela, bufando e batendo o pano de prato na perna, enquanto todos nos olhavam como se fossemos criminosos. Trinta minutos e algumas bufadas depois, chegam os pratos. Para nossa surpresa, ao invés do molho verde com sabor forte de manjericão e pinólis, sobre a pasta encontrava-se um molho fresco, com tomates picados, manjericão fresco e um sabor leve e inesquecível. Achamos que ela tinha trocado o pedido de propósito, para vingar o bolonhesa, mas nosso medo era tal que resolvemos deixar por isso mesmo. Sorte nossa. Saboreamos uma delícia poucas vezes igualada em nossas vidas e somente muito tempo depois descobrimos que pistou e pesto são primos distantes e que a senhora gorda, apesar de mau humorada, era bem intencionada e não havia trocado o pedido.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Ainda não tivemos a chace de voltar lá. Agora que a vaca não está mais louca, fico imaginando o quão bom deve ser o bolonhesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-2932470821449642235?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/2932470821449642235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=2932470821449642235&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2932470821449642235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/2932470821449642235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/06/pistou.html' title='Pistou'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7472241812890364598</id><published>2007-06-20T07:19:00.000-03:00</published><updated>2007-06-20T07:20:49.572-03:00</updated><title type='text'>Goldship</title><content type='html'>&lt;p&gt;O senhor Goldship viajava. Ninguém entendia o que ele dizia, nem nas rodas sociais, nem em sala de aula e ainda assim ele era muito respeitado. Às vezes as pessoas ganham respeito falando o que os outros não entendem, mesmo que seja uma tremenda bobagem. Na universidade local, dava aula de eletrônica, mais especificamente de semicondutores, sendo sua especialidade a modelagem completa de circuitos com transistores. É eu sei, o que isto importa? Por enquanto não muito, mas é bom saber com quem estamos lidando. O senhor Goldship não era casado, não tinha filhos nem irmãos, e os pais já tinham ido. Era baixo, redondo e tinha uma cara vermelha, sempre bem barbeada. Andava com dificuldade, um pouco pela idade, um pouco por um acidente de carro que sofrera anos antes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ele implicava com leiloeiros, apreciava mais os falsários, políticos ou até mesmo assassinos. O que explica esta estranha predileção é que logo após ele nascer sua mãe havia fugido com o leiloeiro mais famoso da cidade, deixando seu pai, que era político e, suspeita-se, falsário, com uma ira assassina só acalmada pelo fato de que o filho sobraria sozinho no mundo caso a mãe morta não pudesse ser substituída pelo pai, possivelmente preso. Com o tempo, a idade, e uma profissão que o deixava com tempo livre até demais, a implicância com estes nobres profissionais foi aumentando até virar ódio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Se não contamos até agora o nome de batismo do senhor Goldship, é porque ele é ridículo, e não vamos fazer isto com o pobre homem. Acredite, nada do que contamos até aqui é pior do que o nome do senhor em questão. Mas voltemos à história, hoje é dia dezenove e temos que terminá-la até amanhã. Calhou do senhor Ma....., ufa! quase, Goldship estar trabalhando em um projeto onde precisaria de uma série de placas de circuitos eletrônicos que só se encontrava em aparelhos de DVD. Naquela época estes aparelhos haviam acabado de ser lançados, e a única maneira de encontra-los a um preço razoável era nos famosos leilões da receita federal, de materiais apreendidos nas alfândegas do Paraguai. A sorte sorriu para o senhor Goldship, naquela semana haveria um leilão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Como não tinha outra escolha para terminar seu projeto, decidiu deixar o ódio de lado, colocou sua melhor roupa e foi. O evento ocorreria no prédio da receita, começando pontualmente às nove horas da manhã. Começou às dez e trinta e quatro. Por mais de quatro horas lotes e mais lotes de todos os tipos de coisas inúteis haviam sido leiloados. Foi um ano bom para a receita.&lt;br /&gt;Bem no final do evento, quando o senhor Goldship já estava quase desistindo, veio o lote que tanto aguardava. Três aparelhos de DVD novinhos, cada um com a preciosa placa de circuito impresso que ele tanto precisava. Os lances começaram, quase todos os presentes queriam o lote, o senhor Goldship suava e sua cara vermelha brilhava. O preço começou a subir, já se podia dizer que estava chegando no limite, mas o senhor Goldship não iria desistir tão fácil. Não era mais uma questão de terminar seu projeto, era vingança. Ele iria acabar com a raça daquele leiloeiro safado. Esqueceu que o único que ganhava com esta história era o próprio leiloeiro. Só sobrara o senhor Goldship e uma velhinha de uns oitenta anos que ninguém sabe porque diabos queria três aparelhos de DVD. Quando o braço da velhinha começou a subir cada vez mais devagar, o senhor Goldhip vislumbrou a vitória. Ele tinha certeza que aquele seria o último lance da velhinha, esperou um pouco para causar suspense e se deliciar com o momento. Quando finalmente levantou seu braço gordo, com as mangas arregaçadas e pingando suor escutou a terceira batida do martelo e as palavras “dou-lhe três”. O leiloeiro ignorou o seu lance. Tentou protestar, mas como era o último lote todos já estavam se levantando e o barulho abafou suas palavras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Saindo do prédio, com a cabeça baixa, transtornado, o senhor Goldship lembrou de sua mãe e começou a chorar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7472241812890364598?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7472241812890364598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7472241812890364598&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7472241812890364598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7472241812890364598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/06/goldship.html' title='Goldship'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-8704219490767527188</id><published>2007-06-13T12:20:00.000-03:00</published><updated>2007-06-13T12:21:11.494-03:00</updated><title type='text'>Todas as minorias</title><content type='html'>Com o tempo ela aprendeu que a melhor maneira de sentir que passava mais tempo em casa era deixar para arrumar a mala na útima hora. Era exatamente o que estava fazendo quando começou a pensar em sua condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia passado sua infância e adolescência no Alabama das décadas de 60 e 70. Seu pai era reverendo de uma igreja presbiteriana e sua mãe professora de música. Desde cedo a ensinaram a enfrentar com classe os problemas da discriminação racial, o que não significa que sua vida tenha sido fácil. Não podia andar em determinadas ruas, nem frequentar a maioria dos estabelecimentos comerciais do centro de sua cidade. Apenas as chamadas “colored facilities” podiam ser frequentadas por afro-americanos naquele tempo, e seus pais a proibiam de se rebaixar às normas da época. Cursar um bom colégio, fazer aulas de música e ter acesso à cultura era privilégio de poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tão longe em suas memórias que acabou exagerando na mala. Era uma viagem de ida-e-volta, não precisaria de tanta coisa. Fazia esta viagem pelo menos uma vez por mês, às vezes escondida, mas ainda não conseguira acostumar-se. A visão do sofrimento daquele povo a lembrava de sua infância, sentia a agonia de todas as minorias, mesmo quando, localmente, configuravam maioria. Este sentimento colocava sua história pessoal e suas convicções políticas em conflito, ela ainda não sabia direito como tinha chegado àquele ponto, não era conveniente pensar nisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente estava com a mala arrumada, o avião já estava pronto, a equipe também. Beijou a foto dos pais, tirada pouco antes de sua mãe falecer, ligou para escutar as últimas recomendações do presidente e partiu para a zona de conflito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-8704219490767527188?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/8704219490767527188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=8704219490767527188&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8704219490767527188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/8704219490767527188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/06/todas-as-minorias.html' title='Todas as minorias'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-7066209218955652507</id><published>2007-04-29T20:56:00.000-03:00</published><updated>2007-04-29T20:57:25.863-03:00</updated><title type='text'>As semanas, os meses, os anos</title><content type='html'>&lt;p&gt;Olhei para o lado e a vi, linda demais, cabelos castanhos largados rente ao rosto pequeno, liso e claro à perfeição. Fazia muito tempo que não a via, desde os tempos de escola. Na verdade acho que nunca a tinha visto, não daquela maneira. Não tinha mais volta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo olhei, como é de meu costume. Olhei com desespero até, pois sabia que não iria ser fácil vencer minhas barreiras. Por pouco não a perdi, até que um dia, com alguma ajuda, fui. Neste dia ela estava ainda mais linda, o que me assustava ainda mais. Conversamos o pouco que dava, já estava tarde, sempre fui de fim de festa, mais uma armadilha da minha timidez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A coisa foi indo, devagar mas com consistência. Primeiro beijo em uma semana, me chame de antiquado se quiser. Como eu corri riscos nesta história. Não sei como ela teve tanta paciência. Depois do primeiro beijo comecei a achar que tinha uma pequena chance, vê se pode. A esta altura ela já estava completamente a vontade, comigo e com todos, e eu lá, ainda em dúvidas se a tinha conquistado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;As semanas passaram, os meses, os anos, o noivado e o casamento. Imagina, só agora que estou longe dela por uma semana é que consegui escrever estas sinceras palavras, e não é porque só sinto o que sinto quando estou longe, não mesmo, é que quando estamos juntos eu não quero perder um só segundo. Não sou mais de fim de festa. Não com ela.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-7066209218955652507?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/7066209218955652507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=7066209218955652507&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7066209218955652507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/7066209218955652507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/04/as-semanas-os-meses-os-anos.html' title='As semanas, os meses, os anos'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30617025.post-5838128082964905584</id><published>2007-04-10T10:35:00.000-03:00</published><updated>2007-04-14T19:35:14.446-03:00</updated><title type='text'>Osaka e o trem bala</title><content type='html'>O gongo bateu na lateral da locomotiva e nenhum passageiro arriscou um piu. Estavam todos excitados e apreensivos ao mesmo tempo. Todos tinham na cabeça apenas as palavras dangan ressha, o trem bala. Tóquio não estava em seus melhores dias, o céu nublado e o ar pesado indicavam chuva, o que aumentava a apreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre alguns convidados para o passeio inaugural estava o senhor Osaka, acompanhado de sua esposa Yasu. Ao contrário dos outros passageiros, senhor Osaka não estava apreensivo com a viagem, estava de saco cheio com mais este compromisso político. Faltavam apenas dez dias para a abertura das olimpíadas e ele, um dos principais organizadores do evento, ainda tinha muito trabalho pela frente. Estamos no dia primeiro de outubro de 1964, dia do aniversário de Yasu. Ela não quis nenhum presente, não quis jantar fora, seu único pedido foi que seu marido aceitasse o convite para a inauguração. Ele nunca deixaria de atender a um pedido de Yasu, que era calma só no nome, e dava um baile em Osaka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo arrumado segundo a tradição. As bandeirinhas, as velas, as gueixas e o gongo, tudo em seu lugar. Quando um homem do tamanho de um lutador de sumô e com cara de quem comeu domburi estragado bateu o gongo pela terceira vez, o trem partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apreensão dos convidados transformou-se em emoção e, eventualmente, em embrulho de estômago. Yasu dava gritinhos de alegria e não reparou que a indiferença de seu marido subitamente havia se transformado em pavor. Não era a velocidade do trem bala que o assustava, Osaka havia reconhecido dentre os passageiros uma figura que há tempos fingia ter esquecido.O que Kobe estaria fazendo ali? Quem o teria convidado? Osaka achava que nunca mais veria seu odiado irmão. Nascidos no mesmo dia, da mesma mãe, eram o que normalmente se chama de irmãos gêmeos, exceto pelo fato de que não se pareciam em nada um com o outro física ou espiritualmente. Tendo que esconder o espanto e restabelecer a calma, Osaka perguntou, “Kobe, quanto tempo?”. Também surpreso com o encontro, Kobe respondeu, “Osaka san, realmente faz muito tempo não é?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você pode dispensar as formalidades Kobe, somos irmãos, me chame simplesmente de Osaka.&lt;br /&gt;- Você é quem manda irmão! Fiquei sabendo que está no comitê organizador dos jogos olímpicos. Meus parabéns!&lt;br /&gt;- Obrigado! E você, o que anda fazendo desde que...&lt;br /&gt;- Desde que o que irmão?&lt;br /&gt;- Você sabe muito bem!&lt;br /&gt;- Desde aquele dia tenho apenas me arrependido do que fiz, mas ainda não terminei.&lt;br /&gt;- Ainda não terminou?&lt;br /&gt;- Sim, de me arrepender. Mas estou quase, tudo depende de hoje. Estou aqui para pedir perdão Osaka, você acha que pode me perdoar?&lt;br /&gt;- Você é realmente muito estranho Kobe. Acha que pode aparecer assim, do nada, e espera que eu esqueça de tudo?&lt;br /&gt;- Não espero que você esqueça irmão, apenas me perdoe!&lt;br /&gt;- Não posso Kobe. Não ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osaka acordou de um susto quando Yasu perguntou com quem estava falando. “Com ninguém Yasu, com ninguém!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yasu soltava seu vigésimo gritinho, quando o trem parou em Shimonoseki, o destino final. Cada passageiro deveria voltar para Tóquio por conta própria, não existia o termo round-trip em japonês. Osaka ficou puto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30617025-5838128082964905584?l=rodrigoacras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/feeds/5838128082964905584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30617025&amp;postID=5838128082964905584&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5838128082964905584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30617025/posts/default/5838128082964905584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rodrigoacras.blogspot.com/2007/04/em-breve-osaka-e-o-trem-bala.html' title='Osaka e o trem bala'/><author><name>Rodrigo Acras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04736132804986734600</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_Zydzwqhow50/S_fO18d7NaI/AAAAAAAAAMQ/PEXDpnlpENM/S220/manga+digo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
